Mariana Veiga
Mariana Veiga

De carro, fomos da África do Sul à Namíbia em clima de 'hakuna matata'

Com planejamento e organização, não haverá problemas, como diz o ditado local. O roteiro é seguro (viajamos com uma criança de 3 anos) e as paisagens, inesquecíveis

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2017 | 04h50

Para quem ainda não conhecia nada do continente africano, foi um mergulho e tanto. Exatamente 3.672 quilômetros dirigidos, a maior parte deles em estradas de terra e pedra – onde muitas vezes ficava até difícil entender o que era estrada e o que era deserto. Difícil resumir em palavras a jornada de Cidade do Cabo, no sul da África do Sul, até Windhoek, a capital da Namíbia. Um roteiro onde coube de tudo: vinhos e boa gastronomia, cânions espetaculares, banho de rio (gelado e límpido), dunas gigantescas, praia (também gelada) e bichos, muitos bichos.

Os preparativos começaram três meses antes, quando fomos criando o itinerário e esbarrando nas preocupações naturais para um périplo deste porte. É seguro? Sim. Por tudo o que pesquisei antes, tudo o que ouvi de outras pessoas e, principalmente, pelo que senti nos 20 dias de estrada, posso dizer que não houve ameaça alguma durante o trajeto – a despeito do imaginário comum, uma vez que atravessamos trechos extremamente pobres e subdesenvolvidos. 

Em momento algum nos sentimos ameaçados, dentro ou fora do carro, mesmo visivelmente com jeitão de turistas e, de quebra, com uma criança de 3 anos e meio a bordo. A dica de segurança básica, na verdade, é: não dirija à noite. Por causa de violência? Criminalidade? Não, não. É porque, à noite, fica mais difícil enxergar os bichos que cruzam a pista – risco iminente de acidentes, portanto.

Uma outra recomendação importante: não faça como fizemos – planeje todas as paradas com pelo menos seis meses de antecedência. Isto porque, sobretudo nas regiões mais turísticas, como Sossusvlei e o Parque Etosha, a oferta de hotéis é muito menor do que a demanda. Não conseguimos hospedagem nos melhores lugares, nesses casos, e tivemos ainda de enfrentar uma hora de estrada do hotel onde estávamos até as atrações.

Em termos de dirigibilidade, dá para dividir a rota em duas partes: a África do Sul com estradas muito boas; e a Namíbia, onde quase não há asfalto. Em ambos os cenários, prepare-se para rodar por horas e horas (não é força de expressão!) sem cruzar com carro algum. 

 

Foi esta a primeira vez em que contratamos pacote de dados para celular fora do País – mesmo gostando de ficar mais desconectados nas férias. Isto porque o Google Maps foi, com o perdão do trocadilho infame, uma mão na roda em todo o caminho. O esqueminha era simples: quando havia sinal de internet, traçávamos a rota – e o sistema tratava de compensar as falhas de conexão graças ao GPS do celular. Claro que todo cuidado era pouco, então também levamos cópias impressas dos trajetos. Apesar disto, nos perdemos por duas vezes – nada grave, coisa de 40 minutos em cada uma até percebermos e voltarmos à estrada.

Pergunta no posto? Mas se são horas e horas a fio sem cruzar com viva alma, o leitor mais atento deve estar se perguntando sobre os postos de gasolina. Sim, são extremamente raros. Então aqui fica outra dica esperta: ao cruzar com um, encha o tanque, ainda que o mesmo não esteja nem na metade. O mesmo vale para os “tanques biológicos”: tenha a bordo comidinhas e água, muita água.

Vale destacar que, por mais rudimentares que sejam as estradas, todas contam com pontos para piquenique demarcados, mais ou menos a cada 10 quilômetros. As estruturas variam, de simples bancos com mesinhas de concreto a quiosques mais caprichados. Um convite ao respiro e às necessárias esticadas nas pernas.

Outra recomendação: nas estradas de terra é importante abaixar a pressão dos pneus. Tanto os postos de gasolina quanto os hotéis têm funcionários prontos para orientá-lo sobre a calibragem adequada para o seu veículo – e ajudá-lo a deixar tinindo. Faz toda a diferença no chacoalho e, importante, reduz o risco de estourar algum pneu (conseguimos completar a viagem sem furar nenhum!).

