Victor Collor
Victor Collor

Na África do Sul, safári, vinhos e vibe urbana em meio ao luxo

Durante duas semanas, repórter experimentou o cardápio básico do país, com serviço, hospedagem e gastronomia cinco-estrelas

Sofia Patsch, MADIKWE GAME RESERVE / O ESTADO DE S.PAULO

25 Julho 2017 | 05h00

A primeira coisa que vem à cabeça quando se pensa na África do Sul são seus famosos safáris. Sim, trata-se da experiência must go do destino. Mas o país africano oferece muito mais do que aventuras na savana e observação de animais selvagens. Talvez por isso esteja tão em alta entre os brasileiros que gostam de viajar. Com muita vontade de conhecer o destino, no começo deste ano me juntei a três amigos igualmente curiosos pela África do Sul e montamos a nossa viagem. 

A primeira boa notícia é que a África do Sul oferece experiências tão luxuosas quanto a Europa e os Estados Unidos, mas com uma vantagem importante nestes tempos: não pesa tanto no bolso do brasileiro – R$ 1 equivale a 3,91 rands, a moeda local. Os 15 dias que reservamos para nossa viagem se mostraram perfeitos. Conseguimos fazer tudo o que queríamos e ainda descansar (mas só um pouco, confesso). 

Decidimos começar pelo inescapável safári, o que se mostrou uma tática acertada, já que o contato com os bushmen – como são chamados os homens que moram e trabalham na selva – faz com que se mergulhe mais rápido no clima e na encantadora cultura sul-africana.

Depois de quatro dias intensos de safári, seguimos para a região de Franschhoek e Stellenbosch, onde ficam as maravilhosas vinícolas sul-africanas. Lá tiramos três dias para ficar de pernas para o ar, comendo sem parar, tomando muito vinho e apreciando a paisagem deslumbrante das montanhas. Luxo puro. 

Das vinícolas seguimos para a Cidade do Cabo, para a qual reservamos seis dias de viagem, pois há muito a ser visto e descoberto. A cidade costuma ser comparada ao Rio de Janeiro, o que se deve, principalmente, a dois fatos: fica à beira-mar e é cercada por natureza deslumbrante, com destaque para a Table Mountain, uma das sete maravilhas naturais do mundo. 

A cidade também é repleta de restaurantes com menus autorais de chefs renomados – um ótimo destino, portanto, para aqueles que apreciam a gastronomia de alta qualidade. 

Como ir à África do Sul

Para o roteiro desta reportagem, uma opção é comprar a ida a Johannesburgo e a volta desde a Cidade do Cabo. Inclua um voo entre Johannesburgo e a Cidade do Cabo no meio da viagem: o preço fica, em média, R$ 2.500 com a South African. A Latam voa SP–Johannesburgo–SP, desde R$ 2 mil. Valores pesquisados para agosto, em voos diretos. Site: southafrica.net.

Leia mais: Aqui, você encontra dicas para curtir também Johannesburgo

 

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Sofia Patsch, MADIKWE GAME RESERVE / O ESTADO DE S.PAULO

25 Julho 2017 | 04h30

O Parque Nacional Kruger é a mais conhecida opção para quem procura fazer safári na África do Sul, mas o país oferece muitas outras reservas, menos divulgadas e igualmente conceituadas. Foi buscando lugares mais exclusivos que encontramos a Madikwe Game Reserve, uma das maiores áreas de conservação do sul do continente africano, na divisa com Botsuana, a 4h30 de carro de Johannesburgo. 

A reserva impõe restrições ao número de visitantes e carros circulando. Com 75 mil hectares, está em uma área considerada livre do mosquito da malária. Os safáris são divididos em dois turnos: o primeiro sai às 6 horas da manhã – e, dependendo da estação do ano, pode brindar o visitante com um ventinho bem frio. É bom levar um casaco. Já o segundo turno sai às 15h30 e volta ao anoitecer. Em média, os passeios duram de três a quatro horas e são liderados pelo ranger – como são chamados os guias que conduzem os safáris. O nosso se chamava Sean, um especialista nos bichos da reserva, que ele chama pelos nomes. 

