Eduardo Moody/Divulgação
Eduardo Moody/Divulgação

Friozinho na barriga à moda baiana

Resista à tentação de ficar na areia e descubra o lado radical da Praia do Forte

Mônica Cardoso, O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2010 | 00h50

Selo-Verao

MATA DE SÃO JOÃO - Sol e mar são os atributos que primeiro chamam a atenção na Praia do Forte. Mas só serão sinônimo de malemolência em uma rede preguiçosa e canga esticada na areia se você quiser. Em meio a toda a beleza natural que se espera do litoral baiano, este vilarejo do município de Mata de São João, 90 quilômetros ao norte de Salvador, está cercado por opções de atividades de aventura.

Braços e pernas serão exigidos em alguns passeios, é verdade. Mas compensações vêm na forma de mergulhos em águas límpidas, momentos de contemplação em paisagens isoladas e até uma visita ao que restou do único castelo medieval das Américas (leia mais abaixo).

Seguindo pela Linha Verde, rodovia que liga o litoral norte da Bahia ao Sergipe, são 10 quilômetros desde a Praia do Forte até a Reserva Imbassaí, onde se faz o passeio de canoa canadense pelo rio de mesmo nome. É preciso sacolejar por 6 quilômetros em uma estrada de areia e cascas de coco (o que evita de os jipes ficarem atolados), em meio a cactos, piaçabas e maçarandubas para chegar até este refúgio.

O ponto de partida da remada é a Vila do Diogo. O percurso começa estreito, com muitas curvas e bancos de areia nos quais a canoa chega a encalhar. Em seguida, as margens se alargam e fica mais fácil remar. A água transparente permite ver as raízes compridas dos aguapés. Uma hora depois chega-se à praia deserta que, de tão isolada entre dunas e uma fileira de imponentes coqueiros, nem nome oficial tem (por ali, é conhecida como Santo Antônio).

A profusão de tons de azul do céu se confunde com o mar, de água limpíssima e morna. A areia está cheia de ninhos de tartarugas. Nas manhãs de verão, bem cedo, é possível ver filhotes correndo em direção ao mar.

Os poucos quiosques são rústicos, feitos de madeira, bambu e palha. Em um deles, o pescador Francisco Vieira de Oliveira, o Chico, recebe turistas com seu violão surrado. Pausa para uma porção de camarão (R$ 30) e uma água de coco (R$ 2).

Mais uma curta caminhada pelas dunas e você está em outro vilarejo, o de Santo Antônio, para conhecer o artesanato feito pelas descendentes de índios tupinambás. Com mãos ágeis, Jerusa dos Santos Mendes, de 33 anos, vai trançando tiras de palha de coqueiro e piaçaba, que se transformam em bolsas - algumas vendidas até na Inglaterra. "Aqui todas as mulheres sabem fazer. Aprendi aos 12 anos e já ensinei às minhas filhas", diz. A bolsa pequena sai por R$ 10 e a média, por R$ 30.  

Tirolesa

Outra reserva natural na região, a Sapiranga, permite viver momentos de aventura por terra, água e ar. Para começar, você segue durante 20 minutos por uma trilha cercada de mata atlântica e aproveita para observar espécies da vegetação nativa, como pau-brasil e biribá, cuja madeira é usada para fazer os arcos do berimbau. Micos-estrela vivem nas copas das árvores.

Um barco a motor cruza o Rio Pojuca até o parque privativo Oka Porang, com opções de ecoturismo. Ali, é possível remar em uma canoa havaiana (R$ 82) e, depois, acelerar os batimentos cardíacos nas duas tirolesas de 16 metros de altura cada. A descida termina em um mergulho nas águas mornas.

Outra opção é começar com as tirolesas e terminar o dia em um passeio de barco, sem esforço, pelo rio - que fica ainda melhor no fim da tarde, quando é possível sentir o vento no rosto e ver o belo pôr do sol. Garantia de boas fotos.

