Viagem

Nova York para consumo imediato: um guia de compras

Prepare-se para bater pernas, a pé e de metrô, no melhor estilo nova-iorquino: selecionamos 46 lojas imperdíveis, divididas por região

22/11/2016 | 05h30    

Giovana Romani e Letícia Sorg - O Estado de S.Paulo

Interior do Oculus, prédio assinado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava que abriga o shopping Westfield World Trade Center

Interior do Oculus, prédio assinado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava que abriga o shopping Westfield World Trade Center Foto: Reuters

Nova York está em ebulição. Passadas duas semanas desde a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais americanas, protestos ainda ocorrem pela cidade. No sul, segue acelerada a renovação urbana e turística da região de Lower Manhattan, a mais afetada pela tragédia de 11 de setembro, 15 anos atrás, com inaugurações que vêm atraindo os olhares do mundo para a área. Para completar, sexta-feira, dia 25, é a Black Friday, dia nacional dos descontos nos Estados Unidos - um tentador convite para ir às compras. 

Clique aqui para ir direto à nossa seleção de 46 lojas, organizadas por regiões da cidade.

Trata-se de um momento ímpar para visitar a cidade. Para quem vai às compras na Black Friday, importa saber que a 5.ª Avenida tem recebido manifestantes que se reúnem e empunham cartazes onde se lê “Not my president” (Não é meu presidente) diante da Trump Tower, uma das propriedades do empresário. A presença ostensiva de policiais dificulta a circulação pela área. 

É a desculpa perfeita para descobrir, em outros bairros, lojas descoladas e polos de consumo. E nisso, Lower Manhattan está tinindo. Em agosto foi inaugurado o Westfield World Trade Center, belíssimo complexo de lojas que custou US$ 1,4 bilhão. O prédio, batizado e Oculus e assinado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o mesmo do Museu do Amanhã, no Rio, foi projetado para lembrar uma pomba da paz de asas abertas. 

Perto, o Brookfield Place Plaza, primeiro grande shopping center de Nova York, ganhou o Le District, espécie de versão francesa do Eataly; e o próprio Eataly abriu uma filial na área, junto com Sephora, Apple, Kate Spade e Moleskine. 

A modelo Nina Agdat posa no Soho, um dos bairros onde o consumo fashion não custa tanto assim

A modelo Nina Agdat posa no Soho, um dos bairros onde o consumo fashion não custa tanto assim Foto: Divulgação

Quer saber como montar look inspirados no estilo das nova-iorquinas como a da foto acima? Clique aqui.

O principal símbolo do renascimento de Lower Manhattan é o One World Trade Center. A torre tem 541 metros de altura, ou 1.776 pés, numa referência ao ano da independência dos Estados Unidos. É considerado um dos prédios mais seguros do mundo, demorou sete anos para ficar pronto e custou incríveis US$ 4 bilhões. Um monumento ao poder dos Estados Unidos, bem ao lado das impressionantes crateras das antigas Torres Gêmeas, hoje Memorial 9/11. 

A hotelaria da região acaba de renovar o fôlego com a abertura de duas unidades de luxo. Em agosto estreou o Hotel Beekman, em um prédio do século 19 com um vão livre de nove andares e restaurante do chef-celebridade Tom Colicchio. Diárias custam desde US$ 449; por um mínimo de US$ 999, um carro de luxo está incluído.

Four Seasons abriu em setembro. São 189 quartos e clima informal, de olho nos profissionais de entretenimento, tecnologia e publicidade que estão se instalando por ali. O bar ganhou clima sexy e divertido com uma imensa cortina de veludo vermelho. O restaurante CUT é o primeiro em Nova York de outro chef de sucesso na TV, Wolfgang Puck. Diárias custam de US$ 450 a US$ 12 mil.

Gastos. Em Lower Manhattan ou no restante da cidade, é certo que brasileiros seguem visitando Nova York – e gastando. Segundo a NYC & Company, empresa de turismo e marketing da cidade, 926 mil brasileiros desembarcaram lá no ano passado, e 921 mil em 2014. 

O gasto médio por viagem gira em torno de R$ 6.165. Com ou sem Black Friday, multiplicam-se os bons achados. “De vestidos de noiva a lojas legais de sabonete e velas, é possível encontrar um pouco de tudo aqui”, afirma Bruna Paraíso, do site NYC Tips, especializado em dicas da cidade. Paulistana radicada em Nova York há quatro anos, ela oferece roteiros personalizados de compras. 

Acompanhe a nossa seleção dos melhores endereços de compras em Manhattan e no Brooklyn, por região. E descubra os passeios que são novidades e não se deve perder. 

