Mônica Nóbrega|Estadão
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Juneau

Na segunda maior cidade do Alasca, um passeio de helicóptero e outro de bondinho

Mônica Nóbrega, O Estado de S. Paulo

19 Abril 2016 | 04h30

JUNEAU - O helicóptero levanta voo e, em instantes, é possível ver que as montanhas enfileiradas ao longo do centro de Juneau perfazem uma muralha que separa a cidade de uma massa de gelo lá atrás. A capital do Alasca se acomoda ao longo das duas margens do Canal Gastineau formando um filete urbano, com a Ilha Douglas a oeste e o paredão de até 1,3 mil metros de altitude a leste, na borda do continente. Para lá do paredão, o Glaciar Mendelhall, principal atração turística local. 

Com 33 mil habitantes, Juneau é a segunda maior cidade do Estado, superada por Anchorage, que tem 300 mil. O piloto dá voltas para mostrar a diminuta área urbana, as florestas de coníferas, bem verdes no verão, os lagos glaciares. Tira fina dos paredões das montanhas enquanto, adiante, o campo de gelo começa a mostrar seus contornos. Agora já estamos sobre o glaciar, que tem 100 quilômetros quadrados de área e desce em curvas graciosas em direção a um lago. É como se uma corredeira de grandes proporções tivesse sido congelada em pleno movimento. 

O helicóptero pousa sobre o glaciar. A caminhada pelo Mendehall é medo e emoção, frio na barriga e no corpo. Há fendas de entranhas azuis transparentes por onde escorre água fazendo som de cachoeira. O fundo não se vê nem pedindo apoio à mão de alguém para se curvar um pouco mais sobre o abismo assustador. Uma fina camada que parece fuligem recobre a geleira; são sedimentos, não poluição, explica o piloto. 

A aventura toda dura 40 minutos e tem uma má notícia: o preço, US$ 495 por pessoa. Mas dá para chegar ao Mendelhall, que tem um bem estruturado centro de visitantes e um deque de observação a 20 quilômetros do centro de Juneau, até de ônibus municipal: bit.ly/mendelhall.

Também existe plano B, mais econômico que o sobrevoo, para ver Juneau do alto. Por US$ 33 embarca-se no bondinho Mount Roberts Tramway, que, em um dos trajetos mais verticais do mundo, parte do centro e leva a 550 metros de altitude. No alto há um parque verde, com muitos mirantes e trilhas bem sinalizadas segundo o nível de dificuldade e o tempo necessário para percorrê-las. Dá para subir e descer a pé, informa um dos guias do parque, mas não se você está num cruzeiro, que dá ao visitante 10 horas em Juneau. O trekking pode levar mais tempo e exige disposição. 

Um pouco de coragem é bem-vinda. A área é hábitat de ursos, conforme avisa uma placa perto do desembarque do bondinho. As precauções incluem fazer barulho, porque ursos não gostam de surpresas; não invadir o “espaço pessoal” deles; não deixar restos de comida que atraiam os animais. Para o caso de um encontro, a placa orienta assim, na sequência: fale com o urso e agite os braços, não corra (“você não consegue correr de um urso”), suba o tom de voz se ele começar a se aproximar, finja-se de morto em posição fetal se não adiantar. Caso o ataque prossiga, será porque o urso está vendo você como comida. “Lute bravamente”, dizem as instruções. 

Felizmente, não é a última orientação. A placa informa que os ataques são raros: nada de “ursofobia”, portanto.

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