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Indonésia: sol, mar e serenidade

Bruna Tiussu / DENPASAR

03 Maio 2011 | 06h 00

Você chegará em Bali ciente das paisagens deslumbrantes, do litoral convidativo, dos resorts requintados. E vai se surpreender com a simpatia e a receptividade do povo

Você pode gastar as 30 horas de viagem imaginando o que mais vai gostar de Bali: praias paradisíacas, templos milenares, vulcões, natureza diversa. Pode ainda encarar o longo trajeto que atravessa continentes desejando já estar em um dos resorts megaluxuosos prestes a receber uma das massagens que prometem até rejuvenescer. Mas assim que aterrissar na pequena ilha da Indonésia e se deparar com os sorrisos abertos e olhares sinceros dos moradores, estará certo de que é o povo quem faz essa terra ser tão especial.

 

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Os balineses somam mais de 3 milhões, distribuídos em uma área de 5.620 quilômetros quadrados (quatro vezes menor que o Estado de Sergipe). Diferentemente da maioria de seus compatriotas - que formam a maior população muçulmana do mundo -, os moradores de Bali mantêm vivo um hinduísmo peculiar, que parece não caber na denominação religião. Tem influência do praticado na Índia, do budismo chinês e características próprias. Além disso, rege o modo de vida, a rotina da população e é repleto de belíssimas cerimônias e tradições excêntricas aos olhos ocidentais.

 

Tudo é feito com uma dedicação nata. Deuses, natureza e ancestrais são cultuados com a mesma intensidade. Merecem rezas (cada casa tem, ao menos, quatro templos de oração) e oferendas diárias: flores, alimentos, incensos e dinheiro. As danças são ensinadas de pais para filhos, assim como as canções, coreografias e rituais festivos.

 

Sempre serenos, os balineses andam devagar e não se importam com a presença dos turistas. Ao contrário, mantêm as portas sempre abertas e se alegram ao exibir sua cultura. Simpáticos, posam para fotos e deixam que seus coloridos batiks (traje típico) sejam vistos em detalhes.

 

Nos templos grandiosos, no de cada comunidade ou em plena rua, o visitante sempre tem chances de vivenciar um ritual na sua mais pura essência. Independentemente da época em que estiver na ilha, pois o calendário hindu balinês conta com 240 dias festivos ao ano.

 

Evolução. De 1960, quando os primeiros turistas pisaram na ilha, até os dias de hoje, Bali se transformou. Enquanto lugar exótico e distante das ambições dos viajantes, se mantinha economicamente com a agricultura, sobretudo os arrozais. Após a chegada, em 1990, dos empreendimentos de luxo - impedidos de serem mais altos que o maior coqueiro da ilha, têm até cinco andares - tornou-se, além de destino dos sonhos de casais em lua de mel, uma espécie de "capital mundial" dos spas. E passou a ter o turismo como principal fonte de renda: no ano passado, recebeu 2,4 milhões de visitantes.

 

As curtas distâncias permitem que o viajante conheça regiões diversas. Sua extensão de norte a sul resume-se a 90 quilômetros e, de leste a oeste, 140 quilômetros. A bordo de uma van turística ou motocicleta, fica fácil explorar as belezas da ilha.

 

Você pode passar o dia esticado na areia da praia de Kuta, a mais badalada e, após vencer 30 quilômetros estará em Uluwatu, um dos templos mais antigos e magníficos. Para visitá-lo, é preciso manter os joelhos cobertos - há sarongues (espécie de saia) disponíveis na entrada.

 

Lar de um exército de macacos, digamos, domesticados, é ali que os balineses realizam alguns dos mais importantes cultos à natureza. O motivo é óbvio: rodeado de muito verde e incrustado na falésia de uma montanha, 250 metros acima das águas do Oceano Índico, proporciona uma panorâmica deslumbrante e inspiradora. E um pôr do sol que se encaixa com perfeição à atmosfera mística do lugar.

 

* Pausa para meditar nos templos hindus

Grandiosas e com arquitetura trabalhada, construções costumam ficar em lugares que são uma atração à parte

 

TANAH LOT - Vans e ônibus com a inscrição "pariwisata" causam certo congestionamento na entrada da maioria dos templos. A palavra, que significa turismo, indica que os locais sagrados estão obrigatoriamente no roteiro de todo e qualquer viajante que vai a Bali.

 

Difícil dizer qual deles fascina mais. Grandiosos, mas com arquitetura que encanta pelos detalhes das formas e desenhos, são construídos com pedras, geralmente em cenários naturais que merecem atenção por si só. Cada um tem sua importância no hinduísmo balinês e presta homenagem a uma divindade.

 

Na costa oeste da região sul da ilha fica o Tanah Lot, conjunto de templos dedicados aos guardiões do mar. Instalado em uma ponta rochosa, o principal deles recebe alguns dos principais cultos festivos e, em dias comuns, balineses mais velhos ficam lá dentro, abençoando os turistas. Do outro lado, um templo secundário chama a atenção por estar no topo de uma pedra furada que invade o mar. Pela crença local, o complexo é protegido do mal por serpentes marinhas que habitam as cavernas.

 

A 25 quilômetros de Denpasar está o Goa Gajah - em tradução literal, templo do elefante. O santuário mais visitado fica dentro de uma caverna de sete metros de profundidade. Com a fachada trabalhada, é como se o visitante entrasse pela boca de uma figura mítica. Lá dentro, estátuas dos três principais deuses hindus, Brahma, Shiva e Vishnua, ocupam espaços privilegiados. Do lado de fora, duas piscinas abastecidas por fontes de águas sagradas são usadas para banhos em algumas cerimônias.

 

Proteção. Santuários de arquitetura típica, imensos portais (como o que ilustra a capa desta edição) e, sobretudo, gramado verdinho, árvores bem cuidadas e flores coloridas compõem as atrações no templo Taman Ayun - que significa, não por acaso, belos jardins.

 

Na mesma rota do Tanah Lot, porém mais amplo, o local - que abriga até museu - exige mais tempo do visitante. Fundado em 1634, é considerado o melhor local para orar a Deus em todas as suas manifestações. 

 

 

* SAIBA MAIS

 

Passagem: O trecho SP-Bali-SP custa desde R$ 4.266 na Qatar Airways(qatarairways.com) e R$ 4.595 na Singapore (singaporeair.com)

Visto: Válido por 30 dias, é pago na chegada ao aeroporto de Denpasar, capital da ilha (custa US$ 25)

Melhor época: Marque a viagem entre junho e agosto, época da seca

Moeda: A oficial é a rupia da Indonésia (R$ 1 vale 5.500 rupias), mas muitos lugares aceitam dólar

Pacotes: Veja opções no blogs.estadao.com.br/viagem

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