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Na imensidão, o som do silêncio

Contemplar as planícies arenosas e esculturas naturais é a principal atividade no deserto de Wadi Rum. Seja em tours de camelo ou nos velozes veículos 4X4

Angela Perez/ WADI RUM ,

30 Agosto 2011 | 05h00

Para quem nunca tinha nem sequer acampado, dormir no deserto representava um desafio. Mas apenas até a chegada ao Captain’s Camp, camping turístico montado no deserto de Wadi Rum. Enfileiradas e protegidas por um paredão rochoso, tendas semelhantes às dos beduínos nos aguardavam. Construídas com um tecido grosso de lã de dromedário, estavam devidamente equipadas com camas, cobertores e edredons. Do lado de fora havia banheiros coletivos, separados por sexo. Nenhuma dificuldade, portanto.

Chegamos à tarde e logo saímos para um passeio de camelo. A paisagem - reconhecida pela Unesco como Patrimônio da Humanidade - impressiona. Também chamado de Vale da Lua, o deserto guarda planícies arenosas e imensas formações rochosas esculpidas pelo tempo. São paredões que se erguem da areia em contrastes cinematográficos provocados pelos jogos de luzes e sombras. O Monte Um Dami, na foto, é um exemplo.

 

Outros são os Sete Pilares da Sabedoria. Gigantescas, as esculturas naturais foram batizadas com o mesmo nome do livro do britânico T. E. Lawrence, conhecido como Lawrence da Arábia (1888-1935), que lutou com os árabes contra o domínio do Império Otomano durante a 1.ª Guerra Mundial.

 

Aliás, grande parte do longa Lawrence da Arábia (1962), com Peter O’Toole no papel principal, foi filmado justamente em Wadi Rum - onde o militar britânico e o rei Faisal mantiveram um quartel-general durante a revolta árabe, em 1917 e 1918.

Festa. Graças à orientação prévia do guia Ibrahim Al-Wahsh, todo o grupo teve o cuidado de comprar, no souk de Amã, trajes típicos. E assim, a caráter, fomos recebidos por dois músicos em um autêntico ambiente beduíno. Vestidos com o dishdasha, túnica branca usada pelos homens, e com o tradicional lenço quadriculado vermelho e branco na cabeça, os beduínos serviram o prato principal, zarb - carne de cordeiro com legumes assada durante três horas em um buraco na areia - , e acompanhamentos como pão fresco, saladas, homus e babaganuche. Animados com o clima e incentivados pelo guia, alguns turistas chegaram a arriscar passos de dabke, dança típica árabe.

 

Mesmo com toda a animação e disposição dos participantes, a festa tem hora para terminar. Às 23 horas os geradores são desligados, o que não chega a ser má ideia. Assim, no escuro absoluto, o céu salpicado de estrelas fica ainda mais bonito. Uma bela visão antes de se recolher à tenda. A diária no Captain’s Camp (captains-jo.com) custa US$ 50 (R$ 80), com café da manhã.

Adrenalina. Na manhã seguinte, o ritmo tranquilo do passeio de camelo é substituído por acelerados veículos 4X4 (de US$ 21 a US$ 84, ou R$ 33 a R$ 134 por pessoa, dependendo do percurso). Acomodados na carroceria, os visitantes sacolejam e veem passar dunas e paisagens impressionantes.

Se o grupo se animar, os guias fazem até uma parada para uma pelada. E deixam que os próprios turistas concluam, depois de alguns minutos e poucos gols, que aquele não é o lugar mais apropriado para rolar a bola.

Wadi Rum é o lugar mais indicado na Jordânia para turismo de aventura. Trekking, escalada, cavalgada ou passeios panorâmicos em ultraleve e balão (130 dinares jordanianos ou R$ 290 por pessoa) são possíveis no imenso vale, o maior da Jordânia. São opções para desfrutar da beleza natural do lugar - e constatar que o nome do deserto, cuja tradução é "o som do silêncio", foi mesmo muito bem escolhido.

 

Saiba mais

Passagem aérea: o trecho São Paulo - Amã - São Paulo custa a partir de R$ 2.311 na Turkish (turkishairlines.com), R$ 2.635 na Qatar (qatarairwais.com) e R$ 2.866,33 na Emirates (emirates.com). Voos com escala.

Visto: turistas de qualquer nacionalidade precisam de visto. Detalhes no site visitjordan.com

Moeda: 1 dinar jordaniano vale R$ 2,26

Melhor época: as temperaturas são mais amenas na primavera, entre abril e maio, e no outono, entre setembro e outubro

Horários: como ocorre nos países de maioria muçulmana, a sexta-feira equivale ao domingo ocidental. É dia de descanso e quase todo o comércio fica fechado

 

 

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