Viagem

O que fazer e onde se hospedar nas Ilhas Cayman, paraíso muito além do fiscal

Entre Cuba e a Jamaica, a 1h20 de Miami, arquipélago oferece águas cristalinas, hotéis de luxo, lojas de grife e boa gastronomia

21/02/2017 | 05h00    

Anna Carolina Papp   - O Estado de S. Paulo

Na Seven Mile Beach, cadeiras para ver o movimento ou relaxar

Na Seven Mile Beach, cadeiras para ver o movimento ou relaxar Foto: Anna Carolina Papp/Estadão

GEORGE TOWN - Do alto, ao sobrevoar as ilhas, a paleta de cores já enche os olhos. Com pinceladas maestrais, o degradê na imensidão azul-turquesa não deixa dúvidas: o Caribe é aqui. Logo na chegada em terra firme, o quadro da rainha Elizabeth II no pequeno saguão do aeroporto, que mais parece um chalé, e as placas de “não se esqueça de dirigir à esquerda” entregam se tratar de uma colônia britânica. 

A fama vem de bancos e offshores, mas a cara do destino não poderia estar mais longe de homens engravatados carregando malotes de dinheiro. Para além do estigma de paraíso fiscal, as Ilhas Cayman são um verdadeiro refúgio: um Caribe sofisticado e desconhecido.

Situado entre Cuba e a Jamaica, o arquipélago, descoberto em 1503 por Cristóvão Colombo e composto por três ilhas, batizadas por ele de Las Tortugas, oferece ao turista águas cristalinas, praias de areia branca, uma rede hoteleira de luxo, lojas de grife e gastronomia de dar água na boca. Para além do glamour de quem procura o ápice do conforto, a colônia britânica, envolta por histórias lendárias de piratas, também abre os braços para aventureiros que procuram mergulho – afinal, o arquipélago figura entre os cinco melhores destinos para se mergulhar no mundo –, escalada ou apenas desejam curtir as férias com sossego.

O destino, no entanto, ainda é conhecido por poucos brasileiros. Dos cerca de 345 mil turistas que visitaram as Ilhas Cayman por via aérea em 2016, apenas 586 eram brasileiros. O número se apequena pelo fato de o arquipélago ser vizinho de um dos destinos com mais presença verde e amarela. Boa parte das centenas de milhares de brasileiros que visitam Miami todos os anos mal sabe que está a dois passos do paraíso – mais precisamente, a apenas uma 1h20 de voo de Grand Cayman, a ilha maior, com 35 quilômetros de comprimento e 50 mil habitantes.

 

Passeio de caiaque em Cayman Brac

Passeio de caiaque em Cayman Brac Foto: Departamento de Turismo das Ilhas Cayman/Divulgação

Além da bolha. A maioria dos turistas que visita a ilha vem de cruzeiros, que aportam na capital George Town. No entanto, boa parte desses roteiros reservam só um dia para Cayman – pouco perto da riqueza de experiências que o país tem a oferecer. Apesar de compartilhar das mesmas águas mornas e translúcidas de outros destinos caribenhos, como Punta Cana e Cancún, as Cayman, mesmo contando com luxuosas redes hoteleiras, se diferenciam por escapar do famoso modelo all-inclusive. A ideia é que o turista fure a bolha do resort e explore as ilhas ao máximo, uma vez que o turismo é a segunda maior fonte de renda do país, logo atrás (adivinhe?) dos serviços financeiros. Esse arranjo encarece um pouco a viagem, mas proporciona um leque infinito de opções para todos os gostos e perfis.

Atrações não faltam. É possível desfrutar de praias convidativas, nadar com arraias, acariciar tartarugas e golfinhos, fazer mergulho em corais, submarinos e navios naufragados, visitar cavernas milenares, relaxar em spas e provar combinações inesquecíveis de frutos do mar em restaurantes capazes de agradar até os paladares mais exigentes. 

Quem procura ainda mais tranquilidade pode fazer um rápido voo a Cayman Brac e a Little Cayman – “a irmã do meio e a caçula”, como dizem os locais –, com 19 e 16 quilômetros de largura, respectivamente. A viagem é um espetáculo à parte, com uma panorâmica de tirar o fôlego. De Cayman Brac para Little Cayman, são apenas cinco minutos. 

É nas “Tortugas” irmãs que se vê o lado mais selvagem das Cayman, com mergulho e cavernas. Sabe aquele degradê azul? É lá mesmo.

SAIBA MAIS

Aéreo: Não há voos diretos para as Cayman – é preciso fazer conexão nos Estados Unidos. Pela American, via Miami, custa a partir de US$ 2.279 em março. O voo de Grand Cayman para Cayman Brac dura 30 minutos e custa US$ 100, ida e volta, pela Cayman Airways

Moeda: o país tem moeda própria, o dólar cayman (sinalizado como CI$ ou KYD). Em média, ele vale 20% a mais do que o dólar americano (US$ 1 = CI$ 0,8). O comércio aceita dólares americanos (a conta vem nas duas moedas), mas o troco vem na moeda local. 

