Andrew Testa/The New York Times
Andrew Testa/The New York Times

Harry Potter: a magia dos bastidores

Nos estúdios da Warner Bros., praticamente tudo existe na 'vida real': os objetos que se mexem sozinhos, as escadas que se movem...

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2017 | 04h30

Está escuro. Tudo que se vê é uma grande tela de cinema que acabara de ser desligada. Minutos antes, os rostos de Harry Potter, Rony Weasley e Hermione Granger davam as boas-vindas ao estúdio da Warner Bros. em Leavesden, a 1 hora de Londres, onde foram gravadas boa parte das cenas dos oito filmes da série baseados nos livros de J.K. Rowling. A tela sobe e uma grande porta, cheia de detalhes, se destaca. Uma funcionária incentiva as crianças a saírem de suas cadeiras e tocar no objeto mágico. “Estão preparados?”, ela pergunta, enquanto os olhos de meninos e meninas brilham. “Então podem empurrar.” Em um instante, o que parecia ser uma sala de cinema se transforma no Saguão de Entrada de Hogwarts. É “uau” para tudo quanto é lado – e não só das crianças. À frente estão as mesas gigantes (nos filmes elas parecem maiores, é verdade), as cadeiras, os pratos, os talheres e as estátuas de aves que iluminam a sala com uma chama viva (de mentira, claro). Os figurinos dos professores da escola de bruxaria e do diretor Alvo Dumbledore estão logo no começo do corredor, em manequins. É só o começo.

Não só de efeitos especiais viveu a franquia. Praticamente tudo existe na “vida real”: os objetos que se mexem sozinhos, as escadas que se movem (mas só há uma, e não várias), as máscaras dos inúmeros monstros a dar as caras na série. Uma agradável surpresa, por exemplo, é descobrir que um monumento colossal que aparece na obra – Magia é Poder, localizado no Ministério da Magia –, foi construído e em tamanho real. É quase uma Fontana di Trevi do mundo bruxo. 

A quantidade de informações visuais é tanta que faz cambalear o mais estável dos fãs da saga. Você dá alguns passos e se depara com uma parede imensa com todos os decretos de Dolores Umbridge enquanto inquisidora do castelo, assim como em cena de A Ordem da Fênix. À direita está o espelho de Ojesed, que, na série, mostra em seu reflexo o desejo mais profundo daquele que o observa. Bem, a não ser que estar ali seja o tal desejo, o produto deve estar quebrado. Mas renderá uma ótima selfie.

É difícil até escolher aonde olhar: trata-se de um universo tão grande que cada item remete a um capítulo de algum livro, uma história, uma cena. O Troféu Tribuxo está ao seu dispor, assim como o Cálice de Fogo. E em tamanhos reais. 

Dê atenção aos muitos cenários completos que podem ser visitados: a sala de Dumbledore, a casa na Rua dos Alfeneiros, o Nôitibus e até plataforma de trem que leva ao castelo. O mais importante deles, no fim do roteiro, é uma maquete do Castelo de Hogwarts, produzida por dezenas de artistas. É ele que aparece nas filmagens aéreas. 

 

Hora de gastar. O fim do passeio traz uma surpresa e, ao mesmo tempo, um perigo: a megaloja de produtos oficias da franquia. Há doces, como os sapos de chocolate e feijões de todos os sabores (e são muitos sabores mesmo, inclusive os de gosto horrível), bonecos dos personagens, estátuas, roupas e varinhas. Bichos de pelúcia se vê aos montes: da aranha Aragogue ao cão de três cabeças Fofo. O problema, assim como tudo na Grã-Bretanha, está nos preços. Difícil encontrar algum por menos de R$ 60. Não deixe de ver as Relíquias da Morte, idênticas às do filme.

Para as crianças, há mais opções de entretenimento. É possível, por exemplo, participar de uma aula de feitiços ou aprender a fazer uma vassoura levitar. O ponto alto da diversão é subir em uma vassoura e, com apoio de um software 3D, voar pelas ruas de Londres. Mas o preço para adquirir o arquivo pode ultrapassar £ 40 (R$ 155). 

Outros passeios. O universo de Harry Potter não se restringe ao estúdio. Há passeios guiados pelas ruas de Londres, e muitos pontos citados nos livros de J.K. Rowling podem ser visitados por conta própria. Mas um guia ajuda a revelar curiosidades – o Harry Potter Walking Tour ( bit.ly/potterwalk; £ 12 ou R$ 46) leva a cenários como a locação do Banco de Gringotes e do Beco Diagonal. Na estação de trem King’s Cross há uma loja com produtos do mundo bruxo e a reprodução da plataforma 9 ¾, onde turistas fazem fila para tirar foto cruzando a parede com seu carrinho de bagagens, com gaiola para coruja e tudo.

 

DICAS

Sobre o tour: o ingresso adulto custa £ 37 (R$ 142); compre em wbstudiotour.co.uk. É possível reservar o tíquete já com o ônibus incluído a partir de Londres (£ 69 ou R$ 266); veja outras formas de chegar no site. São cerca de 3 horas de passeio – não deixe de provar a cerveja amanteigada (na verdade, um refrigerante) no meio do trajeto.

Novidade: a área da Floresta Proibida acaba de ser inaugurada – encontre a aranha Aragogue, o Hipogrifo e outras criaturas fantásticas por lá. 

Peça: a peça Harry Potter and The Cursed Child, baseada no último livro da série, está em cartaz no Palace Theatre. Ingressos a partir de £ 42,50 (R$ 165); harrypottertheplay.com.

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