Camila Anauate/AE
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Finalmente, o safári

O Parque Nacional Etosha é tudo aquilo que se espera da África. Savanas a perder de vista, animais selvagens e safári num jipão. Solidão desértica, agora, só na lembrança. A atração mais conhecida da Namíbia, como deveria ser, está lotada de turistas.

Camila Anauate, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2009 | 02h33

O motorista-guia logo avisa que o passeio exige paciência. Ele conhece a reserva como ninguém e sabe que encontrar os Big 5 - leão, leopardo, elefante, rinoceronte e búfalo - é missão ingrata durante a época de chuvas (de outubro a abril). "Mas vamos atrás deles."

Sem nunca descer do jipe, mantemos as câmeras em posição de clique. O grupo de girafas é o primeiro a fazer pose. Os animais parecem acostumados com o assédio e encaram curiosos o carro. Eles passeiam por um campo cujo verde intenso parece contrastar ainda mais com o amarelo das flores, graças à brilhante luz do sol.

 

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Os veados são tão abundantes que até cansa fotografá-los. Estão por todos os lados, às vezes com um chacal de olho. O predador espia e o bando, atento, se afasta. Mais adiante, as zebras dão um show. Todas as fêmeas com seus filhotes, rostos colados. Puro instinto.

"Olhem, dois esquilos", alguém avisa. E não é que os bichinhos também se exibem? Andam de lá para cá, ficam em pé, comem frutos. A atenção está voltada para eles quando o guia diz a palavra mágica: "rino". Todos olham, ninguém vê nada que se pareça com o animal. "Ali", aponta.

O rinoceronte surge detrás da folhagem e vem andando em nossa direção. Lentes para todos os lados. O animal gosta dos flashes. Não contente, passa na frente do jipão e atravessa a estrada, sem pressa. Já do outro lado, ainda dá uma paradinha, tempo suficiente para a última foto. E se esconde novamente.

O encontro com o "rino" foi a glória do safári. Mas, depois de três horas zanzando pelo santuário, ninguém esconde a decepção de não ter encontrado um só elefante. Vir à África e não ver elefantes? Oras!

Resignados - e com a certeza de que o Etosha merece pelo menos dois dias de visita, para dar mais tempo à sorte -, o grupo tomou a rodovia rumo à capital, Windhoek. E fim de papo.

Olho distraída pela janela. De repente, um vulto grande. "Acho que vi um elefante", arrisco, sem muita certeza. Recebo olhares desconfiados. O carro volta alguns metros até alcançar o pequeno lago, à beira da estrada. Lá está ele, imponente, bebendo água.

Subo no teto do carro e disparo a câmera. Outros carros param no acostamento. O circo está armado. Então, reparamos na paisagem: uma estrada rodeada de floresta por todos os lados, céu azul salpicado de nuvens branquinhas e um elefante bebendo água. Um elefante à beira da estrada bebendo água, dá para acreditar? Isso, sim, é África.

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