Site: caymanislands.ky.

*A repórter viajou a convite do departamento de turismo das Ilhas Cayman.  

Passeios

Seja no mar ou em terra firme, há opções tanto para os aventureiros quanto para quem prefere calmaria

Nas Ilhas Cayman, o Turtle Farm abriga mais de 18 mil tartarugas
 

Nas Ilhas Cayman, o Turtle Farm abriga mais de 18 mil tartarugas   Foto: Nataly Costa/Estadão

Nem só de contemplação é feita a passagem pelas Ilhas Cayman. Seja no mar ou em terra firme, há opções tanto para os aventureiros quanto para quem prefere calmaria. Confira: 

Seven Mile Beach

A maior e mais badalada praia de Grand Cayman fica na costa oeste, onde estão localizados os principais resorts e clubes da região. Um delicioso clichê caribenho, com águas cristalinas, areia branca e coqueiros oferecendo sua sombra. Ou seja: cenário perfeito para relaxar, tomar um (ou vários) bom drinque e comer uma porção de frutos do mar admirando a paisagem. 

Se quiser se exercitar um pouquinho (só um pouquinho, calma lá), saiba que a praia é ótima para fazer snorkel. Poucos passos mar adentro, já é possível avistar peixinhos de diversos tamanhos e cores, que parecem mal se incomodar com a sua presença. Pelas águas calmas, stand up paddle (SUP) também está entre as opções preferidas de lazer. E fique para o pôr do sol. Contemplar também é uma atividade importante por lá, lembra?

Mergulho

Se em terra firme as paisagens já são de tirar o fôlego, o fundo do mar não fica para trás. O país está entre os melhores lugares para o turismo subaquático no mundo, com mais de 300 pontos de mergulho que atendem a todos os níveis, do básico ao mais avançado. Nas profundezas, próximo aos corais, é possível avistar uma riqueza imensa de espécies, como peixe-leão, peixe-borboleta, moreias, polvos e lagostas gigantes. Tartarugas e arraias também são comuns. 

É possível se aventurar por naufrágios, como o do USS Kittiwake, navio de resgate norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial, construído em 1946 e que jaz a 18 metros de profundidade. Tudo está intacto: sala de máquinas, cabine de comando, banheiros, refeitório e câmara de descompressão, ambientes pelos quais passeiam as mais exóticas criaturas marinhas.

A saída para mergulho custa a partir de US$ 80 com um cilindro pela Red Sail Sports, empresa que tem pontos de venda em boa parte dos resorts pela orla. É necessário habilitação como mergulhador para contratar a maior parte dos serviços. Quem não possui a licença de scuba dive pode fazer o chamado “batismo” ou se contentar com o snorkel, que já permite o contato com vários tipos de peixes à beira-mar.

 

Encontro com as arraias em Stingray

Encontro com as arraias em Stingray Foto: Departamento de Turismo Ilhas Cayman/Divulgação

Cidade das arraias

Nas águas rasas e transparentes de Stingray City, a noroeste de Grand Cayman e a poucos minutos de barco da praia Rum Point, o passeio mais tradicional da ilha: nadar com as arraias em seu hábitat. Com a água batendo na cintura, é possível interagir com os animais e até tocá-los, já que estão totalmente acostumadas à presença dos turistas. 

O agrupamento veio do hábito de os pescadores limparem seus peixes no local, o que começou a atrair as arraias (stingrays). O passeio, que também pode ser contratado pela Red Sail, custa a partir de US$ 45, dependendo do pacote. Na costa oposta, em Dolphin Cove, é possível nadar com golfinhos.

Santuário das tartarugas

O Cayman Turtle Farm é um grande complexo que abriga mais de 16 mil tartarugas marinhas, algumas delas gigantescas, com mais de 200 quilos. Além do criadouro de tartarugas, que podem ser acariciadas pelo turista, o parque também conta com santuários de diversas espécies de aves, além de crocodilos e um tubarão. Há também um parque aquático para crianças. O ingresso para o parque custa US$ 18 para adultos e US$ 9 para crianças de 5 a 12 anos. Por US$ 45 e US$ 25, respectivamente, é possível praticar snorkel em piscinas com tartarugas e peixes.

Cayman Crystal Caves

Nem só de vida marinha vive o Caribe: as Ilhas Cayman também concentram centenas de cavernas. Uma visita ao parque Cayman Crystal Caves é ótima opção para dar um tempo das praias. Com uma vegetação tropical rica de espécies nativas, incluindo a flor nacional das ilhas, a Orquídea Banana, que floresce em maio, o turista pode visitar três cavernas intrigantes. Espere ver morcegos – mas não, eles não vão te incomodar. 

