Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Lisboa, uma velha conhecida cheia de novidades

Com provocações gastronômicas, bares em coberturas, museu recém-inaugurado e uma atmosfera sedutora, capital portuguesa (re)conquista turistas do mundo todo

Mônica Nobrega, Lisboa / O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2017 | 05h00

Depois de meses de obras que começaram em fins de 2015, o Cais do Sodré finalmente está livre dos tapumes. Há algumas semanas exibe novo visual: calçadão, espreguiçadeiras, restaurante, café, livraria, menos carros. 

Como no Cais do Sodré, é na velha Lisboa que estão as novidades mais recentes e interessantes da cidade, em bairros como Chiado, Príncipe Real e no Belém, ponto de partida das navegações portuguesas nos séculos 15 e 16. A seguir, confira as novidades que têm colocado Lisboa nas listas de destinos mais cobiçados do planeta. 

 

Como ir a Lisboa

Aéreo: São Paulo-LisboaSão Paulo desde R$ 4.620 em voo direto da TAP.

 

Como se deslocar: o Lisboa Card dá direito a usar metrô, elétricos, elevadores e ônibus ilimitadamente durante seu período de validade. Há opções de 24 horas (19 euros), 48 horas (32 euros) e 72 horas (40 euros). A validade começa a contar a partir do primeiro uso. O Lisboa Card vem com guia de atrações turísticas que também dão desconto aos portadores.

 

City tours: para a primeira vez em Lisboa, ou se faz questão de visitar os principais pontos turísticos, a Yellow Bus faz city tours nos quais você desce para a visita e retorna ao transporte, em elétrico (o bondinho, 18 euros), ônibus de dois andares (14,40 euros) ou barco pelo Rio Tejo (18 euros). 

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Mônica Nobrega, Liabos / O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2017 | 04h30

Preliminares, Beijo Francês, Boca Naquilo. São todos nomes das fases de um jantar pensado para inspirar os sentidos para além do paladar. Quase todo cozinheiro diz isso da própria comida, mas temos aqui um caso que entrega mesmo o que promete. Uma inspirada novidade no cenário da gastronomia de Lisboa, que tem como palco, literalmente, a Pensão Amor, antigo bordel transformado em uma das baladas mais cool da cidade. 

Em 1962, a ditadura de António Salazar aprovou um decreto-lei que proibiu a prostituição em Portugal e jogou os bordéis na clandestinidade. Nos arredores do Cais do Sodré, a Pensão Amor foi um dos estabelecimentos afetados pela medida. Não parou de funcionar, mas a vida e as condições de trabalho das mulheres se tornaram mais difíceis.

Essa história, não exatamente romântica, é contada no espetáculo teatral Alice no País dos Bordéis, que estreou em julho nas salas subterrâneas da pensão. O texto e a ótima interpretação da atriz Sofia de Portugal equilibram humor e a crueza da dura vida das meretrizes, com apoio de uma cenografia caprichada que o público vai percorrendo no desenrolar da história. 

O espetáculo termina à mesa. Ou melhor, no balcão da cozinha do chef Guilherme Spalk, que comanda o jantar para no máximo 11 pessoas. O menu degustação tem oito pratos, apresentados pelo chef e sua equipe segundo uma coreografia que emula o que seriam os desejos e preferências de “madame”, a cafetina Alice da peça.

Até a louça foi toda desenhada para garantir que o jantar seja um prolongamento do espetáculo. Assim, as Preliminares, pasta de mexilhões de um lado, manteiga de pinhão e açafrão do outro, são oferecidas em embalagens de maquiagem, como um invólucro de batom. “Pode morder a pontinha”, brinca o chef. 

A sequência vai deixando todo mundo soltinho; a interação com a equipe é muito à vontade. A comida é finalizada na frente dos clientes, entre brincadeiras e falas previamente ensaiadas, como a explicação para um molho com beterrabas derramado sobre o sashimi de atum: seria o sangue de touro citado como afrodisíaco durante a peça. 

