Daniel Nunes Gonçalves/Estadão
Daniel Nunes Gonçalves/Estadão

Damaraland: onde natureza, história e cultura se misturam

Opções para curtir a ilha, com mais ou menos luxo

Daniel Nunes Gonçalves, Especial para O Estado de S. Paulo

22 Setembro 2015 | 00h28

DAMARALAND - Os viajantes chegam a Damaraland atraídos por pinturas rupestres e florestas petrificadas, mas deixam o lugar encantados ainda mais pelo contato com as tradições do povos damara e himba. Sabe aqueles corais africanos contagiantes, com a voz estridente das mulheres contrastando com o tom grave dos homens – e todo mundo esbanjando alegria e molejo enquanto dança? É um desses que recebe os visitantes do lodge Doro Nawas (diária a partir de R$ 1.800), na região de Damaraland, no centro-norte do país. 

Não por acaso, o staff do hotel ganhou um concurso nacional de cantores. Eles conseguem melhorar até o mal-estar de quem pousa enjoado dos voos nos aviões pequenos, comuns no transporte interno pela Namíbia. A recepção amigável costuma ter ainda drinques e uma toalha úmida e gelada para amenizar o calor seco do deserto. Nada impressiona mais, porém, que a simpatia dos anfitriões do povo damara, que dá nome a região, assim como de outros nativos da área.

O atrativo número 1 de quem inclui essa parada em sua exploração da Namíbia é arqueológico. Fica ali, a 430 quilômetros de Windhoek, o Patrimônio da Humanidade Twyfelfontein, uma sucessão de rochas muito bem preservadas em seu sítio original, onde estão 2.500 pinturas e inscrições rupestres datadas da Idade da Pedra. As imagens retratam animais como rinocerontes, girafas e até um leão cujo rabo tem a forma de uma mão. “Como não havia metal para fazer as gravuras, nossos antepassados bushman usavam rochas de quartzo como ferramentas”, conta a damara Sylvia Thanises, uma das 17 guias.

Mais antigas que as obras de arte de Twyfelfontein são as florestas petrificadas vizinhas. Não se trata de um bosque em pé. Cerca de 50 troncos de árvores coníferas, medindo até 34 metros de comprimento e com mais de 200 milhões de anos, estão caídos no solo. Segundo os cientistas, elas foram trazidas em enxurradas e cobertas pelo deserto. “Protegidas” nesse ambiente de oxigênio zero, sem chuva e forradas por sedimentos de sílica, as madeiras foram “mineralizadas” e viraram fósseis. Pedra mesmo! 

Entre elas, espalham-se várias Welwitschia mirabilis, planta nacional da Namíbia. Rasteira, ela tem só duas folhas, que ultrapassam 8 metros de comprimento. “Elam resistem a cinco anos sem chuva”, explicou o guia Justus Sûxub. “E podem viver bem mais de um milênio.”

Herança. É no caminho para esses museus ao ar livre que se pode fazer outro contato com o povo. Seja qual for a etnia do guia, do motorista ou do anfitrião, ele sempre se diverte ao mostrar diferenças culturais como os “cliques”, sons de estalos que fazem ao pronunciar várias das línguas tribais. É o caso dos 27 descendentes damara que trabalham no Museu Vivo dos Damara. Encravado entre rochas gigantescas a 8 quilômetros do Parque de Twyfelfontein, o centro cultural permite conhecer moradas e danças tradicionais, além do artesanato feito de couro e rocha. 

“Queremos resgatar a cultura que se perdeu ao longo da colonização”, diz a anfitriã Maureen Hoes. A experiência seria mais autêntica se, ao final do expediente, não tivéssemos visto as mesmas pessoas que tinham se apresentado com poucas roupas e estilo “primitivo” passarem por nosso jipe de mochila, tênis e calça jeans ao voltarem para suas vilas. Mas a visita vale a pena.

Felizmente, em uma das esquinas da desabitada estrada de volta ao hotel, nos deparamos com duas mulheres e uma criança da fotogênica etnia himba. Nômades, Vezapopare e Veriazako tinham viajado 200 quilômetros para vender colares e bonecas. As miniaturas reproduziam a estética das himba, que lambuzam o corpo com um barro avermelhado – o mesmo usado para decorar seus cabelos com uma espécie de dreadlock de rastafári. 

“Só voltamos para casa, em Opuwo, depois de vender tudo”, disse, na língua himba, Vezapopare. Ainda que o turismo esteja engatinhando na Namíbia, as himbas já aprenderam que os turistas são carentes de souvenires do país. E que, caso queiram fotografá-las, devem desembolsar alguns dólares namibianos.

SAIBA MAIS

Aéreo: SP - Windhoek - SP a partir de R$ 3.436,68 na South African.

Visto: Não é necessário.

Quando ir: Na seca, de junho a outubro, é mais fácil ver animais.

Moeda: R$ 1 equivale a 3,39 dólares namibianos (ned)

Site: namibiatourism.com.na.

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