Sobre as paradas, a escolha não foi aleatória. Pesquisamos sobre as principais atrações turísticas e estabelecemos desvios na rota padrão com o objetivo de visitá-las. Era importante que nenhum trecho tivesse mais do que 500 quilômetros – a ideia era jamais passar a noite na estrada. Sempre começamos a jornada bem cedinho, logo após o café da manhã.

Aí foi só botar o pé na estrada e, como dizem por lá – e também em O Rei Leão –, hakuna matata! Ou seja: esqueça os seus problemas.

A ESTRADA EM NÚMEROS

3.672 quilômetros percorridos

20 dias de viagem

309 litros de gasolina

8 hotéis utilizados no percurso

Encontrou algum erro? Entre em contato

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2017 | 04h30

Principal destino turístico sul-africano, a cidade já é bem manjada dos brasileiros. Ficamos ali seis dias – ainda sem carro alugado – e fizemos tudo o que é obrigatório. Os dois primeiros dias foram dedicados a conhecer vinícolas de cidades vizinhas, como a Neethlingshof Wine Estate, a The House of JC le Roux e a Die Bergkelder: The Home of Fleur Du Cap Wines, em Stellenbosch; a Nederburg Wine Farm, em Paarl; e a Durbanville Hills Winery, em Durbanville. 

Também experimentamos um passeio pela Table Mountain a bordo de um jipe equipado para um piquenique com vinhos. Trata-se do Table Mountain Wine Safari ( bit.ly/cabosafari), um projeto do guia Henri Bruce. Nosso tour durou uma tarde (500 rands por pessoa ou R$ 117). Se preferir se manter apenas no clássico, o passeio de bondinho para a Table Mountain ( tablemountain.net) custa a partir de 275 rand (R$ 64) para adultos.  No dia seguinte, nos emocionamos na Ilha Robben ( robben-island.org.za), onde Nelson Mandela (1918-2013) e seus companheiros de luta contra o apartheid ficaram encarcerados por mais de 20 anos. Conduzem o passeio pelo antigo complexo penitenciário ex-detentos que cumpriram pena ali. O tour – barco até a ilha e ônibus dentro dela – custa 340 rands (R$ 79). 

Inevitavelmente, brasileiros ali ficam com vontade de “dobrar o Cabo da Boa Esperança”, ainda que seja para relembrar dos velhos livros de História da escola. O jeito mais fácil de chegar é com os ônibus turísticos da empresa City Sightseeing (os famosos hop on/hop off; citysightseeing.co.za). O roteiro inclui uma parada na praia de Boulders, onde está a aclamada colônia de pinguins. Custa 550 rands (R$ 128) por adulto.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2017 | 04h30

Saindo da Cidade do Cabo, apenas 262 quilômetros por estrada asfaltada nos separavam da primeira parada. Lambert’s Bay é uma pequena vila pesqueira, do município de Cederberg, conhecida por praias límpidas – e, portanto, que costuma atrair muita gente no verão. Como estávamos em pleno inverno, a praia só serviu mesmo para uma caminhada na areia. Entretanto, ali tivemos uma das descobertas gastronômicas mais incríveis da viagem.

O restaurante Muisbosskerm ( muisbosskerm.co.za) se autoproclama o “primeiro ao ar livre de toda a África”. Obedeça ao proprietário e chegue às 18h para o jantar – o pôr do sol é um aperitivo ao espetáculo alimentar. Não há como não passar pelo menos quatro horas comendo em volta da fogueira-churrasqueira que fica no centro do estabelecimento à beira-mar. São levas e levas de peixes (frescos, pescados no dia), complementados por pratos de carne de porco (inclusive eisbein, já que os proprietários são de ascendência alemã), frango, boi e carneiro. Tudo ao estilo braai, o churrasco típico africano, com lenha em vez de carvão. O menu custa 185 rands (R$ 43) por pessoa – reservas são altamente recomendadas. 