Aquilo na Mão é o momento mais sedutor do jantar. Somos vendados e convidados a estender o braço, para que a primeira sobremesa, compota de morangos e figos secos, seja servida diretamente na mão direita e devorada sem talheres. Em nome da boa prestação de serviço, conto que o leitor vai ficar feliz se estiver acompanhado. 

A aventura sensorial custa 69 euros por pessoa; por ¤ 6 pode-se assistir só ao espetáculo. O jantar é um projeto temporário, previsto para durar apenas até o fim do ano. Reserve.  

Estrelas. Por detrás de uma estante de livros, que se abre como uma passagem secreta, outra casa lisboeta aposta no clima de cabaré dos anos 20 aos 50. O Beco Cabaré Gourmet fica nos fundos do Bairro do Avillez, complexo de restaurantes do chef José Avillez, que também é proprietário do Belcanto, duas estrelas no Guia Michelin

O jantar-espetáculo (130 euros por pessoa, sem bebidas) tem 12 pratos, que são apresentados ao ritmo do show, no qual quatro vedetes e um mestre de cerimônias se revezam em números de canto e dança. O apelo sensual – muito bonito, embora menos efetivo que na Pensão Amor – é constante. Há boas ideias, como o coquetel Narcisista, servido na frente de um pequeno espelho que vem à mesa, e a margarita de maçã e lichias, acomodada dentro de um botão de rosa. E as cantoras são ótimas. 

Relíquias. Um dos bares mais bacanas de Lisboa fica no Príncipe Real. O Pavilhão Chinês funciona desde a década de 80 e é uma sequência de cinco salas repletas de quinquilharias – louças, brinquedos, artigos de guerra – algumas do século 18.

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Bares e mirantes para ver Lisboa do alto

Com uma bebida em mãos ou em áreas públicas e gratuitas, admire os melhores ângulos dos telhados e do Rio Tejo

Mônica Nobrega, Lisboa / O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2017 | 04h29

Nem é preciso subir tanto assim para ter as melhores vistas de Lisboa. Os altos e baixos das sete colinas dão conta de criar mirantes por toda parte. Mas quem nega o charme de beber um coquetel ou de jantar ao ar livre no topo de um prédio? Assim, a febre dos rooftops pegou também na capital portuguesa.

The Insólito

Para chegar ao restaurante e bar no Príncipe Real, no topo de um casarão do século 19 onde funciona o hostel The Independente, é preciso se enfiar em um dos elevadores mais antigos ainda em operação em Lisboa. É minúsculo, mal cabem três pessoas – mas dá para ir de escada se a ideia parecer claustrofóbica. 

Os 32 lugares do terraço com vista para o Castelo de São Jorge são os mais concorridos, mas o ambiente interno também é agradável. Os pratos portugueses, como o lombo de bacalhau com arroz malandrinho, uma versão do risoto, são criação do chef António Santos. Custam até 20 euros. A procura é grande: reserve.

Silk Club

Fica no Chiado e faz a linha chique-porém-à vontade. O ambiente é lindo, com sofás e almofadas do lado de fora, onde a vista é para o Tejo e o Castelo de São Jorge. O público do local vai lá para ver e ser visto, com produção caprichada e smartphones a postos para selfies e curtidas. A comida japonesa dali é uma das mais bem afamadas de Lisboa. Espere gastar cerca de 40 euros por pessoa no jantar, sem bebidas. 

Topo

Fica no alto de um centro comercial na Praça Martim Moniz, entre os bairros Baixa e Mouraria, num ponto meio fora do circuito turístico, embora no centro. Pelo clima à vontade, é um achado, um daqueles lugares para dar uma passada no fim da tarde sem se preocupar com o cabelo desfeito por um dia inteiro batendo pernas. 

A parte interna é envidraçada, com um enorme balcão; a externa tem deques (lá chamados de esplanadas). O lugar tem um cardápio extenso de coquetéis a 8 euros, poucos vinhos e, para comer, petiscos com jeito de boteco e pratos simples como peixe, polvo e bochechas de porco com batatas, que custam até 18 euros.

