Ricardo Freire/Estadão
Ricardo Freire/Estadão

Hakone

Desventuras em série para ver Fuji-San

O Estado de S.Paulo

16 Maio 2017 | 04h30

Parecia uma boa ideia. Trem, teleférico e barco, tudo junto por 4.250 ienes (US$ 42) com o Hakone Freepass para um bate-volta até Hakone, a 2h20 de Tóquio. Sabendo que a viagem seria longa, chegamos por volta das 7 da manhã na estação central de Tóquio – esperávamos que por volta das 10 horas já estivéssemos na cidade, conhecida por suas águas termais e por oferecer belas vistas do Monte Fuji.

Meu amigo tinha o Japan Rail Pass, que permitia o trajeto até Odawara em um trem mais rápido (seria 1h45 de percurso), mas eu não. Como a diferença tarifária para mim era grande – 4.050 ienes (US$ 40) no trem rápido contra os 1.360 ienes (US$ 13) no comum –, concordamos em viajar na segunda opção, usado por quem trabalha e estuda em Tóquio e com muito mais paradas.

Escolhemos a data para ir a Hakone baseados na previsão do tempo, que andava chuvoso e fechado nos últimos dias. Queríamos um dia claro, para que a montanha-símbolo do Japão não tivesse mais desculpas para se esconder de nós. Esquecemos, no entanto, que se tratava de um sábado, e aparentemente o Japão inteiro teve a mesma ideia.

Quando descemos na estação de Odawara e vimos o tamanho da fila para embarcar no bondinho, pensamos que chegaríamos um pouco mais tarde em Hakone, mas não imaginávamos o calvário que seria dali para frente, com filas intermináveis a cada parada e vagões tão lotados quanto a estação da Sé às seis da tarde.

Mesmo num dia calmo, o fato é que não há necessidade de pegar o trenzinho, que cruza as montanhas e exibe uma bela paisagem (desde que não haja uma porção de cabeças espremidas à sua frente) e tem uma das paradas próxima ao Hakone Open Air Museum (entrada 1.600 ienes ou US$ 16), com esculturas ao ar livre, como o mineiro Inhotim. Se tivesse mais tempo, teria descido ali para descansar e apreciar as 120 obras do jardim, além de outras coleções – há mais de 300 só de Picasso. 

O teleférico, reaberto recentemente, também é dispensável. É até interessante ver as minas de enxofre de Owakudani, mas não emociona – nessa parada, as barraquinhas vendem ovos cozidos no vapor vulcânico (tem gosto defumado e não é nenhuma iguaria).

Em vez de passar por isso, pegue o ônibus em frente à estação de Odawara e vá direto para a cidade, a meia hora dali. Se for o caso, contrate o tour de barco (1.840 ienes, US$ 18) pelo Lago Ashinoko à parte, que tem uma das paradas no templo Hakone-jin ja (mas você pode ir andando). Passeie entre as ruas ou até cacife um day-use nos onsen (pousada com termas) para relaxar nas águas termais. 

Chegamos finalmente ao barco, a última parte da epopeia, por volta das 15 horas, quando o sol começava a baixar. É um passeio bem turístico, com decoração à la Piratas do Caribe, mas o cenário é belo. O Monte Fuji parece ter ficado com pena de nossas desventuras e surgiu exuberante, para nossa alegria (e das câmeras).

Finalmente, estávamos felizes e relaxados, embora famintos e cansados. Foi triste chegar ao outro lado da margem e constatar tudo o que havíamos perdido de ver com o dia claro. Mas era preciso se apressar: tínhamos de voltar a Tóquio e as filas eram imensas...

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