Nas margens, pescadores pegam caranguejos no manguezal. A embarcação chega até a Praia de Itacimirim, onde o Rio Pojuca encontra o mar. Foi lá que, em 1984, o navegador Amyr Klink aportou depois de cruzar o Oceano Atlântico em uma viagem de 100 dias. 

 

Piscinas Naturais

Quando bater a vontade de relaxar, siga para as piscinas naturais da Praia do Forte. São necessários 20 minutos de caminhada entre as pedras para ir às mais famosas: a do Aquário, com 1 metro de profundidade na maré baixa, a do Lord, com 2 metros, e a do Papa-Gente, a mais funda, com até 6 metros.

Bastam máscara e snorkel para observar, entre os recifes de corais, crustáceos, algas, polvos, lagostas e peixes como o sargentinho e o palhaço. E também a moreia, cujo corpo cilíndrico lembra o de uma serpente - inofensiva, no entanto.

Bahia Adventure: (0--71) 3626-2720. Passeio à Reserva Imbassaí: R$ 98. Tour na Reserva Sapiranga: R$ 106

Portomar: (0--71) 3676-0101. Snorkeling nas piscinas naturais: R$ 60

Viagem a convite da Turisforte e do Sebrae Bahia

 

Projeto Tamar

Foi nas areias da Praia do Forte que o Projeto Tamar deu seus primeiros passos na preservação das tartarugas marinhas - iniciativa que comemora 30 anos em 2010. Exemplares de quatro espécies de tartarugas encontradas no Brasil vivem em grandes tanques. Durante as atividades interativas o visitante pode alimentá-las e acompanhar a soltura dos filhotes na praia.

Fique atento às curiosidades contadas pelo instrutor sobre esses animais, que podem viver mais de cem anos e permanecer até cinco horas submersas na água sem respirar.  

Mas não são apenas as tartarugas que fazem sucesso. Nos tanques com arraias e tubarões-lixa também é possível colocar as mãos nos animais. As crianças ainda contam com atividades educacionais como o teatro de fantoches.

O ingresso custa R$ 12. No verão, o centro de visitantes funciona das 8h30 às 18 horas. Mais informações no telefone: (0--71) 3676-0321.  

 

Tour em quatro rodas até o castelo medieval
 

 

As ruínas do Castelo Garcia D’Ávila, tido como a única construção medieval das Américas, são uma verdadeira aula de história do Brasil. Que pode muito bem ser combinada com aventura se você for até lá em um quadriciclo.

 

Na primeira parte do trajeto de 8 quilômetros pela Reserva Ecológica da Sapiranga, muitos solavancos em meio à mata atlântica fechada. A trilha atravessa o povoado de Pau Grande, com casebres de pau-a-pique. Pelo caminho, é possível ver mulheres equilibrando latas na cabeça ou lavando a louça em pequenas poças d’água. Na Lagoa Aruá, aproveite para dar um mergulho.

 

Siga, então, pela segunda trilha até o castelo. As ruínas conservam a imponência do edifício de três andares com pé direito alto. Óleo de baleia e areia foram usados para dar liga às enormes pedras.

 

O lugar começou a ser erguido em 1551 por Garcia D'Ávila, um almoxarife da Coroa Real, e foi concluído apenas em 1624. Em posição estratégica, no alto da Colina do Tatuapara, o forte protegia o litoral do ataque de holandeses. Das grandes janelas é possível ter uma visão ampla da costa. Aliás, o forte deu o nome ao vilarejo.

 

Para delimitar o latifúndio que ia da Bahia ao Maranhão, Garcia D’Ávila trouxe coqueiros, árvore nativa da Ásia. A planta se espalhou pelo litoral que hoje é conhecido como Costa dos Coqueiros. O passeio dura 2 horas e custa R$ 210 para duas pessoas na Portomar.

 Confira pacotes e passagens aéreas para a Praia do Forte    

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