Como não se trata de um zoológico, nem sempre dá para ver todos os animais de primeira. Dentro os chamados big five, os cinco mamíferos selvagens de grande porte mais difíceis de serem encontrados e caçados pelo homem – leões, elefantes, búfalos, leopardos e rinocerontes – demoramos três dias para achar os leões, por exemplo. E eles são, mesmo, intimidantes. 

É como um jogo de esconde-esconde. O guia segue as pegadas e checa informações com outros guias para encontrar os animais. Em um dos passeios, deparamos com uma manada de cerca de 300 búfalos, considerados os mais perigosos dentre os big five, experiência bastante amedrontadora. Na reserva Madikwe vivem ainda cachorros-selvagens e guepardos, formando assim os “super seven”. 

Projeto. Com os guepardos vivemos uma experiência rara: acompanhamos o processo de troca de colar de um macho da espécie. A ação é parte Projeto Cheetah, patrocinado pelo lodge Rhulani, onde ficamos hospedados, que consiste em criar na reserva uma população estável e própria desses animais, considerados os mais velozes do mundo – chegam a atingir uma velocidade de mais de 110 quilômetros por hora. 

Posso dizer que eu e meus amigos nos sentimos protagonistas de um programa do Discovery Channel. Com nosso guia, fomos ao local onde os felinos descansavam após a refeição. Eram dois irmãos machos, de aproximadamente 4 anos de idade. No outro carro estavam o veterinário e mais alguns visitantes. Com uma espingarda de pressão, o veterinário anestesiou um dos bichos – uma cena de cinema – e seu irmão, assustado, saiu correndo. Já fora de combate, todos nós, atônitos, descemos do carro para observar o guepardo mais de perto. E acariciá-lo, enquanto o veterinário trocava seu colar de identificação. 

À luz de velas. Em nossa última noite no lodge Rhulani, participamos de um “jantar Boma”, comemoração que só pode ser feita em noites de tempo bom, sem vento e chuva. Sob a lua cheia, enquanto nos deliciávamos com a comida, fomos surpreendidos com uma cantoria, que vinha da cozinha e ficava, a cada segundo, mais e mais próxima. Até que os funcionários do hotel chegaram em nossa mesa e iniciaram um show exclusivo, cantando e dançando as canções populares das muitas tribos que compõem a África do Sul. A voz de alguns deles era de impressionar.

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Sofia Patsch, FRANSCHHOEK / O ESTADO DE S.PAULO

25 Julho 2017 | 04h29

As vinícolas sul-africanas estão entre as mais badaladas do mundo. Escolhemos passar dois dias na luxuosa Leeu Estates  (diária de R$ 3.500). Escondida em meio às montanhas do Vale de Franschhoek, região perfeita para o plantio das uvas, ela fica em um vilarejo charmoso, a 40 minutos da Cidade do Cabo.

A propriedade, pensada e construída pelo magnata indiano Analjit Singh, é a tradução da sofisticação. Tudo lá é projetado para impressionar. O jardim, de 2,3 hectares, foi inspirado na história do vale, que, antigamente, como toda a África, era o lar de centenas de animais selvagens. Dos estratégicos bancos distribuídos pela propriedade é possível apreciar a vista exuberante das montanhas, além dos pomares de ameixa e dos vinhedos que se misturam às estátuas de bronze do artista Otto du Plessis, uma delas da deusa Diana, da floresta e dos animais. 

Na propriedade são cultivadas as uvas cabernet franc, cabernet sauvignon e cinsault, que podem ser degustadas nos rótulos Mullineux & Leeu Family Wines. 

A casa onde ficamos hospedados é do século 19 e tem herança arquitetônica holandesa, que foi devidamente mantida quando o prédio passou por reformas, em 2012. Atualmente, a casa preserva o antigo em contraponto com o novo, numa mistura de design sofisticado e ambiente descontraído. É na sede que fica o restaurante The Dinning Room, comandado pelo chef Oliver Cattermole, que já passou por diversas casas londrinas antes de apresentar sua gastronomia de fusão, com ingredientes sazonais e orgânicos, para os hóspedes do Leeu. 

