Na savana, o leão. No mar, quem reina é o tubarão

Esta é a época ideal para mergulhar com o 'ator' do filme de Spielberg. Há opções perto de Durban e da Cidade do Cabo

Bruna Tiussu, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2010 | 01h55

Não haveria melhor época para um safári subaquático no país-sede da Copa. Quando a disputa começar no gramado, outra maratona estará rolando no fundo do mar. Do fim de maio a meados de julho ocorre a anual "corrida das sardinhas": milhares de peixes da espécie migram para o Oceano Índico atraindo predadores de todo tipo. É a grande chance de o turista juntar coragem e experimentar um mergulho na companhia de baleias, focas, golfinhos e, claro, dos temidos tubarões.

A costa sul-africana divide com a australiana o posto de melhor destino para mergulhar com as feras. Quem fica em Durban tem boas opções ao redor, como o Aliwal Shoal, a 30 minutos de carro. A zona ganhou fama pelos pináculos e pelas grutas que escondem riquezas marinhas, e pela concentração de arraias e tubarões-tigre. Em aventuras mais profundas dá para ver dois grandes naufrágios.

Um pouco mais distante, a uma hora e meia dirigindo a partir de Durban, chega-se a Protea Banks, onde a atividade começou a se desenvolver no início dos anos 1990, quando passou a ser vista com bons olhos. Cerca de 20 espécies de tubarões são vistas ali, entre elas o martelo, o boi, a galha-preta e o tigre, o que faz do local um dos mais indicados para a prática.

As operadoras não garantem, mas especialistas afirmam que a probabilidade de os animais aparecerem neste período beira os 100%. A atividade dura cerca de 90 minutos e iniciantes são bem-vindos: a prática pode ser feita apenas com snorkel, não é necessário ter experiência. Com a ajuda de iscas, instrutores atraem os tubarões para a superfície da água, e o mergulhador pode, literalmente, nadar ao lado deles.

Cara a cara. A pacata vila de Gansbaai, a 180 km da Cidade do Cabo, tem toda a estrutura turística voltada para o mergulho com as feras. Mas quem vai até lá não busca exemplares de qualquer espécie. O local é a famosa morada dos grandes - e apavorantes - tubarões-brancos, que assustaram (e assustam até hoje) plateias inteiras durante a exibição do filme Tubarão, de Steven Spielberg.

Como a primeira imagem que nos vem à mente é a daquela boca enorme exibindo sem culpa uma coleção de dentes ferozes, tranquiliza muito saber que o mergulho para vê-los é feito em gaiolas de alumínio. Ainda mais quando se descobre que o peso médio da espécie é de duas toneladas distribuídas em seis metros de comprimento...

Apenas oito operadoras são licenciadas para oferecer o mergulho com os gigantes, e os interessados podem agendar passeios de um dia nos hotéis da Cidade do Cabo. Os barcos - capazes de transportar de 10 a 30 pessoas - normalmente partem de Gansbaai às 8 horas e levam de 20 a 25 minutos para chegar ao local ideal para a prática, devidamente batizado de Shark Alley.

O número de mergulhadores em cada descida depende do tamanho da gaiola usada na atividade. Há a opção de utilizar cilindro ou apenas snorkel, e o tempo de permanência na água é combinado com o grupo.

A primeira atitude dos instrutores é atirar iscas para chamar os animais. Minutos depois, abaixam a jaula com os corajosos mergulhadores posicionados. Então, é só aguardar os grandes brancos se aproximarem - além de se esforçar para controlar o nervosismo.

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