Viagem

Mudanças recentes reforçam motivos para ir a Cuba - esteja você à esquerda ou à direita

Interesse pela ilha, 5ª colocada na lista dos melhores destinos para 2016 ao lado da Polônia, só cresce, com novidades como cruzeiros

08/12/2015 | 05h00    

Mônica Nóbrega - O Estado de S. Paulo

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Daqui a poucos dias, em 19 de dezembro, o Rio de Janeiro ganhará o futurístico Museu do Amanhã, em prédio assinado pelo arquiteto catalão Santiago Calatrava. Em frente, na Praça Mauá, funciona desde março de 2013 o Museu de Arte do Rio, famoso pela cobertura suspensa com design de onda. Os dois museus integram o projeto Porto Maravilha, uma ampla requalificação da região portuária da cidade. E são ícones de um Rio que se prepara para ser, mais uma vez, protagonista do turismo brasileiro (e mundial), como sede da Olimpíada de 2016.

Só isso justificaria a votação unânime que a cidade recebeu pelos jurados na escolha do Viagem de destinos para visitar no próximo ano. Mas há outra razão: neste 2015 de crise e dólar instável, muitos brasileiros estão trocando os destinos no exterior pelos nacionais nos seus planos de viagem. 

A tendência vem sendo detectada pela Sondagem do Consumidor: Intenção de Viagem, feita mensalmente pela Fundação Getúlio Vargas para o Ministério do Turismo. A pesquisa, em 2 mil domicílios e referente a novembro, detectou que, dos brasileiros dispostos a viajar nos próximos seis meses, 81,7% pretendem ir a destinos nacionais, e 13,8% ao exterior. Em novembro do ano passado, o Brasil foi escolhido por 79,6% dos entrevistados; roteiros internacionais estavam nos planos de 13,8%.

Tal preferência pelo Brasil levou a outra votação unânime, Fernando de Noronha, e na escolha de destinos internacionais mais baratos, de maneira geral.

Os motivos que levaram Cuba a ser o 5º destino mais votado você descobre a seguir. Para saber quais foram os outros nove lugares, quem foram os jurados e como a nossa eleição foi feita, clique aqui

5° CUBA

Entre os brasileiros politicamente mais inflamados, Cuba tem sido um dos lados de uma briga com a qual não tem nada a ver, supostamente oposta a Miami. Nossa dica: esteja você à esquerda, à direita ou em nenhum desses lugares, compre o quanto antes uma passagem para lá.

O interesse turístico pela ilha só faz crescer. Até agosto, o número de americanos que visitaram Cuba chegou a 89 mil, 54% superior ao ano de 2014 inteiro. No comparador de passagens Skyscanner.com, as buscas por Cuba aumentaram 26% de 2014 para 2015, segundo a gerente de Comunicação, Tahiana Rodrigues.

As armadoras MSC (desde R$ 1.222 por pessoa) e Carnival (desde US$ 2.990) anunciaram cruzeiros a Cuba desde Miami. A Gol pediu as autorizações necessárias para operar três voos semanais diretos entre São Paulo e Havana e aguarda os trâmites dos governos brasileiro e cubano. Por enquanto, a Copa é a companhia mais à mão – tem 28 frequências semanais a Havana (desde US$ 700) e quatro a Santa Clara, a cidade do mausoléu de Che Guevara (desde US$ 400), com saída de São Paulo e escala na Cidade do Panamá. 

“Minha gente, a hora é essa. Corre que abriu as porteira tudo!”, brinca Fábio Porchat. A verdade é que existe muito exagero no bordão alarmista que diz que é preciso ir a Cuba “antes que acabe”. Mas também um pingo de diagnóstico social e econômico. As mudanças aceleraram em 2008, ano da posse de Raúl Castro em substituição a seu irmão, o mito Fidel. A retomada das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba, em julho, vem mudando mais as coisas. 

No ritmo atual, a capital Havana vai precisar de décadas para se reconfigurar – o que seria uma pena – ou restaurar seu imenso patrimônio colonial espanhol, atualmente arruinado, com poucas exceções no bairro de Havana Velha e na linha de prédios diante do Malecón, o calçadão na orla. Os carros dos anos 50, Ladas russos e Cadilacs americanos, seguem rodando como táxis ou veículos de aluguel para turistas, mas agora convivem com modelos chineses. 

Os paladares, restaurantes familiares em garagens ou imóveis mínimos, proliferam, bem como os quartos para aluguel em casas de moradores, tudo como consequência da recente autorização para pequenos empreendimentos independentes do governo. O AirBnB.com já tem imóveis cubanos em seu catálogo, mas sem possibilidade de reserva desde o Brasil, por enquanto. 

Por outro lado, cadeias internacionais vêm elevando a antiquada oferta hoteleira na ilha com inaugurações pontuais, como o Pestana, resort all-inclusive no balneário de Cayo Coco (desde US$ 134 para dois, bit.ly/pestanacayococo), e o Meliá Marina, em Varadero (desde R$ 1.020 por quarto; bit.ly/meliamarina), ambos abertos em 2013. 

Santiago, além de segunda maior cidade de Cuba e antiga capital, é o berço do grupo musical Buena Vista Social Club; em qualquer centro cultural, sempre haverá alguém para batucar ou dedilhar Chan Chan, canção composta por Compay Segundo que estourou com o documentário de 1999 do cineasta Win Wenders.