Guarde fôlego para as travessias

A pé ou de mountain bike, desbrave as paisagens distintas - e encantadoras - do Derborence e do Pfyn-Finges

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2009 | 01h41

O turista acostumado com a exuberância das florestas tropicais pode até estranhar a delicadeza das matas temperadas. Mas esse cenário aparentemente frágil esconde muitas opções de aventura e uma grande diversidade de fauna e flora. Nos 17 quilômetros quadrados do Pfyn-Finges, o maior parque natural da região, há nada menos que 1.150 espécies de plantas e animais. Algumas tidas como verdadeiras raridades.

As trilhas do parque não são nada fáceis, é bom que fique claro - você pode encarar os percursos fazendo trekking ou numa mountain bike (meio dia de aluguel custa 25 francos suíços ou R$ 42). Até a turma do triatlo tem um circuito próprio: braçadas no Lago Géronde, travessia de bicicleta em direção à cidadezinha de Loèche-les-bains, famosa pelas águas termais, e corrida até Gemmi.

 

De uma forma ou de outra, você notará que a paisagem por lá muda rapidamente. As florestas de pinheiros vão sendo substituídas por matas de carvalhos e salgueiros até chegar aos pântanos alagados. O Pfyn-Finges é um tipo de "maternidade" de pássaros. Das 185 espécies de aves que cortam o céu da região de Valais, 125 usam o parque para fazer seus ninhos.

Numa das muitas trilhas guiadas pelos monitores (reserve com antecedência), é possível observar pica-paus e outros pássaros com seus filhotes, além de castores, sapos e rãs das mais estranhas. Detalhe: foram registradas nada menos que 26 espécies de libélulas. As flores, por sua vez, têm formatos diferentes. A branca de pétalas espetadas, a roxa que lembra um sino, a amarela parecida com um sapatinho de bebê...

 

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SELVAGEM

O Vale do Derborence abriga outro famoso parque natural de Valais. Para chegar lá você percorre uma estrada selvagem e sinuosa, cheia de túneis, um aperitivo da paisagem que vai encontrar mais à frente. A área de preservação inclui florestas densas, um lago natural e gigantescos picos rochosos, além de várias lendas. São histórias ligadas a desastres naturais que ocorreram na região e fazem do vale um lugar místico.

A caminhada pelos 150 hectares do parque é dura, marcada por fortes subidas e descidas. Isso para os turistas. Trekkers profissionais podem percorrer rotas que duram até cinco dias - caso da Diablerets, com percursos devidamente delimitados no site do parque (www.derborence.ch).

Além do visual dominado pelas formações rochosas, você vai encontrar o mais novo lago natural da Europa, resultado de grandes movimentos do solo da região. As orquídeas também estão entre as vedetes da área de preservação, que nesta época do ano ganha um lindo tom de outono, entre o dourado e o vermelho. No parque vivem desde as salamandras negras, com cerca de 15 centímetros, a linces espevitados. Passando por raposas e cervos.

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