Ainda na região de Cederberg, repare nas curiosas paisagens. Formações de arenito esculpidas pelo vento em formas bizarras, montanhas escarpadas e vales verdes tornam o visual incrível.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2017 | 04h30

Às margens do Orange River, marco geográfico que configura a fronteira entre a África do Sul e a Namíbia, fica o povoado onde se localizava nosso hotel seguinte. Foram 482 quilômetros de estrada – boa, asfaltada –, com algumas paradas pelo caminho. Aos poucos, a paisagem começava a ficar mais árida.

Era inverno, mas se você fizer esta viagem na primavera, considere parar em Springbok, a 360 quilômetros de Lambert’s Bay. Ali ocorre um dos mais coloridos e exuberantes espetáculos da natureza. As poucas gotas de chuva que caem entre agosto e setembro transformam a aridez num tapete de flores. Considerada a mais rica flora bulbífera do mundo, a região conta com 3.500 espécies de plantas – das quais 1 mil só podem ser encontradas ali.

Nosso hotel era um simples lodge de onde víamos o Orange River e, do outro lado, a Namíbia que seria desbravada no restante da viagem. Para comemorar a etapa vencida, nada como encerrar o dia com um braai feito por nós mesmos (o hotel, como é praxe por lá, vendia insumos para o churrasco e tinha espaço para o preparo) – acompanhado por um bom vinho sul-africano, é claro.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2017 | 04h30

Foi com uma interrogação que começamos a jornada seguinte. O Google nos dava três opções de trajeto até a próxima parada: dois mais longos, com 410 e 483 quilômetros de distância e estrada asfaltada até pertinho do destino; e um mais curto, de 333 quilômetros, cruzando o Parque Richtersveld e com promessa de uma rústica estrada de areia e pedra, muita pedra. Nosso carro não era um 4X4, e sim uma valente SUV Toyota RAV 4. Antes de iniciar as férias, a promessa que fizemos para nós mesmos era tentar sempre privilegiar as rotas mais bem estruturadas, mas...

Mas e a paisagem do tal parque? Viajar, afinal, não era desbravar lugares incríveis? Decidimos trocar uma ideia com o proprietário do lodge. Mapa na mesa, ele foi incisivo. “Podem ir sem medo, vários turistas com carros simples encararam essa rota, sem problemas”, encorajou.

Fomos. Realmente foi incrível dirigir por trechos de estrada que quase sumiam em meio à seca e pedregosa paisagem, muitas vezes com um desfiladeiro de um lado e um penhasco do outro – apenas a largura do carro, sorte que nunca encontrávamos ninguém pelo caminho. Ao longo do percurso, eram muitos os sinais de rios intermitentes, todos secos, cruzando a estrada. No final da rota, um com água e a dúvida: conseguimos passar ou vamos ficar atolados até amanhã? Não tínhamos escolha: fomos.

Eram 333 quilômetros, repito. Para vencê-los, gastamos 11 horas. E por aí dá para se ter uma ideia da precariedade da estrada. Enfim, chegamos ao hotel que foi o ponto alto de toda a viagem: o Fish River Lodge (leia na página 9), com seus 20 chalés distribuídos na borda do Fish River Canyon.

OK, mas não bastava acordar, abrir a sacada e dar de frente para o cânion. Era preciso conhecê-lo por dentro. Senti-lo. Mergulhar no Fish River. Então, cedinho do dia seguinte, foi a vez de um tour de jipe com um dos guias do hotel. No caminho, começamos a avistar bichos – ainda poucos, aqueles que conseguiam se adaptar à aridez da região. Avestruzes, antílopes... Na flora, destacava-se a peculiar árvore quiver, uma parente da babosa, autóctone da região.

O cânion impressiona pelo gigantismo. São 160 quilômetros de comprimento e, no trecho maior, 27 quilômetros de largura. Na parte mais funda, 550 metros de profundidade. O almoço foi um piquenique às margens do rio. Depois veio o mergulho, gelado, mas necessário. O dia seguinte seria de estrada, mais uma vez.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2017 | 04h30

Quatrocentros e quarenta e um quilômetros – ou mais um dia inteiro de estrada, no padrão namibiano – nos separavam do próximo hotel, parada de onde conheceríamos as famosas dunas de Sesriem e Sossusvlei.

