Edivaldo Ugarte
Edivaldo Ugarte

Lençóis Maranhenses: imersão na cultura local dentro da Casa de Farinha

Processar a mandioca faz parte do cotidiano de Tapuio

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

04 Abril 2017 | 04h30

Zé Maria faz parte da terceira geração dos Diniz Araújo. A família se dedica não apenas à preservação da cultura do cultivo da mandioca e da fabricação da farinha na região, mas à transmissão desse conhecimento rural a visitantes curiosos sobre o processo que origina o alimento mais indispensável das mesas nordestinas.

Ao lado da mãe, Dona Maria, e do pai, Seu Zequinha, Zé Maria é o responsável pela Casa de Farinha do povoado de Tapuio, um espaço coletivo utilizado pelas famílias da comunidade para a fabricação do alimento. Ninguém fica de fora, nem mesmo as crianças. “Elas precisam absorver essa cultura para que usem isso como subsistência no futuro, para que sirva como fonte de renda, já que vivemos numa comunidade rural”, explica o didático Zé Maria.

O caminho que leva até Tapuio, aliás, já é uma imersão do cotidiano local: saindo de jardineira da pousada em Barreirinhas, embarcamos na Balsa Cruzeiro para atravessar o Rio Preguiças até a outra margem, chamada de Cantinho. “Os moradores costumam usar essas rabetinhas (canoas com motor) como transporte também”, explica o guia Jairon, nosso condutor no primeiro dia de passeio. 

Cinco minutos depois, estamos do outro lado do rio. Dali, seguimos até Tapuio por ruas de terra, onde passado e presente se intercalam na arquitetura, entre casas feitas de barro e fibra e outras de alvenaria. Apesar disso, todas mantêm as portas e janelas abertas para o mundo lá fora. Do lado de dentro, seus moradores, sem pressa ou constrangimentos, tecem redes de pescaria; estendem roupas nos arames que, além de cercas, tornam-se varais; chamam as crianças que brincam nuas no quintal. 

Quando chegamos à Casa da Farinha, a sorte foi grande: lá estava um grupo de homens produzindo uma farinha amarela e cheirosa. Como cada grupo familiar vai num dia e de acordo com sua própria rotina, nem sempre é possível encontrá-los. Mesmo assim, a visita não é prejudicada, já que Zé Maria, além de expor as características da mandioca, explicando as diferenças e benfeitorias de cada tipo, mostra o passo a passo que transforma o tubérculo em farinha.

 

“Para plantar, não tem segredo. Não se planta a mandioca, mas a sua parte aérea, socialmente chamada de caule, mas aqui chamamos de maniva, que é o nome indígena”, explica. Se quiser acertar, comece falando aipim ou macaxeira para a mandioca comum e mandioca brava para o tipo mais encontrado na região.

Depois de observar, ouvir, sentir, cheirar aquela farinha quentinha, recém preparada, completamos o passeio sentados à mesa para degustar a melhor porção de mandioca frita que já comi na vida, preparada pelos donos da casa e servida com um cafezinho tão bom quanto. 

Com o grupo  Encantes, a visita à Casa da Farinha custa R$ 60 por pessoa e, se quiser incluir no roteiro a Lagoa da Esperança, sai por R$ 100. Já na Rotativa Eco, o passeio sai R$ 55. Caso você esteja por conta própria, a visita guiada na Casa da Farinha custa R$ 30 e a balsa, R$ 25 por carro transportado.

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