Para completar os dias de dolce far niente, aproveitamos a piscina de fundo infinito da propriedade – onde presenciei um pôr do sol inesquecível, que tingiu o céu de tons de rosa – e usamos e abusamos do spa. Definitivamente, a vinícola Leeu Estates foi criada para o descanso do corpo e da alma. 

Para variar, do mesmo dono da vinícola, o restaurante The Marigold é um tradicional indiano que fica na romântica vila de Franschhoek. A charmosa cidadezinha é ótima opção de passeio. Mas atenção: tudo fecha muito cedo na região. Às 23 horas já está todo mundo na cama. Portanto, programe-se para passear e jantar cedo. 

Melhores amigos das garotas. Para quem aprecia luxo, bom gosto, arte e diamantes, outra vinícola que não pode faltar no roteiro sul-africano é a Delaire Graff, que fica na estrada de Helshoogte, em Stellenbosch. O almoço no terraço do Delaire Graff Restaurante, sob centenários carvalhos já amarelados pela chegada do outono, foi inesquecível. Também vale fazer um tour pela extensa coleção de arte e conhecer os famosos diamantes Graff, que ficam expostos em uma sala blindada. 

Também em Stellenbosh, a vinícola Tokara não é apenas lar de algumas das melhores cepas da África do Sul. Lá também é possível degustar azeite extra virgem diretamente da torneira. 

Acompanhamos o processo de fabricação, desde a colheita das azeitonas em belíssimas oliveiras, passando pela moagem e a extração, até se transformar no precioso líquido. A visita termina com a recompensa merecida: confortavelmente instalados em mesas com vista para as oliveiras, degustamos o azeite fresco com ajuda de pão ciabatta quentinho. Divino! 

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Sofia Patsch, CIDADE DO CABO / O ESTADO DE S.PAULO

25 Julho 2017 | 04h28

Chegamos à Cidade do Cabo após uma semana de viagem pela África do Sul. A charmosa cidade-mãe, como foi carinhosamente apelidada por seus moradores, é cercada por belas paisagens, incluindo a onipresente Table Mountain, que pode ser admirada de praticamente qualquer ponto que se esteja. A montanha é considerada uma das sete maravilhas naturais do mundo e ostenta, de fato, uma beleza impressionante. 

O clima da cidade é um tanto instável: o céu pode estar aberto e fechar subitamente, portanto, é sempre bom estar atento para não perder a oportunidade de visitar a Table Mountain. Para chegar ao cartão-postal da Cidade do Cabo é preciso pegar um bondinho (como o do Pão de Açúcar, no Rio). A vista lá de cima vale a aventura: deslumbrante. Para os mais destemidos, a volta pode ser feita de asa-delta e ou parapente.

Outro ponto turístico essencial da cidade é o porto Victoria & Alfred Waterfront. Ali é possível encontrar muitos restaurantes, museus, shoppings, marcos históricos e atrações para toda a família, como a roda-gigante de 50 metros de altura. É do porto que saem os barcos para visitas à Robben Island, onde fica a famosa prisão na qual Nelson Mandela passou 18 anos encarcerado – hoje desativada e que mantém, intocada, a cela do ex-presidente sul-africano.

A Cidade do Cabo também é a base para se visitar o famoso Cabo da Boa Esperança, a 50 quilômetros de distância por uma estrada com paisagens exuberantes do Parque Nacional da Península do Cabo. 

O cabo é citado por navegantes desde o século 15 por ser o meio do caminho entre o Ocidente e o Oriente, e ostenta também um belíssimo pôr do sol. Atualmente, há alguns excelentes beach clubs no local. Destaque para Camps Bay, a praia mais procurada da região, onde se pode tomar um drink enquanto se aprecia o horizonte azul. 