Organize-se para estar no parque logo de manhãzinha. O espetáculo alaranjado fica mais bonito quando se acompanha a graduação do sol batendo na areia, cada vez mais forte, cada vez mais gritante. São 32 mil quilômetros quadrados de um mar de areia, dunas que chegam a 325 metros de altura – uma paisagem em constante mutação, ao sabor do vento. Milhares de pessoas caminhando pelas dunas dão, de longe, a impressão de um estranho formigueiro feito de areias cintilantes. De perto, vem a vontade de se juntar a elas – mesmo sendo hercúleo o esforço para escalar tais montanhas, sob o sol e em meio ao ar seco.

O interior do parque tem uma rota de 65 quilômetros que podem ser vencidos com carros comuns (como o nosso) e um trecho final, de 4 quilômetros, onde só passam 4x4 – que termina no salar de Sossusvlei propriamente dito.

Animais adaptados a esse inóspito clima, como avestruzes e antílopes, podem ser vistos no trajeto. À esquerda da entrada do parque há um cânion bastante acessível. Vale a caminhada.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2017 | 04h30

Swakopmund tem apenas 42 mil habitantes, é a segunda mais populosa cidade da Namíbia e parece um pedacinho da Alemanha. Litorânea. Fundada em 1892 como porto do então Sudoeste Africano Alemão, acabou preservando arquitetura e tradição germânicas.

O idioma de Goethe, aliás, está presente nas placas, nos cardápios e nos diálogos de muitos dos habitantes.

 Foram 370 quilômetros de estrada para chegarmos até lá (os últimos 40, com asfalto). 

No meio do caminho, o almoço foi na pequena e peculiar Solitaire – um conjunto de posto de gasolina, pousada e lanchonete ladeado por um inusitado cemitério de automóveis velhos no meio da areia.

Depois de tantos dias em meio árido, a brisa marítima de Swakopmund foi um refresco para olhos e narinas ressecados. Também foi bom retornar a ambiente urbano estruturado – a organizada cidade é um alívio para a cabeça. Além de oferecer movimentados bares e restaurantes, o balneário tem como atrações principais um museu municipal que vale a visita e um aquário – para a alegria da criançada.

Curiosidade aleatória: em 2006, foi nesta cidade que nasceu Shiloh Nouvel Jolie-Pitt, filha dos atores Angelina Jolie e Brad Pitt.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2017 | 04h30

Na estrada, as placas de sinalização já davam mostras da mudança da paisagem. Para ilustrar a possibilidade de animais cruzando a pista, os ícones se intercalavam: silhueta ora de elefante, ora de leão, ora de javali-africano (o famoso Pumba, de O Rei Leão). Às margens da pista, avistávamos grupos de babuínos e muitos javalis.

Depois de 435 quilômetros – porque, mais uma vez, não escolhemos a rota mais curta, mas preferimos passar pelo meio do Parque Dorob –, chegaríamos a Outjo, cidadezinha a 1 hora de uma das entradas do enorme Parque Nacional Etosha ( etoshanationalpark.org), considerado um dos melhores lugares do mundo para a observação de vida selvagem.

O local, no norte da Namíbia, é conhecido como um oásis para bichos desde a metade do século 19. Tornou-se célebre a frase dos primeiros desbravadores da região, que diziam que “nem se fossem abertas todas as jaulas do mundo ao mesmo tempo teriam visto o tanto de animais que viram ali de uma só vez”.

 

Trata-se de uma imensa planície salina, Etosha Pan – que por alguns dias do ano se torna lago –, rodeada por espelhos d’água naturais e artificiais. Ou seja: um grande chamariz a animais de todos os tipos (e tamanhos). Quando se tornou reserva ecológica, no início dos anos 1900, o parque compreendia 100 mil quilômetros quadrados. Hoje são 20 mil. Ali vivem 114 espécies de mamíferos, 340 de aves e 16 de répteis e anfíbios.