O ponto alto do tour é a Lake Cave, com um lago cristalino em seu interior. Um espetáculo único. A visita guiada, que dura cerca de 1h30, custa US$ 40 para adultos e US$ 30 para crianças até 12 anos.

 

Sereia de 272 quilos se exibe a 15 metros de profundidade

Sereia de 272 quilos se exibe a 15 metros de profundidade Foto: Scubacoe/Divulgação

ARTE SUBMERSA

1. Atlântida

Nas profundezas do mar caribenho de Cayman Brac, o artista plástico alemão Ronald Kynes, conhecido como Foots, recriou Atlântida. Sua meta é fazer da Cidade Perdida o maior conjunto artístico submerso do mundo – no local, há colunas, estátuas e templos, e a obra continua crescendo. Se você não mergulha, pode visitar a casa de Foots. A placa na entrada dita o tom: “Bem-vindo. Aberto a partir das 7h30, talvez mais cedo, dependendo de quando eu acordar. Fechado a partir de 17h, talvez mais tarde, dependendo de onde eu estiver”. Ali, há de tudo: mísseis soviéticos, caveiras, esculturas e itens em homenagem à banda Led Zeppelin. Mais: atlantiscaymanbrac.com.

2. Estátuas gigantes 

A Atlântida de Foots não é a única obra submersa na costa das Ilhas Cayman. Em Grand Cayman, uma sereia de 272 quilos se exibe a 15 metros de profundidade, a 50 metros da costa a partir do Sunset Hoyse Resort. Também em Grand Cayman há o Guardião dos Corais, instalado sob as águas próximas à escola de mergulho Divetech.

Hotéis

É na orla da Seven Mile Beach que se concentra a maior parte dos resorts - e há hospedagem abaixo de US$ 200 também

O conforto das casas do Caribbean Club

O conforto das casas do Caribbean Club Foto: Anna Carolina Papp/Estadão

É na orla da Seven Mile Beach – um “quintal” de dar inveja – que se concentra a maior parte dos resorts de Grand Cayman. Os mais sofisticados se destacam, mas é possível encontrar hospedagem ali abaixo de US$ 200. 

No topo da ostentação está o Ritz-Carlton, cuja diária começa em US$ 900. Com uma infraestrutura monumental, o hotel (que mais parece um labirinto), tem piscina, parque aquático para crianças e até campo de golfe. Para coroar a autoindulgência, o Ritz abriga um spa da luxuosa grife suíça de cosméticos La Prarie – um dos quatro no mundo e o único no Caribe. Uma sessão de uma hora da desejada massagem de caviar custa US$ 230.

Entre as novidades, o Kimpton, inaugurado em novembro, tem design arrojado (uma das marcas da rede) e diárias a partir de US$ 500. 

Ali perto, o Grand Cayman Marriott (desde US$ 400) oferece aos hóspedes equipamentos como snorkel, stand up paddle e bicicletas (muito úteis para se locomover pela ilha, já que há poucas opções de transporte) pagando a taxa opcional de resort, de US$ 48. Com o conceito de casa de praia, o hotel realiza noites culinárias temáticas ao longo da semana, além de um delicioso brunch no fim de semana (CI$ 68; R$ 166).

Sinta-se em casa. Quem procura diárias mais em conta pode optar por bandeiras como Holiday Inn (US$ 170) e Comfort Suites (US$ 244). Porém, dependendo do tamanho de seu grupo, pode valer a pena alugar uma casa – as chamadas villas. O Caribbean Club, por exemplo, cobra entre US$ 500 e US$ 3 mil pela locação de apartamentos que comportam até seis pessoas, com três suítes, sala com cozinha americana, varanda e piscina de frente para o mar. 

É pouco para você? As mansões da Luxury Cayman Villas têm seis quartos e seis banheiros, além de piscina, playground e uma cozinha totalmente abastecida com mantimentos. Uma semana na casa, que acomoda até 18 pessoas, sai por US$ 16 mil na baixa temporada – na alta, pode chegar a US$ 22 mil. 

Refúgio natural. Com outra atmosfera, Cayman Brac normalmente recebe os amantes de mergulho e natureza. Ali, a Cayman Brac Resort é uma charmosa pousada à beira-mar que realiza saídas de barco para mergulhos com cilindro – e oferece aulas de mergulho para os iniciantes. A reserva para uma semana custa a partir de US$ 1.400 por quarto.

