Viagem

Israel, todos os sotaques

Judeus vindos do mundo todo trouxeram costumes e temperos que moldaram um modo de vida tranquilo, onde, exceto pela revista no aeroporto, não se vê sinais notórios do conflito com a Palestina

09/08/2011 | 04h00

Leandro Quintanilha / TEL-AVIV

Eu não sou um tipo religioso. Por isso, uma viagem para Israel, um dos destinos religiosos mais importantes do mundo, nunca foi uma prioridade nas minhas férias. Mas, ao mesmo tempo, eu tinha fé (e algumas informações) de que havia algo mais neste jovem, pequenino e conflituoso país do Oriente Médio.

 

Se você é um turista cético, como eu, Tel-Aviv é o melhor lugar para lhe servir de base. Para começar, a cidade tem mais bares do que sinagogas, como os boêmios nativos gostam de lembrar. Com cerca de 400 mil habitantes, é um lugar tranquilo e paradoxalmente movimentado. Tem belas praias que dão para o Mediterrâneo, vida cultural intensa e uma noite variada, com uma quantidade razoável de opções para diferentes públicos.

 

Tel-Aviv ainda tem a seu favor a localização geográfica, que favorece a escolha de quem pretende partir dali para conhecer outras cidades israelenses: fica no litoral, mas estrategicamente no centro, em um país que tem forma de tira. Dali, você pode facilmente se locomover para Jerusalém, Holon, Acre e até Sderot, na beirada do conflito, como eu fiz, em busca de marcos históricos, praias e alguma experiência de vida.

 

E, claro, Tel-Aviv tem um aeroporto internacional, o Ben Gurion, tido como um dos mais seguros do mundo. E aí cabem algumas considerações. Por causa do complexo conflito com a Palestina, o governo de Israel toma todas as medidas que considera necessárias para garantir a segurança da população. Por isso, esteja preparado para longas entrevistas na chegada e na saída. Também não é incomum que suas malas sejam revistadas. Os procedimentos de segurança são realizados ainda antes do check-in. Então, lembre-se de chegar ao aeroporto com, no mínimo, três ou quatro horas de antecedência.

 

No meu caso, fui retido para avaliação quando estava deixando o país. Passei por uma longa entrevista com um funcionário tão gentil quanto metódico. Ele queria saber exatamente tudo o que fiz durante a minha visita a Israel e repetia algumas perguntas para ver se eu entrava em contradição. Para a minha própria segurança, ele garantia.

 

O curioso é que, fora o aeroporto, estar em Tel-Aviv faz você esquecer que o país está há décadas em situação de conflito. É uma cidade praiana bonita, limpa, ensolarada, com pessoas na rua desde cedo até tarde da noite.  

Atmosfera. Todas as construções (habitacionais e comerciais) têm jardins, por determinação da lei. A orla de 13 quilômetros é emoldurada por largos calçadões de pedra portuguesa, confessadamente inspirados nos do Rio. Além disso, muitos prédios foram construídos no estilo Bauhaus, baixos, arredondados e sempre claros, para refletir a luz. Por tudo isso, em Tel-Aviv, você só se lembra dos ataques quando liga a tevê ou participa de uma conversa com moradores. Eles são bons de papo.

 

Os idiomas oficiais em Israel são o hebraico - não o iídiche, como se pode supor - e o árabe, mas impressiona como o inglês é comumente falado. Em geral, basta dizer algo em inglês para que automaticamente passem a conversar com você no idioma.

 

Talvez seja reflexo de um dado curioso: proporcionalmente, Israel é o país cuja população tem o maior número de diplomas universitários. Mas isso se deve, também, a uma característica muito emblemática - o multiculturalismo. Como Israel foi criado em 1948 por judeus que viviam em diversas partes do mundo (inclusive locais), a cultura e a comida tiveram muita influência estrangeira. Estima-se que 75% da população tenha origem étnica e cultural influenciada pela vida em outros países.

 

E é nos restaurantes que esse fenômeno se torna ainda mais saboroso. Itens da gastronomia local, como o homus, compartilham o cardápio com clássicos estrangeiros e fusões surpreendentes. Eu, por exemplo, que sou vegetariano, fui surpreendido por uma versão sofisticada do manjado yakissoba chinês no restaurante Eldad Vezehu, no bairro de Nachalat Schiva, em Jerusalém. Feito com massa fresca, tinha um molho denso e equilibrado.