Mirantes

Sem gastar nem um centavo com comida e bebida, você pode apreciar os telhados de Lisboa, os barcos no Rio Tejo e a Ponte 25 de abril de vários mirantes públicos. 

No Príncipe Real, o Mirante São Pedro de Alcântara fica na frente do hostel The Independente. Dali enxerga-se o Castelo de São Jorge todo iluminado à noite. Às sextas-feiras, universitários se encontram no local vestindo o traje típico dos estudantes portugueses, uma capa idêntica à dos alunos da escola de magia de Hogwarts, do bruxo Harry Potter. Dizem que esta foi, inclusive, a inspiração da escritora J.K.Rowling para criar a roupa da ficção. 

No bairro da Graça, o Mirante Nossa Senhora do Monte ainda é considerado um achado, embora a profusão de tuc-tucs pela cidade ande levando mais gente até lá – porque a subida é chatinha. A vista é para a Ponte 25 de Abril.

Outro mirante interessante é o de Santa Catarina, no Largo do Adamastor, pegado ao Bairro Alto. O horário mais concorrido é o pôr do sol. À noite, quem frequenta o pedaço são os mais jovens. 

Terraços ao ar livre

Contra o calor que faz agora na Europa, terraços para comer e bebericar ao ar livre. O do Hotel Valverde, na Avenida da Liberdade, é um daqueles segredinhos locais que turista procura e não encontra nos guias. Às terças-feiras, há apresentações intimistas de fado na happy hour, mais ou menos entre 19h30 e 22h. 

Outros dois desses terraços pertencem aos restaurantes Gin Lovers & Less e Atalho Real. Ambos ficam dentro da Embaixada, nome de uma galeria que reúne marcas e artistas que trabalham apenas com moda, decoração, cosméticos e artesanato portugueses. A Embaixada reaproveita um casarão de estilo árabe do século 19 e fica no bairro lisboeta que atualmente mais tem a cara desse tipo de empreendimento, o Príncipe Real. 

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Belém, bairro das navegações, ganha traço ousado

À beira do Rio Tejo, novo museu propõe debates sobre o presente e o futuro. Depois, reserve tempo para o clima ‘cool’ do LX Factory

Mônica Nobrega, Lisboa / O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2017 | 04h27

Foi com uma “exposição-manifesto”, na definição da curadoria, que o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) inaugurou em março seu prédio mais novo. A construção branca, mais baixa que tudo ao redor e cujo formato lembra uma onda, exibiu a mostra Utopia/Distopia, uma reflexão sobre a atualidade com subtemas como as cidades do futuro. 

A Lisboa do futuro que o MAAT propõe é feita para ser vista e tocada. Tem mirante no forro e, na entrada, escada que desce até as águas do rio. Neste calorão de agosto, foi refrescante sentar ali e tirar os sapatos para mergulhar os pés no Tejo. 

A exposição Utopia/Distopia terminou ontem, mas outra obra questionadora está em cartaz até 18 de setembro. Na instalação Eu Nunca Tinha Sido Surrealista Até o Dia de Hoje, o artista cubano Carlos Garaicoa explora as relações reais e imaginárias entre homem e urbanismo. 

No outro prédio, este do começo do século 20, que abrigava o antigo Museu da Eletricidade, o português João Onofre usa tecnologia para brincar com a luz nos espaços urbanos, aproveitando a antiga sala das caldeiras – que estão lá, expostas. 

Terminada a visita ao MAAT, talvez seja o caso de curtir o fim da tarde no vizinho SUD. O empreendimento, aberto em julho, tem restaurante e uma piscina no terraço com vista para a Ponte 25 de Abril, um cartão-postal lisboeta. O acesso custa 35 euros por pessoa

Belém, bairro onde está o MAAT, é endereço de pontos turísticos clássicos: Torre de Belém, Padrão dos Descobrimentos, Mosteiro dos Jerônimos, a confeitaria que faz pastéis de nata desde 1837. E tem um atrativo que os turistas deixam passar: no verão, até 8 de setembro, o ótimo Centro Cultural do Belém apresenta música e cinema no jardim, gratuitamente. 

