Juliana Sayuri/Estadão
Juliana Sayuri/Estadão

Na estrada para descobrir ruínas, pedras e vales de norte a sul

JERASH - Dizem que a jornada é mais importante que o destino. A expressão pode traduzir uma bela aventura na Jordânia, onde o tom de terra se mistura estrada afora entre construções, rochas e ruínas sob um singular céu azul. O país abriga fragmentos de história religiosa importantes para católicos, judeus e muçulmanos. Mas a simples ideia de peregrinar por esse território também conquista viajantes laicos: as travessias - estradas, desertos, mares, pedras, vales - certamente valem a viagem.

Juliana Sayuri , O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2013 | 02h23

Partindo de Amã, rumo ao norte, os 43 quilômetros de estrada vão se tornando mais verdes até chegar a Jerash, numa planície arborizada onde vivem 200 mil habitantes, na maioria agricultores dedicados ao cultivo de azeitonas. Caminhar entre as pedras dessa cidade romana, conquistada por Pompeu em 63 a.C. e arqueada por Adriano em 129 d.C., é uma lição de história ao ar livre.

Outra estrada, ao sul, leva a Madaba, a cidade dos mosaicos. Após uma imensidão de areia, uma brisa e um pouquinho de maresia aliviam momentaneamente o sol nas costas. Nesse cenário, as linhas vão se perdendo: o céu se mistura à terra que se mistura ao Mar Morto, visto ao longe a partir do Monte Nebo. Ali, Moisés teria avistado a Terra Prometida.

Na estrada paralela ao Mar Morto, um contraste fisga o olhar: de um lado, modestíssimos campos de beduínos com seus camelos; de outro, resorts cinco-estrelas (como o Kempinski) e spas (como o Hot Springs - Hammamat Ma'in), privilegiados pelas riquezas naturais do entorno. Entre os dois universos continuamos na estrada sem avistar cidades, impraticáveis diante do clima tórrido do Mar Morto, 427 metros abaixo do nível do Mar Mediterrâneo.

A poucos quilômetros está Betânia, onde João Batista teria batizado Jesus Cristo. Esse pedacinho do Rio Jordão é atualmente área militar, e é preciso autorização para visitá-lo. A caminhada é breve. Israel é visto logo ali - a 5 metros de distância, na outra borda do rio. Do lado jordaniano, turistas japoneses admiram o rio num píer rústico de madeira, entre árvores e iPads. Do lado israelense, turistas americanos de quepe branco se empoleiram em escadarias modernas para tocar a água sagrada.

Mais ao sul está Karak, que abriga um castelo das cruzadas, do século 12. O castelo é uma fortaleza desde os tempos bíblicos, pensada para defesa, com arcos e janelas perfeitos para a artilharia. No caminho, é interessante notar o fluxo caótico da cidade, com ruas tortuosas apinhadas de carros e mercadores, que param se e onde quiserem. Observe como os árabes negociam preços de seus produtos.

No extremo sul do país está Ácaba. Antes de pisar na cidade, um desvio na rota para mirá-la desde um barco no Mar Vermelho, além de mergulhar no litoral azul cristalino para ver os corais coloridos de perto. De longe, a vista alcança as cidades de Taba, no Egito, e Eilat, em Israel. Depois vale experimentar o churrasco jordaniano (com babaganoush, homus e tabule, sempre, kafta e pão pita). O passeio custa 40 dinares (R$ 91, com mergulho e almoço).

*Viagem a convite de Jordan Tourism Board.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.