Se não conseguir se hospedar em acampamento ou chalé dentro do parque, o ideal é madrugar para estar em uma das portarias bem cedinho. Os portões abrem assim que o sol nasce (a entrada custa cerca de R$ 18 por adulto, mais R$ 3 pelo veículo; crianças não pagam). E aí é preciso correr para um dos espelhos d’água – mapas são vendidos em uma lojinha em Okaukuejo, o centro administrativo da reserva –, onde é mais provável que haja bichos ao redor.

 

Depois é rodar, rodar e rodar. Contar um pouco com a sorte. Com o imprevisível. Em dois dias de expedição parque adentro, avistamos uma família de leões tomando sol, girafas sozinhas e em grupo, antílopes de vários tipos por todos os lados, avestruzes, hienas, zebras cruzando a pista e correndo pela savana, uma manada de uns 30 elefantes adultos e filhotes se refrescando n’água e diversos outros animais.

A dica é passear pelo parque por pelo menos dois dias: no primeiro, para aprender os caminhos e ganhar uma certa segurança nos trajetos e organização do tempo (os portões se fecham ao pôr do sol); no segundo, com prática, é hora de realmente ver os bichos – e abusar das fotos.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

8. Windhoek: Carne de caça na despedida

Capital da Namíbia pode não ter muitos atrativos turísticos, mas espetinhos de zebra, antílope e crocodilo tomando um chope foi uma boa maneira de encerrar a expedição

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2017 | 04h30

Com 230 mil habitantes, a capital da Namíbia não tem lá muitos atrativos turísticos. Depois de vencidos os 317 quilômetros finais de estrada, portanto, o mais legal foi encerrar a expedição tomando um chope na Joe’s Beerhouse (joesbeerhouse.com) – devidamente acompanhado por espetinhos com carne de caça: zebra, antílope, crocodilo... O prato custa cerca de R$ 30.

No centro da cidade, praticamente um símbolo não oficial de Windhoek é a Christuskirche, igreja luterana alemã cercada por ruas de trânsito pesado. Sua arquitetura é incomum: foi erguida em 1907 com arenito local. A obra do arquiteto Gottlieb Redecker (1871-1945) mescla os estilos neogótico e art nouveau e, para muitos, lembra a comestível casa da bruxa de João e Maria.

No entorno da igreja estão o Tintenpalast, o edifício do parlamento namibiano, e o Museu Nacional da Namíbia. O primeiro recebeu este nome, “Palácio da Tinta”, em homenagem ao tanto de tinta gasta com a burocracia das papeladas oficiais. Seus belos jardins têm, à frente, o primeiro monumento pós-independência da Namíbia, uma estatua do líder popular Hosea Kutako.

No Museu Nacional, há painéis que retratam em detalhes como foi o processo de independência da Namíbia e um interessante acervo de arte em pedra. Do lado de fora, um imponente monumento chamado de Reiterdenkmal, ou Memorial do Cavaleiro, homenageia os soldados mortos durante as guerras do país.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2017 | 04h30

A dica veio de uma amiga que também adora viajar – mas não tem filhos. Achamos que era uma boa e, Chico, 3 anos e meio, carregou uma velha camerazinha na mão durante toda a viagem (alternando com um par de binóculos de brinquedo).

Foi uma brincadeira interessante. Ele se envolveu o tempo todo, seja encantado com os bichos, seja pedindo para repetir a música Hakuna Matata no som do carro. Fazia perguntas. Brindava com suco a cada degustação de vinho. Deslumbrava-se com as paisagens e impressionava-se com os museus.

Chico fotografou as coisas a seu modo. Depois de escorregar em uma duna, em Sossusvlei, quis registrar a imagem formada por seu bumbum na areia. Aparentemente, achou mais interessante o cocô do elefante do que o próprio elefante. Ficou feliz em reconhecer, na vida real, muitos dos animais de uma fauna tão distante da brasileira, mas tão perto do imaginário infantil por conta dos desenhos animados. Aguentou bem as horas intermináveis na cadeirinha do carro, quase sempre acordado e espiando o mundo pela janela.

