Glamour à italiana

Vistos desde o Mediterrâneo, os contornos do litoral italiano se sobressaem, revelando belezas que conquistaram imperadores romanos e inspiraram Nietzsche

Aryane Cararo / SORRENTO,

05 Julho 2011 | 06h00

 

Centímetro a centímetro, um novo pedaço de terra aparece à medida que o navio avança. É um desbravamento lento, para absorver todo o espetáculo de branco e amarelo das falésias, o equilíbrio das casinhas em encostas e penhascos, a algazarra curiosa das gaivotas, a suavidade dos veleiros e as inacreditáveis cores do mar. Assim, do meio das águas, vão sendo revelados os melhores cartões-postais da Itália mediterrânea, num ângulo que dificilmente a rapidez de uma viagem aérea compensaria. É seu momento de conexão com o Mediterrâneo e com as joias que se erguem sobre ele - como as ilhas de Capri e Sardenha.

 

É claro que há aeroportos nas ilhas ou próximos a elas. E carros para alugar, vans, táxis, vespas e teleféricos. Mas é por mar, em navio, ferry, iate, veleiro ou barco de passeio, que se consegue contemplar a face Saint-Tropez da Itália em sua totalidade e entender sua troca com o Mediterrâneo. Os cruzeiros - como o que fizemos no navio Azamara Journey - trazem ainda a surpresa de acordar todo dia com um lugar novo à varanda. Afinal, essa não é uma Itália qualquer.

 

É a Itália que escritores, atores, políticos e o jet set internacional costumam escolher para passar as férias de verão há dezenas, centenas de anos. Ela não tem as tradicionais fontanas, seu principal atrativo não é o legado romano nem as obras renascentistas, muito embora respire história. Esta da qual vamos falar se pauta pela magnitude da natureza: um mar de milhares de azuis, picos rochosos altíssimos e uma vegetação colorida que, juntos, criam costas e ilhas tão belas a ponto de virarem sinônimo de gente bonita, rica e famosa.

 

E ainda assim conservam aquilo que faz da Itália a Itália. Estão lá o perfume do limão, as roupas nas janelas, os antigos Fiat 500, as vespas, os motoristas barulhentos, as conversas animadas, o sorvete macio, os vinhos, massas e pizzas e, a tremular nas varandas dos prédios, bandeiras verde, branca e vermelha.

Esta Itália se descobre assim: praias de areia branca ou de cascalho preto, com ou sem pinheiros, pedras de granito rosa, falésias e deques de madeira promovem o encontro com as águas - que ora também escavam suas próprias coordenadas. Por trás deles, há sempre um morro, às vezes um vulcão, compondo o cenário idílico. Em outros, vilas medievais ou cidadezinhas de puro charme. Os moradores fazem como podem para equilibrar casinhas brancas, ocres, pastéis. Enfeitam tudo com flores que, na primavera, exibem inacreditáveis cores. E os gatos passeiam tranquilos pelas vielas. É, gato gosta mesmo de boa vida.

 

E o que fazem os turistas, além de tirar fotos? Tomam banho de sol e mar, sentam-se sem pressa nos cafés, consomem luxo nas grifes mais importantes do mundo, badalam em boates milionárias e ensaiam grazies e pregos. Querem ver e ser vistos. Pagam mais caro para fazer parte deste seleto clube de visitantes do Mediterrâneo. E dedicam-se, com afinco, ao dolce far niente.

 

* O QUE LEVAR

O básico

Protetor solar, chapéu, óculos escuros e Havaianas (que fazem sucesso por lá). Mas também uma malha para o fim de tarde, sandália de salto alto e mocassim para circular como o jet set

O indispensável

Muita gente não fala inglês. Por isso, leve um guia com frases em italiano

 

* O QUE TRAZER

Artesanato

As peças de cerâmica, bem coloridas, valem o peso. Há também marionetes de cavaleiros e Pinóquio. Em Sorrento, caixinhas de música; em Capri, sandálias sob medida

Lembranças líquidas

Os licores limoncello e mirto, e vinho Lacrima Christi

 

 

* A REPÓRTER VIAJOU COM O APOIO DA ROYAL CARIBBEAN

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