Adriana Del Ré/AE
Adriana Del Ré/AE

Neve sabor coco e outros achados infantis

Do incômodo da altitude às aulas e brincadeiras com monitores, as descobertas de uma miniturista de 4 anos em sua estreia na paisagem branca de Valle Nevado

ADRIANA DEL RÉ / VALLE NEVADO, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2012 | 03h12

Dentro da van, uma pequena viajante esperava, ansiosa, para ver de perto a neve e poder tocá-la. Algo, até então, visto por ela apenas nos filmes da Disney. A viagem a Valle Nevado foi a primeira da minha filha Sofia, de 4 anos, a uma estação de esqui. E a um lugar tão alto - acima dos 3 mil metros de altitude.

Ela não conseguiu ficar acordada tempo suficiente para testemunhar a mudança da paisagem vista da janela ao longo do trajeto a partir de Santiago. Que ganhou, aos poucos, contornos de um cenário pontilhado de árvores e montanhas recobertas de branco. Afinal, é preciso ter estômago resistente para enfrentar, incólume, cerca de 1h30 de percurso - e as 60 curvas que conduzem até Valle Nevado. Para os mais delicados, que não reagem bem a estradas muito sinuosas, é indicado algum remédio contra enjoo.

O inconveniente é que este tipo de medicamento costuma provocar sono - Sofia adormeceu logo nas primeiras curvas. O cochilo prolongado a ajudou a escapar das náuseas, mas não do chamado mal da montanha, que pode afetar crianças e adultos que não estão acostumados à altitude. E causa, entre outros sintomas, queda de pressão.

"Situação corriqueira" é o que se ouve por lá quando algo do gênero acontece. Assim, a neve ficou para depois. Em uma clínica local, dentro do complexo do Valle Nevado Ski Resort, Sofia foi atendida por um pediatra, recebeu oxigênio em um tubo de respiração e sua pressão se estabilizou. No dia seguinte, ela já estava bem adaptada. Uma ótima notícia, já que sua aventura ali estava apenas começando.

Segurança e diversão. Até agosto, o Valle Nevado está em plena alta temporada. Nesse período, o staff sobe para 800 funcionários (80 deles fixos) para dar conta da movimentação. Para se ter uma ideia, são esperados cerca de 40 mil visitantes apenas do Brasil. Construído no final dos anos 1980, o complexo engloba os hotéis Puerta del Sol, Valle Nevado e Três Puntas, edifícios residenciais, seis restaurantes com cardápios especializados em comida italiana, internacional e mediterrânea, além de pubs e bares.

Apesar de não contarem com menu especial para crianças, os restaurantes adaptam suas opções ao paladar dos pequenos. Já o esqui, esporte vigente por aquelas bandas, não é exclusividade só dos adultos. No complexo, existe uma área reservada para alunos a partir dos 4 anos darem seus primeiros passos (e experimentarem as primeiras quedas) no esporte.

Segundo os instrutores, o ideal é que o esquiador mirim faça aulas individuais para receber atenção total. Aulas em grupo, só mesmo quando a turminha tiver mais ou menos a mesma idade. O objetivo é que, depois de assimilar técnicas básicas, o aluno tenha prazer e sinta segurança em dar suas deslizadas pelas pistas. Ao todo, estão disponíveis 41 pistas para a prática do esqui e do snowboard, distribuídas em mais de 40 quilômetros de extensão.

A aula particular com duração de uma hora sai por US$ 103. Já a coletiva (a partir de quatro pessoas), custa US$ 57 por duas horas, para adultos ou crianças. Na Escolinha de Neve, em que a garotada dedica mais tempo do dia ao esqui, os preços variam de US$ 63 a US$ 117.

O tempo de aprendizado varia de aluno para aluno. Crianças maiores tiram de letra duas horas de treino. Já para as menores, a princípio, uma hora está de bom tamanho. Depois disso, bate o cansaço e a vontade de ficar com a mãe.

Após experimentar - literalmente - a neve (que garantiu ter gosto de coco) e dizer ao instrutor com toda a certeza do mundo que sabia esquiar, Sofia topou encarar suas primeiras lições de esqui. Para quem nunca praticou, a coisa não é tão fácil - a começar pelo equipamento e vestimenta. São camadas de roupas, incluindo segunda pele e peças impermeáveis, que ajudam a enfrentar temperaturas próximas de zero grau durante o dia - apesar de o sol amenizar a sensação térmica baixa. Sem falar nas botas que se acoplam aos esquis e que, digamos, não são propriamente o supremo do conforto.

Mas as crianças parecem tornar tudo mais simples. Sem o medo que inibe os adultos, Sofia deslizou pela pista sob a orientação do instrutor e, aos poucos, foi aprimorando um dos movimentos mais importantes do esqui, o de frear - chamada de cuña ou pizza, em razão do movimento com os calcanhares. Mas apesar dos elogios de seu professor, a ariana perfeccionista não aprovou muito os resultados. "Consegui poucas vezes, não muitas", reclamou.

No segundo dia de aula, o empenho em esquiar foi o mesmo, mas durou menos tempo: Sofia preferiu ficar no espaço dedicado a pequenos de 4 a 7 anos, estrategicamente instalado diante da pista de esqui, onde as crianças podem se sentar, beber água, desenhar e brincar.

É bacana acompanhar o avanço da garotada no esporte, mas os adultos que já estão familiarizados com o ambiente vão esquiar tranquilamente enquanto os filhos estão na aula. O complexo oferece ainda outros serviços para pais que queiram ficar despreocupados enquanto treinam, como creche, babysitting e o espaço Kids Zone, onde a garotada pode jogar videogame, ver TV e desenhar. Se havia alguma dúvida se uma estação de esqui também agrada às crianças, a resposta veio na pergunta feita por Sofia no fim da viagem: "Mamãe, quando vamos voltar?".

 

* Viagem a convite do Valle Nevado Ski Resort, LAN e Hotel The Aubrey

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