Bruna Toni|Estadão
Bruna Toni|Estadão

Na Serra Gaúcha, saiba onde ir e o que fazer em Canela

A 15 minutos da vizinha mais famosa, cidade da dobradinha gaúcha tem charme próprio e atrações de peso – além de hospedagens quase 50% mais baratas

Bruna Toni, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2015 | 05h00

É difícil imaginar como seria Chitãozinho sem Xororó, Oscarito sem Grande Otelo, Marx sem Engels, Cartola sem Dona Zica. Muitas vezes, porém, um quê de injustiça faz com que a fama recaia apenas sobre uma das partes da dupla – ainda que a outra seja indispensável. Isso ocorre também com lugares, cujo exemplo mais conhecido talvez seja a dobradinha gaúcha Gramado e Canela.

Por muitos motivos, que circulam entre os campos econômico e político, Canela parece ter ficado na rasteira da vizinha Gramado, cada vez mais fervorosa e para onde se voltam os holofotes na maior parte do ano. Um passeio atento entre as duas cidades, porém, revela, senão uma independência de Canela, ofertas culturais e de lazer próprias, essenciais a quem quer conhecer a Serra Gaúcha.

Saber exatamente quando se está em um ou em outro município ao longo da estrada que os liga e onde estão concentrados museus, parques, cafés coloniais e outras atrações – a maioria no roteiro do Bus Tour – é um desafio. Sem limites claros, a referência é a chegada ao seu centro, menos movimentado do que o de Gramado e, por isso, com mais ares de região interiorana e pacata.

Andar por Canela em uma manhã teimosamente chuvosa e de neblina espessa é como estar em alguma cidade europeia. A impressão encontra justificativa não só no clima, mas também na história.

Assim como Gramado e outros municípios do Sul do País, Canela é marcada por um passado construído pelas mãos de imigrantes portugueses, alemães e italianos, cujo resultado está, antes de tudo, em suas construções: casas de jardins organizados, cores sóbrias e telhados de caída íngreme, daqueles por onde a neve pode escorrer caso venha – e às vezes vem.

Fugir do trânsito e de qualquer aglomeração que grandes eventos provocam é um dos motivos que faz com que muitos turistas prefiram se hospedar em Canela. O outro é o valor das diárias, quase a metade do cobrado nas hospedagens da cidade vizinha.

Claro que se perde um pouco na comodidade de ir andando ao centro de Gramado, onde a vida noturna acontece. Mas de carro – táxi de uma cidade a outra sai cerca de R$ 80 ida e volta – o trajeto é curto e pode valer a pena. Durante o dia, ônibus são boas opções.

A Cascata do Caracol é programa fundamental em Canela, mas há outras atrações que valem sua visita. Confira.

Parque Estadual do Caracol

parquedocaracol.com.br

“Se eu tivesse de escolher um único lugar para visitar em Canela, qual seria?”, perguntei a alguns moradores assim que cheguei, em uma manhã nublada de sábado, ao centro da cidade. A resposta foi a mesma: a cascata do Parque Estadual do Caracol.

 Na rota dos ônibus turísticos, há dois caminhos para chegar lá: a pé ou com os bondes aéreos (R$ 39 adulto; parquesdaserra.com.br), que levam a três plataformas (a mais alta a 261 metros de altura) acima da cascata, onde fica o mirante e uma trilha para o Espaço Esculturas que Falam.

 Apesar de curto, o caminho revela um pouco da fauna e da flora da região e algumas surpresas – como o fato de a erva-mate, usada no chimarrão, ser uma árvore comprida e imponente que chega a 6 metros de altura. A descoberta termina em um galpão com 85 animais de madeira feitos pelo escultor Masaharu Hata que emitem sons como instrumentos musicais.  Descendo na direção da cascata, os bondinhos, com capacidade para oito pessoas, fazem uma parada estratégica para observar a queda d’água em meio à peculiar neblina – se quiser uma foto profissional ali, negocie os R$ 15 cobrados. Na volta, há a opção de descer em uma tirolesa de 170 metros e 40 quilômetros por hora (R$ 20) e tomar um chocolate quente na lanchonete da Márcia, o Botequim do Tiello (R$ 10).

