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Maceió sonha ser a capital junina

Evelyn Araripe - Especial para O Estado de S. Paulo

13 Maio 2009 | 18h 59

Ao ritmo do forró, seu carro-chefe, cidade tenta bater as gigantes em número de visitantes

Zabumba, sanfona e triângulo: durante dez dias o "trio parada dura" do forró pé de serra invade a capital alagoana e coloca 30 mil pessoas para dançar xote, xaxado e baião no Forró&Folia. A programação do maior arraial de Maceió conta com 20 trios de forró e 30 bandas locais e nacionais. Os ritmos, claro, vão além do forró, para agradar a todos os gostos e encher a cidade de matutos e prendas com vestidos de chita.

 

Vários cenários são montados para servir de palco para as atrações. Apesar da predominância do tradicional forró pé de serra, a cada ano novos estilos musicais ganham mais espaços no São João alagoano, como o forró eletrônico, o sertanejo, o brega e o axé. "O importante é que o ritmo seja o carro chefe da festa, mas nada impede que outros estilos façam parte do arraial. Isso também é espírito junino", justifica o organizador do Forró&Folia, o radialista Gilberto Lima.

 

Entre tantos ritmos e danças, na hora que bate a fome o público tem uma grande variedade de comidas típicas das festas juninas do Nordeste à disposição, sendo o milho o ingrediente mais saboroso. Aqui curau se chama canjica e canjica se chama mugunzá. Só a pamonha se chama pamonha mesmo, como no restante do País. Todas essas delícias, expostas ao lado de barracas de artesanato local, ficam concentradas em uma vila cenográfica que retrata uma típica cidadezinha do interior nordestino.

 

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Criado em 2000, o Forró&Folia caiu nas graças do povo alagoano e transformou Maceió em um grande arraial. Neste ano, os investimentos na festa chegam a R$ 1 milhão e os organizadores sonham em superar Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco, em público e arrecadação. Pode parecer ambicioso, mas se o pernambucano Luiz Gonzaga ainda fosse vivo, provavelmente sentiria orgulho da festa junina alagoana, onde a terra arde com a fogueira de São João no ritmo da Asa Branca e nas passadas dos milhares de casais que dançam até o dia clarear.

 

CANGAÇO

 

Para se preparar para os festejos juninos com muita sanfona e histórias de cangaceiros, as prefeituras de Água Branca, Delmiro Gouveia e Piranhas, cidadezinhas alagoanas que registraram várias passagens pela região do Rei do Cangaço, Lampião, se uniram para realizar o Forró, Sanfona e Cangaço.

O evento, com duração de três dias, terá debates sobre tradições cangaceiras, com a participação da filha de Lampião e Maria Bonita, Expedita Ferreira, e rodas de sanfona e forró com os melhores músicos do Estado de Alagoas.

 

linkForró&Folia:

20 a 30 de junho no estacionamento do bairro histórico do Jaraguá, a partir das 19h

 

CONCURSO LEMBRA CARNAVAL

 

A definição do tema é feita quase um ano antes. Daí para frente é iniciada uma maratona de ensaios de coreografias, ajustes nos ritmos e sons, confecção de figurinos e alegorias, tudo para se consagrar o grande vencedor. Não, não estamos falando do desfile de carnaval, mas do tradicional Concurso de Quadrilhas de Alagoas e uma das principais atrações do Forró&Folia.

 

Ao todo, 24 equipes da Liga das Quadrilhas Juninas de Alagoas (Liqual) se apresentam ao público que lota as arquibancadas do bairro histórico do Jaraguá. A campeã representa Alagoas em um concurso regional entre os nove Estados nordestinos.

 

Em 2009, Fortaleza, no Ceará, será sede da competição, que, de tão criativa, teve de ser dividida em três categorias: tradicional, estilizada e recriada.

 

No ano passado, 3 mil pessoas foram à Orla do Atalaia, em Aracaju, Sergipe, para ver a quadrilha "Arraiá Zé Testinha", do Ceará, levar o título de vencedora do concurso regional. Ela fez uma homenagem ao Rei do Cangaço, Lampião. O júri, composto por representantes de todos os Estados do Nordeste, avalia os quesitos entrada no arraial, animação, repertório musical, evoluções e coreografia, alinhamento, vestuário, marcador e casamento. Um verdadeiro quadrilhódromo nordestino.