Na terra dos 'big five', até as ostras são selvagens

É impossível engolir de uma só vez o moluscocultivado em Knysna;[br]festival vai premiar o devorador mais rápido

Mônica Cardoso, KNYSNA, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2010 | 01h58

Grandes e selvagens. Não, não estamos falando dos big five, mas das deliciosas ostras que deram fama mundial à Knysna. Encravada na Rota Jardim, a cidade tem belas praias, lagos e florestas de clima temperado. À mesa, os turistas encontram uma curiosa e saborosa atração: as ostras selvagens, bem maiores do que a média, em torno de 10 a 15 centímetros de concha.

Deu água na boca? Pois justamente durante a Copa do Mundo, de 2 a 11 de julho, a cidade abriga seu 27º Pick"n"Pay Oyster Festival (www.oysterfestival.co.za). Mais de 200 mil moluscos serão devorados em dez dias.

Um dos momentos mais esperados do festival é o campeonato que vai premiar o devorador mais rápido do ano. O desafio é comer 24 ostras no menor tempo possível. Para os mais gulosos, a meta é quebrar o recorde do Guiness Book: 522 moluscos consumidos em dez minutos.

Além de toda essa comilança, ocorrem mais de 100 eventos paralelos, como shows, exposições e mostras de cinema.

As ostras selvagens são cultivadas em Knysna desde 1890. Alguns especialistas consideram que os moluscos da região têm os mais refinados sabores e texturas do mundo.

Para conferir a diferença entre ostras normais (8 rands cada; R$ 1,90) e selvagens (13 rands; R$ 3), siga para o restaurante de culinária sul-africana JJ"S (www.jjsrestaurant.co.za). Por conta do tamanho, é quase impossível engolir as grandonas de uma vez só. A vista do restaurante dá para o Knysna Waterfront, com pequenas embarcações ancoradas.

Mas é o interior que chama a atenção. No teto, mais de 1.300 garrafas de vinho decoram o lugar. Depois de vazias, as garrafas ganham novo rótulo, desta vez com recados dos clientes. Olhando para cima, é possível ler frases em alemão, francês, árabe e, sim, português.

Outra tradição: os turistas deixam gorjetas nas moedas de seus países. Pelo restaurante, estão emolduradas centenas de notas do Egito, Nova Zelândia, Suíça, Japão, Filipinas, Zimbábue, República Tcheca. Também estão lá notas de 1 real e uma já amarelada nota de 10 cruzeiros.

Entre o atendimento e o preparo dos pratos, os funcionários se reúnem para cantar músicas em xhosa e vanda, as línguas nativas da região. Ao som de um tambor, o coro surpreende e emociona. A canção Click Song é entoada com estalos na língua, os chamados clicks, que tornam a língua tão característica. Os talentosos cantores gravaram CD, que vendem ao fim da apresentação por 120 rands (R$ 28). "Gostaria de viver só de música", revela o chef de cozinha Josefi Mahodzi Mudao, de 38 anos. Enquanto não é possível, ele volta para a cozinha, onde ostras selvagens o esperam.

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