Quer comprar muito em Nova York? Descubra no vídeo qual é a mala mais adequada para trazer tudo de volta.

 

A nova Downtown e outros passeios

Como a região de Lower Manhattan, uma das mais antigas da cidade, está se reinventando e atraindo turistas 15 anos depois do 11 de setembro

A região de Downtown, no entorno do shopping Brookfield Place Plaza

A região de Downtown, no entorno do shopping Brookfield Place Plaza Foto: Yesenia Papile/Divulgação

Mesmo para estreantes, Nova York desperta uma curiosa sensação de familiaridade misturada com a empolgação da novidade. As avenidas, os arranha-céus, as luzes da Broadway, o Central Park - é só começar a andar pela cidade que se sentir em alguma série, filme, reportagem.

Outono em Nova York (2000) aumentou o charme das folhas amareladas no parque. King Kong (1933) ressaltou a imponência do Empire State Building. A série Seinfeld (1989-1998) eternizou um clássico dinner no Upper West Side. Já as imagens da região de Lower Manhattan que mais recentemente ficaram na memória coletiva - a das Torres Gêmeas do antigo World Trade Center despencando depois de serem atingidas em cheio por aviões, do caos, das pessoas se atirando lá do alto em desespero -, já não fazem justiça a esta que é uma das regiões mais antigas da cidade.

O atentado de 11 de setembro de 2011 completou 15 anos, mas sua lembrança continua forte no imaginário mundial. 

O principal símbolo desse renascimento é o One World Trade Center. É impressionante a torre, com 541 metros de altura - ou 1776 pés, numa referência ao ano de independência dos Estados Unidos. Considerada um dos prédios mais seguros do mundo, demorou 7 anos para ficar pronta e custou incríveis US$ 4 bilhões. É um monumento ao poder dos Estados Unidos.

Isso não quer dizer, contudo, que os americanos se esqueceram da história. O arranha-céu fica bem ao lado das impressionantes crateras das Torres Gêmeas, hoje transformadas em monumento à memória das vítimas, e do Museu do 11 de Setembro. Completa a paisagem o Oculus, inaugurado em março. O projeto do arquiteto espanhol Santiago Calatrava - o mesmo que assina o Museu do Amanhã, no Rio - é mais do que uma estação de metrô e um shopping center. Com sua estrutura geométrica branquíssima, lembra uma pomba da paz.

O Battery Park, estrela de filmes do diretor Woody Allen e que ultimamente andava um pouco caído, está em processo de revitalização. Ganhou o carrossel SeaGlass no ano passado. Mais um bom motivo para ir descobrir essa nova Downtown. 

Veja os passeios que não se deve perder.

One World Observatory 

oneworldobservatory.com; US$ 34

Na mesma localização das antigas Toerres Gêmeas, o One World Trade Center tem observatório no 102º andar

Na mesma localização das antigas Toerres Gêmeas, o One World Trade Center tem observatório no 102º andar Foto: Todd Heisler/NYT

A diversão começa diante do mapa-múndi que registra a origem de todos visitantes que passam pelo local. São quase 3 milhões desde a abertura, em maio de 2015. O elevador não é panorâmico, mas exibe, em 46 segundos, a evolução da paisagem de Nova York desde o século 16. Tudo sob uma trilha sonora que prepara para o clímax: a vista desde o 102º andar. O pôr do sol é um dos horários mais disputados. Há bar e restaurante, pagos à parte, claro. A parte chata é enfrentar uma triagem de aeroporto. O prédio, considerado alvo potencial de terrorismo, tem forte esquema de segurança.

Museu e Memorial 11 de Setembro

911memorial.org; US$ 15

Árvore foi encontrada queimada e sem folhas após queda das Torres Gêmeas. Ela foi tratada em uma fazenda antes de voltar ao World Trade Center

Árvore foi encontrada queimada e sem folhas após queda das Torres Gêmeas. Ela foi tratada em uma fazenda antes de voltar ao World Trade Center Foto: Letícia Sorg/Estadão

A única escada que restou do complexo onde ficavam as Torres Gêmeas, o carro de bombeiros que ajudou no resgate das vítimas, um pedaço do avião que se chocou contra um dos prédios: os objetos estão expostos neste misto de museu e memorial, quase todo construído sob a terra, sem janelas. Há um minuto a minuto do fatídico 11 de setembro de 2011; em fones, é possível escutar diálogos finais de desespero e despedida. Uma sala tem paredes e mais paredes recobertas com fotos das vítimas. Na saída, observe, na praça, a árvore cercada: foi a única sobrevivente dos atentados. É chamada de Survivor Tree.