Rabiscos. Do Belém, fui a pé (1,3 quilômetro; a alternativa é pegar o elétrico 15) até o LX Factory, em Alcântara. As paredes grafitadas entregam o clima geral das lojas, restaurantes, ateliês e um hostel instalados nos galpões do século 19, que foram uma tecelagem e hoje formam um dos endereços mais descolados de Lisboa. 

Meu objetivo ali era comprar presentes na loja Bairro Arte (bairroarte.com) e fazer uma tatuagem no estúdio Queen of Hearts, que havia sido recomendado. Mas, sem agendamento prévio, não consegui meus rabiscos na pele. Faça reserva.  

Dizem que os hambúrgueres da Burger Factory estão entre os melhores da cidade, e foi num deles que me joguei para compensar a frustração. Com batata frita e cerveja, gastei 11,50 euros. Difícil não sair feliz. 

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Mônica Nobrega, Lisboa / O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2017 | 04h27

Era uma tasca portuguesa com certeza, com o perdão do irresistível trocadilho musical. Na mais que centenária Adega das Gravatas, em funcionamento desde 1908, um farto almoço para duas pessoas custou, no total, 19 euros. Por este valor, comemos um prato de polvo grelhado com batatas (tão bem servido que sobrou), uma entrada de bolinhos de bacalhau e ainda seis copos de cerveja da torneira e dois cafés. 

As tascas são o tipo mais tradicional de restaurante português, aquele que garante comida honesta a preços que se pode pagar no dia a dia. Com ambientes simples e serviço econômico, sua clientela é formada por moradores. Em março do ano passado, no entanto, o jornalista lisboeta Tiago Pais lançou o ótimo guia As 50 Melhores Tascas de Lisboa, que ajuda a encontrá-las pela cidade. Comprei o meu por 11 euros na Fnac do Chiado

A Adega das Gravatas fica num bairro mais distante do centro, o Carnide. Dá para ir de metrô com a linha azul, descer na estação que leva o nome do bairro e andar 500 metros até o restaurante. Não há turistas por lá; a graça da experiência, além de comida e bebida baratíssimas, é justamente estar entre moradores. Inclusive enquanto espera na fila, do lado de fora – na minha visita, em um feriado nacional, a espera durou menos de meia hora.

De chef. No agora pop Mercado da Ribeira, reformado em 2014, o Balcão da Esquina é uma versão reduzida de tasca cujo proprietário é famoso também no Brasil: o chef Vitor Sobral, dono da Tasca da Esquina, em São Paulo. 

No seu balcão ou nas mesas ao ar livre, serve pratos como polvo no forno, bacalhau com purê de batatas e ovo mole, e amêijoas, um tipo de molusco cozido no azeite e servido com limão, delicioso. Com um copo de vinho, o almoço custa cerca de 20 euros por pessoa.

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Mônica Nobrega, Lisboa / O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2017 | 04h28

Hotel Valverde 

Nada de ostentação e lobby gigantesco: a entrada do Hotel Valverde, na Avenida da Liberdade, é uma porta discreta que, inclusive, fica trancada durante a noite, o que exige que você toque o interfone se chegar tarde. Há uma sala de estar pequena junto da recepção, e tudo isso contribui para criar um clima de casa, não de hotel.  São apenas 25 quartos, de seis tipos e tamanhos. O meu, da categoria clássico (desde 246 euros, com café da manhã), tinha 30 metros quadrados e três janelas com varandinhas – uma delas no banheiro, que é lindo e superconfortável – e vista do Rio Tejo. 

Um andar abaixo da recepção está o grande trunfo do hotel. O bar-restaurante tem um ambiente interno, mas se espalha por um pátio ao ar livre com mesas, cadeiras grandes e sofás, além da piscina. São ali as happy hours diárias (abertas também a não hóspedes) e o café da manhã. Com antecedência de 15 dias, diárias em quarto mini (20 metros quadrados) começam em 165,60 euros. 

