Iquitos faz a ponte para o Rio Amazonas

IQUITOS - Na saída do aeroporto de Iquitos, a menos de duas horas de voo de Lima, a fila de mototáxis ocupa praticamente todo o estacionamento. Pilotos disputam no grito e com empenho a atenção dos recém-chegados. Ainda que no primeiro momento você evite subir no barulhento meio de transporte, pode apostar que mais cedo do que espera você se verá na garupa de um deles. Chacoalhando e se sentindo integrado ao ritmo da maior cidade da Amazônia peruana.

Fábio Vendrame, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2013 | 02h14

Ruidosa e calorenta como ela só, Iquitos vive de olho no Rio Amazonas. De lá partem os passeios de barco no maior do mundo. Há, porém, com o que se entreter enquanto a hora de embarcar não chega. E, dizem, só conhece a cidade quem dorme ao menos uma noite nela. Não duvido nada, a coisa ali parece mesmo convidativa quando anoitece e o calor dá trégua.

Cidade mais importante do pedaço, a versão peruana de Manaus também exibe um legado, já decadente, dos tempos áureos da extração de borracha. Dessa época destaca-se a Casa de Hierro, agrado francês criado por Gustave Eiffel e trazido peça a peça da Europa. O imenso "lego" feito de pedaços de ferro foi montado bem no meio da cidade, e lá permanece. Um disparate tanto na forma quanto na funcionalidade.

Cada louco com sua mania. A da austríaca Gudrun Sperrer são os insetos alados. Radicada há 32 anos nos trópicos, ela fundou duas décadas atrás o Pilpintuwasi - refúgio de borboletas na língua quíchua. Ali estão protegidas de 20 a 25 espécies, cujo ciclo de vida é acompanhado de perto pela equipe de cuidadores. "Quanto mais borboletas, maior é a variedade de plantas que existe no lugar", diz Gudrun.

Também funciona como um centro de resgate e recuperação da fauna amazônica. Ali vivem exemplares de micos-leões - apresentados como os menores símios da floresta -, entre outros macacos, além de uma onça-pintada, animal conhecido no Peru pelo nome de otorongo. "É preciso conhecer o que se tem para dar o devido valor. Se você não sabe o que tem, não pode dar valor a nada", repete Gudrun, intercalando seu mantra entre uma queixa e outra sobre a suposta "falta de educação" dos nativos.

No fim das contas, Gudrun mantém uma espécie de zoológico no meio da selva. Com ou sem lamento, vale a visita ao cantinho da austríaca.

Para chegar lá é preciso atravessar o rio pelo porto de Bellavista (2,50 soles ou R$ 2 em lancha coletiva) e seguir em mototáxi (1 sol - menos de R$ 1 - a cada cinco minutos é a base). Abre de terça-feira a domingo, das 9 às 16 horas. Entrada a 20 soles (R$ 16). Site: amazonanimalorphanage.org.

Gigantes aquáticos. Na mesma linha há o Centro de Rescate Amazónico (Crea), no km 4,5 da estrada que une Iquitos a Nauta. Aqui o trabalho de preservação se concentra nos manatis, os ameaçados peixes-boi. Atualmente, meia dúzia desses dóceis mamíferos aquáticos recebe atenção e cuidados especiais da equipe encarregada. Os mais jovens ganham mamadeira.

O trabalho consiste em resgatar animais debilitados, recuperá-los e reintroduzi-los na natureza. O tratamento de cada indivíduo custa algo em torno de US$ 120 mil.

A entrada é livre, mas recomenda-se deixar contribuição de 3 soles (R$ 2,40). Funciona às segundas-feiras, do meio-dia às 15 horas, e de terça a domingo, das 9 às 15 horas. Fica a meia hora do centro de Iquitos e a viagem em mototáxi sai de 12 a 15 soles (R$ 9,50 a R$ 12). Site: centroderescateamazonico.com.

Além de algumas lições importantes de conservação, Iquitos também proporciona o primeiro contato com as delícias da mesa amazônica. No Rio Itaya, afluente do Amazonas que também banha a cidade, o restaurante flutuante Al Frío y Al Fuego recebe os visitantes com um menu bastante diversificado.

Ali você poderá provar o paiche (pirarucu) e o doncella, peixes de carne abundante e saborosa, temperados à base de especiarias locais. E será apresentado ao camu camu, frutinha rica em vitamina C com a qual se faz sucos e coquetéis - um bálsamo refrescante, o combatente ideal para aliviar o calor úmido e sufocante. Ah, se não bastar, o restaurante ainda tem deque com piscina. Bem no meio das águas amazônicas.

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