Isolada, Boipeba até parece causo de pescador

Nem bicicletas circulam nessa ilha habitada por gente simples e tagarela, onde dias seguem o ritmo da maré

Camilla Haddad e Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2009 | 02h21

Até parece história de pescador. A Ilha de Boipeba é, definitivamente, o segredo mais bem guardado do litoral sul da Bahia. Está a menos de uma hora de barco da badaladíssima Morro de São Paulo, mas não lembra em nada a vizinha mais famosa. Ou melhor, é a cara da Morro de São Paulo de décadas atrás, onde turistas andavam descalços, dormiam em redes à beira-mar e levavam a vida no ritmo do sol e da maré.

 

Calmaria: fim de tarde empresta tons variados ao horizonte

Muita água rola antes da chegada a esse paraíso tropical. O próprio isolamento geográfico se tornou um atrativo e alavancou o turismo na região. Que nem por isso deixou de conservar a atmosfera de colônia de pescadores - espere encontrar gente simples, hospitaleira e muito faladeira - e só permitiu a chegada da luz elétrica há não mais que duas décadas.

 

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Nesse recanto escondido ainda é pequeno o número de pousadas e de turistas. Carro? Nada disso. Nem bicicletas andam por essas bandas. O único meio de transporte é o lombo dos animais, burros e cavalos. Portanto, prepare o tênis confortável para desvendar a ilha a pé ou de barco. São 20 quilômetros de praias cercadas por recifes e coqueiros, com águas tão calmas que formam piscinas naturais nas quais se observa a riqueza da vida marinha.

O passeio de barco é uma boa pedida para o primeiro dia: o turista terá uma ótima noção da ilha. A embarcação percorre todas as praias, faz uma parada em Moreré para um rápido mergulho nas piscinas naturais e outras duas pausas em Bainema e Ponta de Castelhanos, perfeitas para banhos de mar.

Moreré e Bainema

Moreré está entre as praias mais frequentadas. Tem águas rasas e límpidas ocupadas por peixes e banhistas. As barracas colocam guarda-sóis na areia e servem, ali mesmo, petiscos deliciosos, como o camarão gigante frito na hora.

Mais deserta, Bainema recebe um público que não quer saber de nada além de relaxar no mar calmo. Os mais aventureiros podem encarar a trilha até a Praia Boca da Barra, endereço da maioria das pousadas. Pelo caminho, um visual fantástico da mata atlântica. E um pouco do sossego da Vila de Boipeba, com sua igrejinha e um aglomerado de lojas de artesanato.

A Ponta de Castelhanos tem perfil parecido. Com um diferencial: quando a maré baixa, dá para ver um navio naufragado e a barreira de corais. Já a Cueira parece ter sido feita sob medida para famílias por causa de suas águas tranquilas.

Cueira é uma praia quase deserta, não fosse a barraca do simpático Guido Ribeiro. Um pescador autêntico, que se diverte contando os detalhes da preparação do prato de lagostas vermelhas, capturadas por ele com as próprias mãos. E muitos outros causos. Dá para acreditar?

linkInformações: www.ilhaboipeba.org.br

Água na boca

Guido Ribeiro abre aquele sorriso ao receber os turistas na Praia da Cueira, na Ilha de Boipeba. A simpatia demais não esconde a modéstia de menos. Há exatos 16 anos, faça chuva ou faça sol, Guido vende fartas porções de lagosta vermelha em sua barraca. Pesca os crustáceos, jura, com as próprias mãos porque eles se escondem dentro dos corais. Depois, deixa os animais de molho na água quente até que cheguem ao ponto de ir para o forno a lenha. Cada porção custa R$ 40 e serve duas pessoas. "Meu prato é internacionalmente famoso", dispara. "E também já foi provado por muitas celebridades da televisão brasileira."

Longe de tudo

Bangalôs envidraçados (apenas 17 e para no máximo duas pessoas cada), distribuídos em um morro, acomodam os hóspedes do Hotel Alizées Moreré (www.hotelalizeesmorere.com). Chegar lá não é fácil. Não é exatamente barato - a diária para casal custa R$ 320, com café. Mas se você precisa de uma folga de buzinas, sirenes e celulares, não há lugar mais indicado para passar alguns dias. O despertador são as bicadas dos passarinhos na janela. Nada de televisão e telefone, o celular não funciona. Por isso, a não ser para fanáticos por si mesmos, não recomendo que se vá sozinho.

O gerente Antony Segard senta à mesa com você para contar histórias e ter certeza de que o jantar (fantástico, por sinal) foi bem preparado. Pratos como a moqueca de lula com banana, especialidade da casa, e a lagosta acompanhada de arroz, ratatouille e salada custam entre R$ 15 e R$ 35, para uma pessoa.

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