 

Hostels

Não é à toa que Lisboa é habitué das listas de melhores hostels do mundo. Além de boa infraestrutura e ambiente charmoso, os hostels da cidade ainda têm o trunfo de serem bem localizados. Fora de temporada, é possível reservar uma cama com café da manhã no The Independente por 15 euros – em pleno bairro Príncipe Real. E há ainda quartos privados com banheiro, as suítes, desde 160 euros.  No LX Factory, o The Dorm tem camas isoladas em pequenos cubículos à moda dos hotéis-cápsula japoneses, desde 21 euros. Com entrada dentro da Estação do Rossio, o Rossio Hostel tem preços a partir de 25 euros em média, por cama. 

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Sete colinas contra um modelo caduco de cidade

Com um olhar contemporâneo sobre a tradição e o patrimônio, a parte mais histórica de Lisboa reinventa seu apelo

Mônica Nobrega, Lisboa / O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2017 | 04h25

Depois de meses de obras que começaram em fins de 2015, o Cais do Sodré finalmente está livre dos tapumes. Há algumas semanas exibe novo visual: calçadão, espreguiçadeiras, restaurante, café, livraria, menos carros. 

A renovação de uma área importante para a história marítima da capital portuguesa representa um bom resumo da Lisboa turística de agora, essa que tem frequentado as listas de destinos mais descolados do planeta. E cujo segredo está em reinventar seu apelo por meio de um olhar contemporâneo sobre a tradição e o patrimônio. 

É na velha Lisboa que está a novidade. Em bares no topo de prédios, movidos a drinques e vista dos telhados e do Rio Tejo. Na hotelaria moderninha instalada em palacetes de séculos passados. Nos hostels diferentes de outros que você já viu pelo mundo, e que fazem da capital de Portugal uma referência nesse tipo de hospedagem. Na noite lisboeta, que dá sinais de ter se cansado um pouco do Bairro Alto e busca frescor na antiga área de bordéis, degradada até pouco tempo atrás. 

A onda novidadeira segue para o também histórico bairro de Belém, ponto de partida das navegações portuguesas nos séculos 15 e 16. Inaugurado em outubro, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) ergueu na margem do Tejo um edifício curvilíneo branco, ostensivo quando visto do chão firme, mas quase imperceptível se observado de um barco no meio do rio.

É um contraponto à monumentalidade acrítica dos vizinhos Padrão dos Descobrimentos e Torre de Belém. Uma provocação sintonizada com este tempo em que é preciso fazer perguntas em vez de apenas celebrar os ditos conquistadores. 

Do outro lado da cidade, o Parque das Nações segue sendo visitado graças ao Oceanário. Turistas vão até lá também para um passeio no teleférico que, a bem da verdade, liga nada a lugar nenhum. Mas, sem ter ainda completado 20 anos, data que será celebrada em 2018, a área já começa a envelhecer. 

Representa um modelo caduco de cidade, que prioriza carros e torres envidraçadas de escritórios e hotéis. Vale como um bate-volta a partir da Lisboa verdadeiramente moderna: a velha cidade-mirante assentada sobre sete colinas, caminhável e com história para contar. 

Sintra. A rede de transporte público dá conta das necessidades do turista. Há metrô e os fotogênicos bondinhos, chamados de elétricos. Trens suburbanos, os comboios, partem da estação Rossio, na Baixa Pombalina, centrão da cidade, para a vizinha Sintra, onde o News Museum (8 euros) foi inaugurado há pouco mais de um ano, em abril de 2016. 

O museu traça uma trajetória da imprensa portuguesa e mundial por meio de um acervo quase todo virtual e interativo. São vídeos, paredes transformadas em telas sensíveis ao toque e óculos de realidade virtual com informações e curiosidades suficientes para uma tarde. Dá até para brincar de ser apresentador de televisão, com performance filmada e publicada no YouTube. 

Prepare-se para mais crítica ao mundo como ele é. A exposição Macho Media, em cartaz até o fim do ano, questiona o machismo na imprensa. A histórica Lisboa tem olhado com atenção para o novo mundo. Mas de um jeito diferente. 

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