Felipe Mortara|Estadão
Felipe Mortara|Estadão

Lapinha da Serra: cachoeiras e trilhas bem perto de Belo Horizonte

A apenas duas horas de carro do Aeroporto de Confins, a cidade guarda um quê de chapada, com morros cênicos e tranquilidade

Felipe Mortara, O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2015 | 14h36

O forte calor do início de dezembro na vegetação de transição e o aclive acentuado faziam esquecer por alguns instantes por que a Cachoeira Paraíso foi batizada assim. Uma hora depois, olhando para a queda d’água que abastece as casas de todo o vale onde foi fundada a pequenina Lapinha da Serra, ficou bem claro o motivo. E bem longe de ser o único. 

A pacata cidadezinha, a 136 quilômetros de Belo Horizonte, se revelou uma excelente opção para um fim de semana ou feriado ao ar livre. Com um ou dois dias a mais, daria para ter aproveitado ainda mais os arredores, na região da Serra do Cipó. Ainda assim, dois dias renderam. E o melhor, a apenas duas horas de carro do Aeroporto de Confins – há voos da TAM e da Gol que chegam e partem cedinho.

Mas não é só uma queda d’água que justifica a ida até o preservado refúgio. Na descida da Paraíso, um desvio à direita leva à belíssima Cachoeira do Rapel. Não havia ninguém pendurado em cordas, mas dei de cara com um ótimo poço para nadar, aos pés da queda de 30 metros de altura, bem colada ao paredão de granito. Como a mata é relativamente densa e cercada por pedras pontiagudas, sobram poucos cantos confortáveis para sentar. Chegue cedo. 

Um pouco antes, menos badalada e glamourosa, a Cachoeirinha é uma alternativa se houver muita gente na Rapel. Queda pequena, mas o poço amplo cumpre bem o papel de piscina particular. Importante: o banho é proibido na Paraíso, pois dali é bombeada a água que abastece a vila.

Para chegar até as três quedas, basta sair da vila e vencer os 300 metros até a Lagoa da Lapinha. Daí, seguir placas até uma portaria, onde é cobrada taxa de R$ 15 por visitante. Outra opção de cachoeira próxima, mas não tão legal, é a do Boqueirão, com entrada a R$ 10. Mesmo perto do Parque Nacional da Serra do Cipó (a entrada fica no distrito homônimo, a 27 quilômetros), a maior parte das cachoeiras da Lapinha fica dentro de reservas particulares – por isso, pagas. 

Para roteiros mais exigentes, caminhantes experientes podem rumar ao Pico da Lapinha, o segundo maior da Serra do Cipó, com 1.686 metros de altitude. Bem sinalizado, o percurso todo leva cerca de cinco horas. Célebre entre caminhantes de todo o Brasil, a travessia da Lapinha à Cachoeira do Tabuleiro, a maior de Minas Gerais, com 273 metros de queda, percorre 28 quilômetros durante dois dias. A agência Lapinha Aventura (lapinhaaventura.com.br) tem pacotes com guia e pensão completa, com preço sob consulta.

A Lagoa da Lapinha é a alma do vilarejo. Além de nadar, alugue caiaque ou prancha de stand up paddle (R$ 30 a hora). Também é possível contratar passeio de barco até a barragem.

O básico. A Lapinha tem aura de Chapada Diamantina, na Bahia, pelo relevo e por ser também parte da Serra do Espinhaço, que corre até o interior baiano. Outra semelhança marcante são as águas de cor escura, repletas de ferro e sílica. Evite beber. 

Rústica, Lapinha da Serra não tem caixa eletrônico, posto de gasolina, farmácia ou hospital. Falhas no sinal de celular são comuns. O acesso é feito por 12 quilômetros de estrada de terra a partir de Santana do Riacho – até lá, a MG-10 está em ótimas condições. No aeroporto é possível alugar carro por diária a partir de R$ 50 na Avis.

Com apenas um fim de semana disponível, não houve tempo para conhecer duas outras atrações. A Cachoeira do Bicame, com acesso em 4X4, e a do Lajeado, por uma trilha de duas horas. Guias (guiadalapinha.com.br) e empresas como a Lapinha Aventura (desde R$ 120, até quatro pessoas) levam até ambas. Tenho ao menos dois bons motivos para voltar.

Casa alugada ou chalé, com direito à vista privilegiada

Além de pousadas, casas e chalés alugados são outras boas opções de hospedagem em Lapinha da Serra. Surpreendentemente, a vila rústica tem bons sites que ajudam o visitante a encontrar opções de acomodação – pesquise em lapinhadaserra.com.br e o portaldalapinha.com.br

No alto do morro, com vista incrível da serra, as Casas do Teuler foram ótima escolha. Chalés a partir de R$ 600 por fim de semana para duas pessoas, com direito a usar a surreal piscina da casa principal (esta, a R$ 2.800 para até oito pessoas). 

Com pegada rústico-chique, a Pousada Lapralapa tem cinco suítes desde R$ 120, com lindas vistas da serra e Wi-Fi. 

As opções de gastronomia são mais limitadas: destaques para a comida mineira do Restaurante da Valéria, na minúscula praça central, e do singelo, porém aconchegante Bistrot. 

LAVRAS NOVAS DESPONTA COMO ALTERNATIVA PARA CASAIS E FAMÍLIAS EM BUSCA DE EMOÇÃO 

Debruçada diante do Parque Estadual do Itacolomi, a 1,2 mil metros de altitude, a pequenina Lavras Novas tem um clima temperamental que contrasta com a calma da rotina de seus 1,5 mil habitantes. No céu, o tempo pode virar em poucos minutos, mas pela rua principal e nas dezenas de pousadinhas, prevalece o canto de passarinhos e os cavalos a pastar. 

A 117 quilômetros de Belo Horizonte, este outrora singelo distrito de Ouro Preto tem ganhado cada vez mais fama, principalmente entre casais à procura de romance e famílias que pretendem descansar ao ar livre. Como bom destino mineiro, está cercado por cachoeiras, como a do Falcão e Três Pingos. O acesso não é complicado, mas carece de sinalização – os moradores indicam o caminho. Outra moda outdoor são os passeios de quadriciclo pela região – desde R$ 180 por duas horas, na Quadri Cross.

A fama crescente fez os preços subirem um pouco. Entre as pousadas, um bom custo benefício está na Ao Mirante, com diária a partir de R$ 150, que inclui café da manhã e uma vista desobstruída. Das antigas que inflacionaram, a famosa Carumbé custa desde R$ 280. 

Na hora da fome, sotaques variados. No La Cucinetta (31-974-140-450), prove o rondeli de nozes ao molho de espinafre (R$ 45). O taberna tem porções variadas como a de músculo cozido com batatas (R$ 35), em ambiente, de pau a pique e decoração kitsch. 

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