Oculus

Foram sete anos e US$ 4 bilhões em dinheiro público para construir o polêmico Oculus, estrutura branquíssima em forma de pomba que abriga um shopping de luxo, o Westfield World Trade Center. O projeto inicial do arquiteto Santiago Calatrava era que as asas da pomba se movessem. Atrasos e o alto custo levaram à desistência. Dentro há três andares de lojas, inclusive uma filial do mercado gastronômico Eataly. E também uma estação de metrô, que recebe os trens que vêm de Nova Jersey. 

Battery Park

www.thebattery.org

O SeaGlass Carousel, no Battery Park

O SeaGlass Carousel, no Battery Park Foto: Divulgação

No extremo sul da ilha de Manhattan fica o Battery Park. A vista para Nova Jersey é linda e, dependendo da temperatura, o lugar vira um movimentado calçadão, com muitas pessoas correndo ou passeando com o cachorro. Caminhe até chegar ao SeaGlass Carousel. Inaugurado em setembro do ano passado, é uma maneira mais criativa de iluminar o parque e atrair visitantes. O prédio, que lembra uma concha, abriga um carrossel de figuras marítimas que levam crianças - e adultos - a passear num mar de luzes e de sons do mar. O passeio custa US$ 5.   

NO UPPER EAST SIDE

The Met Breuer

metmuseum.org/visit/met-breuer; US$ 25

Met Breuer é o novo espaço de arte contemporânea do Metropolitan Museum

Met Breuer é o novo espaço de arte contemporânea do Metropolitan Museum Foto: Ed Lederman

No Upper East Side, o The Met Breuer foi aberto ao público em março. As exposições de arte contemporânea são temporárias; a exposição de mais de 100 imagens da provocativa fotógrafa americana Diane Arbus fica em cartaz até domingo (dia 27). A mostra dos trabalhos do também americano Kerry James Marshall vai até 27 de janeiro. O valor do ingresso, US$ 25, é sugerido, ou seja, o visitante paga quanto achar justo. 

NO BROOKLYN

Tour chocólatra

asliceofbrooklyn.com

“Nós não apenas mostramos a você o Brooklyn, nós somos o Brooklyn”, diz o slogan da A Slice of Brooklyn, fundada em 2005 com a proposta de mostrar “fatias” (slices) da região mais populosa de Nova York aos turistas. O tour de pizzas (US$ 80), que inclui Grimaldi’s e L&B Spumoni Garden, foi o pioneiro entre as quatro opções – entre elas, um passeio de luzes de Natal. 

Embarcamos no recém-lançado tour de chocolates (US$ 50), que dura cerca de 4 horas entre degustação, compras e traslado. 

O guia lembra um Buddy Valastro (o Cake Boss), e entretém o grupo contando curiosidades do bairro. São quatro paradas em chocolaterias bem diferentes entre si. 

A Jacques Torres é uma loja gourmet com um ótimo chocolate branco com macadâmia. Na Chocolate Room, especializada em sobremesas, provamos bolo de chocolate com um delicioso chocolate quente. A fábrica Li-Lac abriu em 1923 e tem as opções mais tradicionais. E, no galpão da Raaka, provamos chocolate feito a partir de grãos sem torrar, com sabor intenso de cacau – foi inevitável comprar três barras (US$ 7,95 cada). Na volta ao ônibus, o guia distribui bem-vindas garrafinhas d’água. 

Feitos à mão

madeinbrooklyntours.com

A Made in Brooklyn Tours aposta no artesanato local como fio condutor dos turistas. Uma opção de passeio, a pé, mostra artesãos de Williamsburg, a área mais valorizada do Brooklyn – uma outra forma de conhecer a terra dos hipsters e do movimento maker.

Leia mais: Sabe quais são as melhores cidades do mundo para compras?

Nada a declarar? Confira as regras da alfândega

A tentação de encher a mala é grande, mas atenção às regras da alfândega na volta ao Brasil. A isenção no agamento de imposto vale até a cota de US$ 500 – sobre o excedente é cobrada uma taxa de 50% do valor a mais.

Itens de uso pessoal – vestuário, livros, tudo o que não configure revenda – são isentos. Câmera fotográfica e celular, uma unidade de cada aparelho, para uso pessoal, também. Filmadoras e notebooks são tributados. Para produtos que custaram menos de US$ 10 são permitidas 20 unidades – só 10 delas idênticas. Bebidas alcoólicas, o limite é de 12 litros. Cigarros, 10 maços, com 20 unidades cada.

Bens que não se enquadrarem nessas categorias e não sejam de uso pessoal estão limitados à quantidade máxima de 3 unidades iguais. O que exceder, vai ser confiscado pela Receita.

Quer saber onde comprar em Nova York? Clique aqui para conferir uma seleção de lojas.

 


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