Com 16 países de 4 continentes na bagagem, Chico se acostumou a viver na saudável expectativa pela próxima viagem. Vai fotografar de novo. Porque o mundo é isso mesmo – grande para a vida, mas pequeno para os sonhos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2017 | 04h30

1 - Combustível

Não há muitos postos de combustível pelo caminho, então abasteça sempre que puder. Leve água, comida e espírito de aventura – sem postos, sem banheiro,

2 - Reveze a direção 

Dirigir na estrada de terra cansa: trocávamos a posição de motorista a cada 2h30. Saia sempre bem cedo – dirigir à noite não é recomendado por causa dos animais.

3 - Não conte com internet

Mesmo comprando chip local, em boa parte das áreas não há sinal. Baixamos os mapas quando havia conexão e levamos cópias impressas. Se quiser ouvir música, prepare-se para o off-line. 

4 - Planeje as paradas 

Reserve os hotéis com antecedência (os mais bem localizados ficam lotados rapidamente) e planeje as paradas. Nosso limite máximo foi de 500 km por dia. Lembre-se: o objetivo é curtir a viagem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2017 | 04h30

Fish River Lodge

É difícil de chegar. É caro (diárias a cerca de R$ 800 o casal). Mas vale muito a pena. São 20 chalés localizados exatamente na borda do gigantesco cânion. E um atendimento de primeira: do aconchegante quarto às deliciosas refeições (é pensão completa). Em termos de hotelaria, foi o ponto alto da viagem. Site: fishriverlodge-namibia.com.

Frontier River Resort 

O quarto é uma espaçosa barraca de lona (foto)– com banheiro. A sensação é de simbiose com a natureza, às margens do Rio Orange. Dorme-se na África do Sul, com vista para a Namíbia. De quebra, tem estrutura para o braai, churrasco típico africano. Você pode comprar os insumos no supermercado ou na própria lojinha anexa à recepção. Diárias a R$ 211; frr.co.za.

Bon Hotel Swakopmund

Ainda tenho dúvidas se gostei tanto deste hotel porque ele realmente era bom ou se foi pelo contraste de estar em uma acomodação urbana depois de tantos dias em lodges no meio do mato. O quarto era espaçoso e a banheira de hidromassagem deu um toque de relax. Diária a partir de R$ 414; bonhotels. com/swakopmund.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2017 | 04h30

Como ir: compre a passagem com a opção de “múltiplos destinos” pela internet ou com ajuda de seu agente. Voe para a Cidade do Cabo e, na volta, embarque direto de Windhoek. Ambos os voos terão conexões. Com a South African (flysaa.com), a passagem com saída e chegada em São Paulo custa a partir de R$ 3.417,15; na Ethiopian (ethiopianairlines.com), o roteiro custa a partir de  US$ 876,70 (cerca de R$ 2.776).

 

Aluguel de carro: para os 14 dias em que ficou com o carro alugado, o repórter pagou R$ 3.630,62 – desse total, cerca de R$ 1.500 foi referente à taxa de devolução por causa da distância entre a cidade da entrega (Windhoek) e do ponto de origem (Cidade do Cabo). Por outro lado, ele não precisou gastar com o seguro do veículo, já que seu cartão de crédito oferecia o benefício gratuitamente. Nesse caso, entretanto, é preciso reservar o carro com antecedência e gerar uma apólice no site do cartão usando o número de reserva. (vale lembrar que alguns cartões também oferecem o seguro-viagem). Caso você não tenha o benefício, contrate na própria locadora: viajar por essas estradas sem seguro, nem pensar. 

 

Sites: namibiatourism.com.na; southafrica.net

FIQUE ESPERTO

 Você sabe trocar pneu? Relatos de furos e estouros são comuns durante o trajeto, por conta das estradas pedregulhosas. No meio do nada, não vai ter borracheiro nem seguradora para dar uma ajuda. Tem de se virar! 

A Namíbia é o país subsaariano com menores índices pluviométricos – e esta aridez é percebida sobretudo na região sul, hiperárida. Ou seja: durante a viagem, garrafinhas d’água são suas melhores amigas; não descuide da hidratação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.