Imersão na natureza

Lagos espelhados, vulcões, pistas de esqui, o deserto mais árido do mundo e uma capital emoldurada pela Cordilheira dos Andes. Quem já esteve no Chile certamente encontrou alguma dessas paisagens. E é incrustado no coração da Patagônia que o país guarda outro de seus tesouros: o Parque Nacional Torres del Paine.

LUIZ BETTI , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2012 | 03h14

Fundado em 1959 numa antiga área de fazendas de criação de ovelhas, o parque tem na natureza sua principal atração. São 242 mil hectares de montanhas, geleiras, lagos, rios, bosques e vales habitados por animais como ñandus (tipo de ema), guanacos (parente da lhama), zorro gris (espécie de raposa) e até pumas, que raramente aparecem para os turistas. Não por acaso, a região foi declarada Reserva Mundial da Biosfera pela Unesco em 1978.

No ano passado, contudo, um incêndio colocou em risco esse patrimônio. Destruiu 7% da área do parque e obrigou o fechamento de trilhas e hotéis. Hoje, felizmente, o turismo voltou ao normal na região.

Explorando. Para chegar ao parque, há voos frequentes de Santiago para Punta Arenas. Dali, a viagem segue por terra até Puerto Natales, cidade-base de quem vai a Torres del Paine, distante 112 quilômetros. Pelas ruas de Puerto Natales, agências organizam os mais variados passeios e excursões, de acordo com o gosto do aventureiro. Quer um exemplo? Na Indomita (indomitapatagonia.com), o tour de um dia que combina caiaque e cavalgada custa US$ 230.

O tempo de estadia vai depender de suas aspirações aventureiras. Há quem faça apenas um bate-volta desde Puerto Natales para fotografar as famosas torres de granito que dão nome ao parque. Neste caso, os turistas chegam em vans e caminham cerca de 4 horas pelo vale do Rio Ascencio até o pé das torres, retornando no fim do dia. Porém, os percursos mais procurados são os tradicionais "W" e "O". O primeiro, que leva de 4 a 5 dias para ser percorrido, tem início na Portaria Laguna Amarga e passa por atrações como o Vale do Francês, o Glaciar Grey, o Lago Pehoé e as formações rochosas do Maciço del Paine. Na Fantástico Sur (fantasticosur.com), o tour de 4 noites custa desde US$ 344 por pessoa.

Já o circuito "O" é mais longo e exigente: dura de uma semana a 10 dias e rodeia o parque inteiro, num trajeto de cerca de 85 quilômetros. Ideal para desfrutar com calma a atmosfera do lugar. Na Mara Patagonia (marapatagonia.cl), o pacote de 10 dias inclui guia e alimentação e sai por US$ 2.080.

Desafio. Com trilhas bem sinalizadas, transporte regular e pontos de informação em locais estratégicos, o parque oferece uma boa infraestrutura aos visitantes. Apesar disso, o contato intenso com a natureza exige não apenas um mínimo de preparo físico e mental, mas sobretudo planejamento (comece consultando o site oficial do parque, torresdelpaine.com).

A entrada, de 18 mil pesos chilenos (R$ 77), dá direito a reingressar três dias consecutivos. Para fazer as trilhas, esta é a época ideal: de outubro a abril as temperaturas são mais amenas, alcançando 23 graus durante o dia. Mas esteja preparado para enfrentar chuvas inesperadas e ventos acima de 100 quilômetros por hora - roupas impermeáveis (inclusive luvas e calças) e casaco corta-vento são mais do que recomendados. À noite, faz frio, e o termômetro pode bater zero grau.

Na hora de recarregar as energias, os campings, refúgios e hotéis de luxo próximos às principais atrações acomodam viajantes dos mais variados orçamentos. O luxuoso Hotel Explora (explora.com) oferece 4 noites em quarto duplo com pensão completa por a partir de US$ 2.780. Já no Refugio Torre Central (fantasticosur.com), a diária custa US$ 65 por pessoa em quarto compartilhado.

Segundo o Conaf, o serviço florestal chileno, o parque recebeu no ano passado 140 mil visitantes, número que não para de crescer. Nesse ponto, o grande desafio talvez seja preservar intacta justamente aquilo que o torna tão fascinante: a natureza em sua mais perfeita criação.

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