Lado errado. Na África do Sul, o sistema de direção é a mão inglesa. Por isso, se você não tem muita familiaridade em dirigir no “lado errado” do carro e das vias: contrate um serviço de transfer. Optamos pelo Kobo Safaris (kobo-safaris.com), que nos levou para todos os passeios de forma confortável e segura, com direito a um guia que nos contou histórias sempre intrigantes dos lugares por onde passávamos, o que deixou a viagem culturalmente muito mais rica. 

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O Estado de S.Paulo

25 Julho 2017 | 04h27

The Old Biscuit Mill

Em áreas mais distantes dos cartões-postais tradicionais, a Cidade do Cabo tem uma interessante cena enogastronômica com vibe jovem e descolada. Um dos programas mais interessantes é o The Old Biscuit Mill, feira de rua que ocorre aos sábados em Woodstock, um emergente bairro industrial da cidade. Além de encontrar moda, arte, artesanato e restaurantes, também é possível comer e beber bem e barato nas barracas do Neighbourgoods Market, que acontece dentro da feira. Dica importante: chegue cedo, pois às 14 horas o pessoal já começa a recolher tudo. 

 

The Pot Luck Club

Outro destaque é a The Test Kitchen, rede de restaurantes sul-africanos que revolucionou a gastronomia do país. Comandada pelo premiado chef inglês Luke Dale Roberts, ela abarca quatro restaurantes que figuram entre os melhores de lá. Visitamos dois deles. O The Pot Luck Club é considerado o mais descolado da Cidade do Cabo, muito por causa de seu ambiente descontraído e dos ótimos drinks. Uma boa ideia é compartilhar os pratos com os amigos. Fica em Woodstock, no mesmo local da feira The Old Biscuit Mill.

The Short Market Club

Também da rede The Test Kitchen, o The Short Market Club fica em um edifício antigo e com decoração moderna e acolhedora. O restaurante serve um menu fixo sazonal, que custa entre 280 e 360 rands (R$ 68 a R$ 87) – o preço depende de sua escolha na carta de vinhos. 

Para os mais animados, apenas uma porta separa o restaurante do Outrage of Modesty, bar com pegada underground, onde tomamos os melhores coquetéis de toda a viagem.

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Sofia Patsch, O ESTADO DE S.PAULO

25 Julho 2017 | 04h26

Durante toda a viagem, hospedagens cheias de luxo e conforto ajudaram a tornar ainda mais exclusivos nossos dias na África do Sul. Conheça.

Rhulani  

Desde R$ 2.395. O lodge na Madikwe Game Reserve foi recomendado por amigos. O proprietário, Rolf, já morou em São Paulo e adora receber brasileiros para matar a saudade de falar português. O local tem nove quartos impecáveis; a banheira tem vista para a savana. Há também uma lareira feita de pedra e piscina privativa. Da varanda é possível avistar elefantes, impalas e zebras em seus passeios diários. A hospitalidade do lodge é marcante: diariamente após os safáris éramos recebidos com toalhas aquecidas para limpar as mãos e uma taça de vinho do Porto, detalhes que fizeram toda a diferença.

The Table Bay Hotel

Diária desde R$ 930. Da rede Sun Internacional, o hotel está para a Cidade do Cabo assim como o Copacabana Palace para o Rio de Janeiro. Inaugurado em 1997 por Nelson Mandela, o edifício de estilo clássico está situado de frente para o Victoria & Alfred Waterfront. O café da manhã tem do trivial pão com manteiga a ostras frescas e sushi. O hotel é integrado a um shopping, e o restaurante Camissa Brasserie oferece um jantar sensorial que promete aguçar os sentidos. 

Taj Cape Town

Diária desde R$ 800. O hotel faz parte da luxuosa cadeia indiana de hotéis, com serviço cinco-estrelas de spa, restaurante, concierge e guia para seus hóspedes, que também são servidos com um chá da tarde no estilo britânico. Ocupa um edifício histórico no centro da Cidade do Cabo, onde também estão pontos como a Catedral de St. Georges e a Greenmarket Square, onde fica o famoso mercado homônimo de produtos, roupas, artesanato e souvenirs de povos africanos. 

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