Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

Histórias e gulodices em um passeio pelo mercadão local

Não há dúvidas de que a gastronomia é um aspecto importante de Melbourne. E o melhor lugar para saber mais sobre o que você verá (ou melhor, devorará) nos restaurantes da cidade é o Queen Victoria Market (qvm.com.au), orgulho local de 130 anos. Há áreas específicas, de acordo com seu interesse: comidas e frutas frescas, orgânicos, delicatessen e penduricalhos, espalhados em um espaço de 7 hectares.

MELBOURNE , O Estado de S.Paulo

05 Março 2013 | 02h33

Me inscrevi, sem grandes expectativas, no Foodies Dream Tour, programa que prometia degustações e histórias do principal mercado da cidade. E saí achando que fiz um excelente negócio.

Não se trata de uma pechincha - o passeio, de duas horas, custa AUD 40 (R$ 81). E preciso confessar que os primeiros dez minutos foram um pouco entediantes para uma pessoa que pouco cozinha como eu. Nas barracas repletas de vieiras, ostras e peixes frescos, carnes com cortes superespecíficos para pratos superespecíficos, bocejei discretamente, imaginando um plano de fuga daquilo que parecia ser a grande roubada da viagem. Ou, pelo menos, um tour voltado a gente muito especializada no assunto.

Mas daí a guia Dianne começou a pincelar curiosidades (você sabia que os chefs preferem trabalhar com carne de porca porque cozinha mais rápido que a do macho?), mostrar como famílias inteiras trabalham em uma mesma barraca e - oba! - apareceram as primeiras degustações.

No Chicken Pantry, por exemplo, comemos canguru. Eu já havia provado antes, sem que tivesse tido vontade de repetir. A carne ali, contudo, era macia e de sabor pronunciado. Acabou tão rápido que nem deu tempo de repetir. Provamos antepastos na Hellenic Deli, queijos e terrines na The French Shop, pães, raviólis, vinhos. E para quem pensa que para conseguir uma prova nas barracas basta um sorrisinho, engana-se. A maior parte só oferece para tours fechados.

Gulodices à parte (você não vai nem precisar almoçar depois), a experiência é interessante para conhecer sabores que, muito provavelmente, você não descobriria por conta própria - no meu grupo, veja só, havia uma família de Melbourne, interessada em destrinchar o mercadão. Depois, é só voltar para comprar seus favoritos.

Dos deuses. À noite, tive uma experiência gastronômica bem mais formal (mas absurdamente deliciosa) no The Press Club (thepressclub.com.au), que define seu cardápio como "greco-moderno". O empreendimento, montado por quatro importantes chefs australianos (entre eles, o midiático George Calombaris), se mostrou irrepreensível.

De entrada, o atum selado com wasabi (AUD 32,90 ou R$ 66) e sagu era tão saboroso quanto bonito, assim como o carneiro com alcachofras (AUD 52 ou R$ 105) do prato principal. Já a sobremesa (AUD 32 ou R$ 64) me ganhou pela descrição no cardápio: "Sokolata - Zeus e suas oito ninfas com chocolates originais de Michel Cluizel". Zeus corresponde a um único chocolate com folhas de ouro, que chega soberano em uma caixa de presentes. As oito ninfas são preparados diferentes para o doce: mousse, sorvete, bolo... Coisa dos deuses.

Este mês, contudo, o restaurante deve passar por uma reformulação total, tanto no cardápio como no ambiente. A expectativa é que ele seja reaberto em maio. E de que, por favor, não tirem Zeus do menu. /A.M.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.