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'Nem a Olimpíada foi suficiente', diz diretor do Museu do Amanhã sobre limpeza da Baía

Contornando polêmicas, Ricardo Piquet diz que museu deve agir no sentido de conscientizar as pessoas sobre poluição da Guanabara

15/03/2016 | 06h00    

Bruna Toni - O Estado de S. Paulo

De outros pontos do Rio também se pode ver a sujeira da Baía de Guanabara. Na foto, o Canal do Cunha cheio de lixo na Ilha do Fundão, zona norte do Rio

De outros pontos do Rio também se pode ver a sujeira da Baía de Guanabara. Na foto, o Canal do Cunha cheio de lixo na Ilha do Fundão, zona norte do Rio Foto: Fabio Motta|Estadão

RIO DE JANEIRO - Pneus, garrafas, estrado de cama e embalagens diversas grudadas umas nas outras formam manchas em geral amarronzadas sobre a superfície da Baía de Guanabara. Trazidas pela maré, movem-se lentamente de uma borda a outra, sinal de que não têm a menor preocupação com o tempo que lhes resta por ali - nem com os olhares desgostosos de quem as mira a partir da revitalizada Praça Mauá, no centro do Rio de Janeiro.

Desde que o Museu do Amanhã foi aberto, em 17 de dezembro de 2015, os olhares para a zona portuária do Rio se tornaram mais relevantes - e não menos críticos. Aos questionamentos sobre a polêmica operação Porto Maravilha, responsável pela revitalização da área abandonada da cidade, mas também pela remoção de famílias inteiras da região contra a vontade das mesmas, somaram-se questionamentos sobre a instalação de um polo cultural focado em pautas de sustentabilidade justamente em um lugar onde o que se vê é o mais claro desequilíbrio ambiental.

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Em fevereiro, imagens do lixo no entorno do Museu do Amanhã circularam pela internet e reascenderam a discussão sobre o cenário contrastante (às vésperas da Olimpíada). "Incomoda quando a gente vê uma foto tirada da praça com lixo do lado e o Museu do Amanhã ao fundo, né? As pessoas ligam perguntando 'como assim, o que isso tem a ver com o museu?'. Não tem a ver e tem. Não tem porque não foi provocado pelo museu, o museu foi colocado aqui. Mas tem a ver porque ele está no nosso cenário, é nossa casa, é nossa praia, e a gente vai ter de se envolver de alguma forma com a solução desse problema", afirma o diretor do Museu do Amanhã, Ricardo Piquet.

Segundo ele, a questão da poluição da Baía sempre esteve em pauta, assim como a discussão sobre o papel do museu na conscientização dos visitantes. A ideia inicial era montar um aquário com água limpa e com água da Guanabara para mostrar o tamanho do impacto. A proposta acabou se transformando na futura instalação de um observatório patrocinado pela iniciativa privada, que terá como objetivo contribuir com a educação da população, sem a pretensão de despoluir o local - cujo papel e financiamento Ricardo Piquet afirma não serem obrigação do museu, mas do governo.

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"Todos os esforços de todos os governos se mostraram ineficientes até hoje. Nem a Olimpíada foi suficiente para uma ação eficaz. O nosso papel será o de acompanhar e cobrar medidas de mudança desse cenário antes do amanhã. Se o amanhã é daqui 30, 40 anos, não justifica estar dessa forma", afirma o diretor do museu.

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Além de cobrar ações governamentais, há a clara preocupação em mudar "a cabeça" e as ações das pessoas por dois motivos, sobretudo. O primeiro deles é a constatação pela própria casa de que o público visitante abraça moradores dos 17 municípios banhados pela Baía de Guanabara. O segundo é que, para além da Baía, muitas vezes a área do próprio Museu do Amanhã acaba virando lata de lixo.

É o que ocorre muitas vezes com os espelhos d'água, limpos durante a nossa visita, mas que também já foram clicados mais escuros do que deveriam. Quanto a isso, Ricardo Piquet reconhece: "Aí sim, é nosso quintal". Segundo ele, a coleta regular já está sendo feita para, futuramente, se tornar um monumento ao lixo. "Estamos pensando agora em como devolver para o cidadão: 'olha, isso aqui foi jogado por pessoas que vieram nos visitar e não tiveram o mínimo cuidado com o amanhã'", conta.

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