 

Tenha cuidado, no entanto. Como uma jovem israelense me advertiu, você pode, em algum momento, se deparar com um sushi de requeijão. Mas até isso pode render uma boa história.

 

* O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DO CONSULADO DE ISRAEL

 

 

 

- O QUE LEVAR

Proteção solar

Israel é um país muito iluminado. Então, leve bloqueador solar, hidratante labial e cantil. Ah, bonés e chapéus também. Eles podem ser úteis por outro motivo, além de proteger do calor: em alguns lugares, como o Muro das Lamentações, homens não entram com a cabeça descoberta

Sapatos confortáveis

Templos, mercados, museus, bairros... Na maior parte do tempo, seus pés serão o seu principal meio de transporte

 

- O QUE TRAZER

Cosméticos

A lama do Mar Morto, vendida em lojas de duty free e nos shopping centers, é um presente bem-humorado. Também há xampus, sabonetes e hidratantes feitos com substâncias extraídas da região. E sai mais barato do que comprar cosméticos convencionais de grife

 

Roupas

Em Tel-Aviv, você encontra as principais redes de fast-fashion ainda não disponíveis por aqui, como Gap, Top Shop e H&M


Calendário

  • 26mai

    Festival do Pinhão

    Santo Antonio do Pinhal (SP) terá quatro dias de festival dedicado ao pinhão. Receitas com o ingrediente serão vendidas na Praça do Artesão, que terá também barraca de cerveja artesanal e shows; bit.ly/pinhaopinhal

  • 27mai

    Horário de verão no Animal Kingdom

    A partir desse dia o parque Animal Kingdom, da Disney em Orlando, passa a fechar mais tarde, às 23 horas (era às 18 horas). A Árvore da Vida (Tree of Life) estreia nova iluminação e o Kilimanjaro Safari terá tours noturnos: bit.ly/aknoite; desde US$ 97.

  • 08mai

    Corrida pelo bem

    Com largada simultânea em Brasília e outras 33 cidades do mundo – veja lista em bit.ly/runwings– a corrida Wings for Life tem renda revertida para pesquisa da cura de lesão na medula espinhal. Inscrições: US$ 30

  • 06mai

    Festa do Divino

    Marcada pela cultura popular e por procissões, a festa do Divino Espírito Santo dura dez dias (até 15) e é forte em São Luís do Paraitinga (SP) e em Paraty (RJ), onde ganhou atá DJs. Mais: bit.ly/divinoparaitinga e bit.ly/divinoparaty.

  • 16mai

    Orgulho gay no méxico

    Receptiva ao turismo gay, Puerto Vallarta, no México, recebe até dia 30 o Vallarta Pride (vallartapride.com). Além do desfile no domingo (28), o evento terá festivais de música e cinema, além festas. Tudo grátis.

  • 20mai

    Jazz em Paraty

    Eumir Deodato, Rosa Passos e Thiago Espírito Santo são alguns dos artistas que se apresentam na Praça da Matriz, em Paraty, para as três noites de jazz, blues e soul do Bourbon Festival, até dia 22. Tudo grátis; bit.ly/viabourbon

  • 21mai

    festival Ver-o-Peso no Pará

    A atual culinária mais badalada do Brasil é celebrada em Belém no Festival Ver-o-Peso da Cozinha Paraense, batizado com o nome do mercado público. Até o dia 29, tem aulas, jantares com chefs e mais; bit.ly/viaveropeso

  • 25mai

    Festival das luzes em Jerusalém

    Com todas as atrações gratuitas e concentradas na área histórica, Jerusalém faz seu Festival de Luzes até 2 de junho, com projeções em locais como o Muro das Lamentações. Mais: lights-in-jerusalem.com

  • 25mai

    Cirque du Soleil na Broadway

    O Cirque du Soleil estreia seu primeiro show criado especialmente para a Broadway (broadwaycollection.com). Paramour é a história de uma atriz que tem de escolher entre um romance e sua arte. Desde US$ 55

  • 25mai

    Dança em Santos

    Até dia 29, o 3º Festival Internacional de Dança apresenta números de variados estilos no palco do Teatro Municipal Brás Cubas. Para os profissionais, haverá aulas especiais; fidifest.com.br