Reprodução
Reprodução

Ken tem razão

Mande sua pergunta para viagem.estadao@estadao.com

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2017 | 04h30

Quando a Mattel anunciou, mês passado, os novos bonecos Ken, ele deixou de ser apenas o namorado da Barbie para ganhar um lugar especial entre a realeza dos memes na internet. Meu favorito trazia um dos bonecos, com uma camisa cheia de estilo (que alguns podem considerar hipster) e coque na cabeça, acompanhado da frase: “Viajar pro exterior a cada 3 meses é super fácil! Só parar de comer fora que você consegue”.  

Eu ri, mas acredite: o Ken tem lá sua sabedoria. Como já dissemos aqui no Viagem algumas vezes, viajar é um ato de consumo – e como todo ato de consumo, é feito de escolhas.  Você prefere jantar fora duas vezes por semana ou viajar? Talvez investir em roupas, sapatos? Ou comprar aquele carro dos sonhos?

Juro: não há nenhum juízo de valor por trás dessas perguntas. São prioridades individuais, algo tão pessoal quanto decidir entre beef or chicken no avião ou entre crédito ou débito na hora de passar o cartão no caixa do supermercado. A diferença é que algumas decisões serão cruciais na hora de optar pelo destino de férias.

Há dois anos, vendi meu carro, que se transformou em uma viagem para Chicago, ingressos para assistir a diversos jogos na Olimpíada no Rio e algumas passagens aéreas. Melhor decisão da minha vida. E você? Qual a sua prioridade?

Jantar ou viagem? Uma noite de rodízio em um restaurante japonês apenas razoável em São Paulo não sai por menos de R$ 100 por pessoa (se o restaurante for melhor, gasta-se o dobro facilmente). Baladinha na sexta à noite, com petiscos e drinques, além de estacionamento ou táxi, e lá se vão mais R$ 100. Resumindo: duas saídas na semana valem pelo menos R$ 200 – R$ 800 por mês, se for um hábito. Ao longo de três meses, a soma chega a R$ 2.400. Já vale uma viagem para o Nordeste. Se fizer a conta para o ano todo, são R$ 9.600. Acho que rende um bom roteiro, não?

Carro novo ou viagem? Depois que vendi meu carro, cogitei comprar outro. Porém, todas as vezes que fiz um comparativo o carro perdeu para a viagem. Por exemplo: o popular mais barato do País custa R$ 29.990 e chega ao mercado nesta semana (o Renault Kwid). Caso você resolva parcelar, digamos, por 24 vezes, dando 50% de entrada, vai gastar (em um cenário otimista) R$ 700 por mês no parcelamento, dependendo da taxa de juros – sem colocar aí despesas como seguro, IPVA, combustível, acessórios, opcionais e outros adendos. 

“Ah, com o carro vou viajar mais.” Se esse for seu caso, vá em frente. Prioridades, lembra? Mas se o seu sonho hoje é fazer aquele curso de inglês no Canadá, visitar o Louvre em Paris, comer tacos autênticos no México ou conhecer a cidadezinha de seus antepassados em Portugal, repense. 

Compras ou viagem? Quanto você gasta com compras todo mês? Não estou falando aqui de despesas fundamentais da casa, o arroz e feijão de cada dia, o presente de aniversário do afilhado, os boletos (nada de entrar no vermelho e gastar o que não tem, por favor). Me refiro àquelas pequenas indulgências que nos permitimos vez ou outra: o sapato irresistível da vitrine (ou aquele que nos persegue no Facebook depois de clicar no anúncio). O gadget dos sonhos. O novo iPhone. O boneco dos Vingadores de colecionador (que você não vai deixar criança nenhuma pegar). A academia que você paga todo mês e não vai há séculos.

Enfim, experimente somar todas as despesas supérfluas na ponta do lápis e prepare-se para cair para trás com o valor da soma. É bom para começarmos a elencar prioridades e fazer um exercício de reflexão: até onde tudo isso poderia nos levar?

Mais conteúdo sobre:
Adriana Moreira Viagem

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.