Na terra dos parreirais, cachaça também tem vez

A diversidade dá o tom no vale do Rio das Antas, onde um cenário de montanhas forradas por Mata Atlântica harmoniza com as colinas dos arredores. Os vinhedos combinam com as plantações de cana, o vinho com a cachaça e a massa, pasme, com a rapadura. Verde, exótico e exuberante, eis um ponto fora da curva vinícola de Bento Gonçalves.

BENTO GONÇALVES, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2014 | 02h06

Você não precisa fazer como nosso grupo, que foi de manhãzinha descobrir o que a Casa Bucco (casabucco.com.br) guarda em suas pipas, e que nenhuma outra casa da vizinhança tem. Cachaça da boa, perfumada, amadurecida em portentosas barricas de madeira. E o melhor: o microclima tropical do vale ajudou o proprietário Moacir Menegotto a cultivar seu canavial de 11,5 hectares de forma orgânica, sem uso de agrotóxicos.

Esqueça a polêmica de produzir destilados de cana em uma terra onde imperam os fermentados de uva e leve uma garrafa de cachaça envelhecida (R$ 60) para surpreender aquele amigo apreciador da bebida. Para os de veia carcamana ou amantes da Sicília, a casa fabrica o mais saboroso limoncello (R$ 40) que já tomei no Brasil. Antes de partir, vá ao terraço fotografar a bela vista da Ponte Ernesto Dornelles sobre o Rio das Antas.

Delícias. Para mudar da água, ou melhor, da cachaça para o vinho, rume à portentosa sede dos Vinhos Salton, no distrito de Tuiuty. Projetados pelo arquiteto Júlio Posenato, os 30 mil metros quadrados das novas instalações são adornados por pinturas de Cristiano Fabris, que retratam a saga do fundador da empresa centenária, Antonio Domenico Salton.

Por meio de passarelas suspensas, acompanha-se todo o processo produtivo dos vinhos e espumantes, da chegada da uva ao engarrafamento. Há três opções de visita, com duração de 30 minutos a 2 horas (preços de R$ 10 a R$ 50), e degustação de produtos mais ou menos exclusivos. A novíssima Cave da Evolução é um labirinto escuro, com som ambiente, anjos coloridos e peças de museu, como o cálice em que o papa Francisco tomou vinho durante sua visita ao País, em 2013. Sob agendamento, é possível marcar jantares (desde R$ 90 por pessoa; salton.com.br), com o delicado tempero da chef Idana Spassini e harmonização feita pela sommelière Mônica Coletti com os vinhos da casa. /F.M.

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