Nossos viajantes e suas escalas inesperadas

O caos europeu alterou rumos - em alguns casos, para melhor, com belos upgrades turísticos

O Estado de S.Paulo

27 Abril 2010 | 02h19

A viagem profissional até Hannover tinha escalas turísticas programadas em Frankfurt e Colônia. Plano que foi rigorosamente mantido, menos por um detalhe: quando saiu do Brasil, dois dias antes do início da erupção do Vulcão Eyjafjallajokull, o engenheiro Vilmar Lopes, de 32 anos, pretendia se deslocar pelo céu da Alemanha. Fechados os aeroportos, trocou o avião pelo trem. E acabou experimentando uma nova forma de viajar. "Recomendo. Foi muito tranquilo e ainda tive oportunidade de conhecer um pouco mais do país."

Prejuízo para muitos ? e absolutamente desesperador para os que tinham agenda apertada ?, o caos aéreo europeu se transformou em um inesperado bônus turístico para outros viajantes.

A jornalista Aline Luiza Alves, de 27, não ficou nada aborrecida com a escala extra. Seu roteiro de férias incluía Londres, Berlim e Barcelona. Sem conseguir voltar à capital inglesa, de onde retornaria ao Brasil, foi de trem a Madri e, já que estava lá, reservou dois dias para rever o Museu do Prado e o centro histórico. "Até o tempo estava ótimo." Sim, ela teve de desembolsar 800 a mais pelo bilhete Madri? São Paulo. Mas espera ser ressarcida pela TAM pela desistência do voo Londres?São Paulo.

De mala e cuia prontas para iniciar um programa de intercâmbio em Londres, o estudante Danilo Muniz, de 23, foi parar em Milão, depois da já prevista conexão em Frankfurt. Foi levado a um hotel "quatro estrelas, com vista para os Alpes" e passou cinco dias na cidade italiana, entre passeios, mais de 200 fotos e novos amigos: um peruano e um casal de suecos. Um inesperado bônus antes do início de seu curso de inglês, em Londres.

De trem. A fila quilométrica na porta de uma loja da Air France em Paris foi, para o agente de viagens Rogê David, de 36, sinal de que havia algo errado. Ele estava de férias na França desde 5 de abril e, àquela altura, precisava voltar para casa. Ao buscar meios alternativos para driblar o cancelamento do trecho Paris? Zurique, de onde partiria seu voo rumo ao Brasil, esbarrou em trens lotados (na primeira tentativa, a única passagem era para dali a dez dias) e vários cancelamentos de partidas ferroviárias. A ida para Zurique, de trem, acabou incluindo escalas em Lion e Genebra ? mas tão apressadas que nem foi possível passear.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.