Museu da Moda

museudamodadecanela.com.br

A sofisticação de um enorme prédio branco na Rodovia Canela – Gramado chama a atenção. Mesmo com pouco tempo, a entrada no Museu da Moda (R$ 35) foi inevitável. O MUM esbanja luxo e riqueza, não apenas pelo bom gosto de sua decoração ou pelos trajes, acessórios e materiais que expõe de forma interativa e cuidadosa, mas pela proposta: resgatar a trajetória da humanidade a partir do vestuário feminino em uma perspectiva histórica, social e cultural.

São 4 mil anos reconstruídos em peças que vestiram mulheres da Antiguidade até os anos 1990 – há uma área com dez cópias dos vestidos leiloados por Lady Di em 1997. Em uma época em que a emancipação feminina ainda é discutida em vários setores, o passeio se faz mais do que atual.

Mundo a Vapor

mundoavapor.com.br

Não se assuste ao passar por uma parede de pedra atravessada brutalmente por um trem. A cena, que reproduz o acidente real ocorrido na estação Montparnasse, na França, em 1895, é a porta de entrada para o Mundo a Vapor (R$ 22), um parque temático com réplicas fabricadas pelos irmãos Urbani, idealizadores do local, desde 1950.

 Trata-se de um passeio pela história do vapor. Tudo começa em uma maquete gigante que mostra os trilhos de um antigo trem, desativado na década de 1960, que ligava Porto Alegre a Canella – sim, com dois “L” como na grafia da época. E termina com um tour pela área externa do parque, em um simpático e apertado trenzinho.

Com um guia para cada réplica, conhecemos o funcionamento de uma siderúrgica, olaria, pedreira, usinas, fábricas de ervas e de papel – em 2016, os guias brincam, a ideia é produzir dólar ao invés de dinheiro de papel reciclado entregue como souvenir –, moinho e até atividades que dependiam da força animal, como assar alimentos. É espantoso notar que ações tão corriqueiras tenham sido tão custosas séculos atrás.

 Casas e oficinas antigas também estão representadas, dentro dos padrões das construções dos colonizadores alemães. Aproveite para tirar uma foto com roupas de época (a partir de R$ 35 por foto). 

Catedral de Pedra

O primeiro ponto de parada de quem chega com o Bus Tour é a Catedral Nossa Senhora de Lourdes, mais conhecida como Catedral de Pedra. De longe, a forte neblina só permitia ver seu contorno. Mesmo assim, seu estilo gótico inglês prende a atenção e se contrapõe à arquitetura clássica inspirada nos casarios alemães. Do lado de fora, a igreja é cercada pelo colorido das hortênsias – à noite, ela ganha iluminação especial durante o Natal. Dentro, vitrais coloridos, paredes de tons claros e pinturas deixam a alma mais leve. 

EM CANELA, "SONHO DE NATAL" ATRAI MILHÕES DE PESSOAS

Quase tão antigo quanto o Natal Luz de Gramado, o Sonho de Natal – evento temático de Canela – atrai 1,5 milhão de pessoas à cidade a cada ano. Criado em 1988, conta com espetáculos que mesclam dança, teatro, música, projeções e show de luzes e vão até 10 de janeiro.

Quem precisa de motivos para ir a mais de uma festa natalina pode ficar tranquilo: a proposta do Sonho de Natal é outra. “Em Gramado, a iluminação é o ponto alto. Aqui, são os personagens”, explicam os moradores. 

 Entre gnomos, Mamães Noéis e bonecos com pernas de pau, vistos a todo momento pela cidade, há três apresentações principais que ocorrem em datas de dezembro: o Auto de Natal (gratuito), o Christmas in Concert  

(R$ 40) e o Simplesmente Natal (R$ 80). Veja a programação: sonhodenataldecanela.com.br

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