Paulo Saldaña/Estadão
Paulo Saldaña/Estadão

Morar no exterior: as viagens podem ajudar

Fazer turismo é uma boa forma de encontrar pelo mundo um lugar para chamar de seu. Basta adaptar alguns hábitos de férias

Julie Lasky/The New York Times, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2016 | 15h45

Em fevereiro, o DJ canadense Rob Calabrese lançou um site convidando moradores dos Estados Unidos a se refugiarem em uma ilha da Nova Escócia. O site Cape Breton if Donald Trump Wins (Cape Breton se Donald Trump ganhar) recebeu 1 milhão de visitas. E foi uma resposta a um conhecido bordão: a ameaça de se mudar para o exterior se a política não agradar

No Brasil, o momento de acirramento político vem produzindo efeito idêntico: a polarização “vai pra Cuba” versus “vai pra Miami” virou parte do folclore nacional. 

A Associação de Americanos Residentes no Exterior estima que 8 milhões de naturais dos Estados Unidos morem em mais de 160 países. Quanto aos brasileiros, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e o Ministério das Relações Exteriores não têm uma estatística precisa: falam em algo entre 490 mil pessoas (pelo Censo de 2010) e 2,5 milhões, vivendo em pelo menos 190 países, com destaque para Estados Unidos (23,8%), Portugal (13,4%) e Espanha (9,4%). 

A maior parte dessas pessoas, claro, não deixou seus países de origem por desgosto político. Trabalho, estudo e a busca por qualidade de vida costumam ser os motivos para ir morar fora, de forma definitiva ou temporariamente. Seja qual for a razão, escolher para onde ir é um momento delicado e decisivo do processo. 

Depois da pesquisa sobre documentos exigidos de imigrantes em cada ponto do planeta, as viagens a lazer podem ajudar muito. Desde que você adote hábitos de férias para experimentar a vida real de moradores dos lugares onde você acha que gostaria de viver. Veja as dicas.

 

Leia mais: Tire dúvidas sobre documentos para viajar ao exterior

 

1. Hospede-se em imóvel alugado – e cuide da casa

Se você realmente quer sentir uma cidade, não fique em um hotel. Eles oferecem o que acham que você quer e se viram para garantir seu conforto. Em vez disso, encontre uma casa de verdade que permita experimentar a vida real. Ou seja, operar a lavadora de louças e o chuveiro, descobrir dias e horários de levar o lixo para fora, ver a dinâmica da vizinhança. Sites como o AirBnb.com e AlugueTemporada.com.br têm milhares de imóveis.

2. Vá ao supermercado. Achou seus itens preferidos? 

Da comida aos produtos de limpeza, é muito provável que você não encontre boa parte dos itens de que mais gosta. É preciso treinar: comprar uma vassoura nos supermercados dos Estados Unidos pode ser uma aventura nunca antes imaginada, com dezenas de modelos e finalidades. Decifrar a dinâmica das embalagens, porções e etiquetas de preços (em lugares onde os impostos não estão embutidos) é um passo adiante: você leva isso numa boa?

Use as dicas do Expat Info Desk, site fundado por George Eves, britânico baseado em Amsterdã, que produz guias para expatriados e já tem ao menos duas dezenas de destinos. Outra opção é testar mercados e restaurantes étnicos durante as férias: será que eles dão conta quando bater a vontade, por exemplo, de comer uma feijoada? 

3. Alugue um carro e faça também viagens curtas pelos arredores

É a melhor maneira de se ter uma noção da geografia da região e de descobrir para onde vai todo mundo nos fins de semana – e o nível de caos no trânsito que isso acarreta. Tenha em mente que os preços do combustível variam muito: em Hong Kong, por exemplo, custa R$ 6,38 o litro. Um estudo do aplicativo de trânsito Waze, com dados de 50 milhões de motoristas, considerou a Holanda o melhor país para se dirigir e El Salvador, o pior.

Considere o clima também daqui a 20 anos

O que pode parecer um clima agradável na primavera e no outono pode virar um inferno no verão ou ficar gelado demais no inverno. Se você nunca viveu no calor ou no frio extremos, pode descobrir na prática que não gosta de ar condicionado o tempo todo, ou que o aquecedor resseca as mucosas de forma desagradável quando usado continuamente.

Talvez valha também considerar o fator aquecimento global. Um índice da Universidade de Notre Dame coloca a Alemanha e a Islândia no topo da lista de países que melhor se adaptarão a ele, e o Chade, no fim.

Use as férias para testar estilos de vida na prática

Betsy Burlingame e Joshua Wood, que administram o site ExpatExchange.com, outro que traz dicas práticas para quem quer morar fora de seu país de origem, dizem que muitos dos usuários que pensam em se aposentar e viver na praia fazem disso um tema de viagem. “Começam a planejar antecipadamente e tiram férias há anos. Já foram para o Equador, a Costa Rica, as Filipinas. É assim que encontram um lugar", disse Betsy.

COLABOROU MÔNICA NOBREGA

 

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