Já quem busca uma experiência mais exclusiva pode se refugiar no Le Soleil D’Or, hotel-butique no qual praticamente tudo que é consumido é produzido em uma fazenda própria, tudo 100% orgânico. Frequentemente escolhido como destino de lua de mel, a diária para o casal custa US$ 350. 

A mixologista do local é a brasileira Ângela Robledo, de 35 anos, que em terras caribenhas foi batizada de Angel. Aventureira, ela, que já visitou mais de 60 países, foi parar em Cayman pelo seu interesse em escalada. “Me apaixonei pela filosofia do lugar, de levar o produto da horta à mesa. É tudo muito exclusivo, para pessoas que procuram algo mais remoto e são apaixonadas pela natureza”, afirma. 

Em busca de eliminar cada vez mais intermediários e produzir tudo o que é consumido nas refeições e bebidas do hotel, Ângela já tem um novo desafio: “Um dos meus projetos é criar um rum com marca própria do Le Soleil D’Or”, conta. A visita para o Brasil, agora, é só a cada dois ou três anos. “Depois que você conhece o paraíso, não dá mais para sair.”

Gastronomia

Com frutos do mar da melhor qualidade, os mais de 200 restaurantes oferecem sabores ricos e complexos

Bebida típica leva vodca, Kahlua e licor de café

Bebida típica leva vodca, Kahlua e licor de café Foto: Departamento de Turismo lhas Cayman/Divulgação

As Ilhas Cayman ostentam o título de capital gastronômica do Caribe. Não por acaso. Com frutos do mar da melhor qualidade e pratos que valorizam ingredientes locais e frescos, os mais de 200 restaurantes oferecem sabores ricos e complexos. A base é caribenha, mas sempre com uma pitada de outras cozinhas, como indiana, espanhola, italiana e argentina. 

Cada refeição é uma viagem de sabores – sempre com uma vista invejável, um bônus a qualquer cardápio. Aos indecisos, um jeito de não errar é pedir o catch of the day, a sugestão de peixe do dia, sempre o mais fresco. O gol de placa é garantido.

Comandado pelo chef indiano Vidyadhara Shetty, o restaurante Blue Cilantro, próximo à orla da Seven Mile Beach, serve frutos do mar com leve influência asiática. O bolo de caranguejo com molho de tamarindo e aioli de manga apimentada (CI$ 18 ou R$ 44) é dos deuses, bem como o ravióli de lagosta e queijo boursin, preparado com azeite trufado e molho de abóbora (CI$ 14 ou R$ 34).

Mas o carro-chefe da casa é o Asian Romantic Sea Food, uma seleção de lagosta, camarões, moluscos, mexilhões com arroz no caldo de coco (CI$ 39 ou R$ 96). O restaurante também oferece menu degustação com quatro pratos (CI$ 70 ou R$ 172), que podem ser harmonizados com vinho (CI$ 120 ou R$ 294).

Já o Cracked Conch não se destaca só pela comida, mas pelo ambiente: um deque de madeira sobre as rochas, de frente para o mar. O conch ceviche (CI$ 12; R$ 39) e o ravióli de costela com espuma de parmesão (CI$ 14; R$ 34), assim como o creme brulée de baunilha com torta de rum e calda de abacaxi, são (deliciosas) assinaturas da casa. Como prato principal, além do pargo com legumes (CI$ 32; R$ 100), vale provar o camarão picante ao alho (CI$ 32; R$ 76): o fettuccini com camarão ao alho e caviar de wasabi literalmente explode na boca. 

Estrelado. Quem busca mais requinte tem endereço certo: o restaurante Blue (do chef francês Eric Ripert, com três estrelas Michelin. Localizado no luxuoso Ritz-Carlton, conta com pratos à la carte ou menu degustação (CI$ 130; R$ 319). Também vale conhecer o Lobster Pot, que, como o próprio nome já diz, é o lugar ideal para se comer lagosta: no prato, em saladas, sopas e até acompanhando um bom bife.

Bem mais despojado é o Rum Point, ao norte de Grand Cayman. De frente para o píer e ao som de muito reggae, tem espreguiçadeiras e redes para relaxar depois de praticar snorkeling na orla da praia. Entradas a partir de CI$ 7 ou R$ 17 (peça a lula empanada), e os pratos, de CI$ 22 (R$ 54). Entre os drinques, destaque para o mudslide (CI$ 10; R$ 24), um clássico da ilha feito com vodca, Kahlua (licor à base de café) e sorvete de baunilha. 

Para uma experiência gastronômica ainda mais completa, planeje a viagem para janeiro. É nesse período que ocorrem dois grandes festivais gastronômicos na ilha, com chefs de renome mundial: o Cayman Cookout e o Taste of Cayman, tudo regado a muita música. Outro grande evento anual é o Pirates Week Festival, em novembro, que recorda as lendas de piratas com direito à boa música e, claro, comida caribenha.

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