Nove verdades e uma mentira sobre Mr. Miles

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Mr. Miles, O Estado de S. Paulo

25 Abril 2017 | 03h00

Depois de visitar a rainha Elizabeth II e entregar a ela as rosas colombianas que sempre dá em seu aniversário, Mr. Miles consentiu em responder ao divertido desafio de uma leitora.

Querido Mr. Miles: é moda, no Facebook, uma corrente chamada nove verdades e uma mentira. Milhares de pessoas estão revelando coisas de suas vidas e está muito divertido, apesar dos chatos de sempre. O senhor aceitaria o desafio de publicar as suas? - Joana Munhoz, por e-mail

Well, my dear, isso pode ser um pouco embaraçoso... mas admito que tenha chance de ficar divertido. O problema é contar as melhores histórias, já que sou um viajante longevo. Vou colocar algumas, entre elas histórias que já contei nos últimos 13 anos neste espaço. I hope you enjoy:

1. Até hoje não sei bem por que, mas o fato é que herdei uma fortuna de uma contraparente que nem sequer conheci. Era tanto dinheiro que viajei pelo mundo inteiro por 40 anos consecutivos. Unfortunately – porque fui ligeiramente perdulário –, vi-me com os bolsos vazios de um dia para o outro. Sorte que, naquela altura, eu já era sócio remido de oito planos de milhagem e tinha centenas de amigos, compadres e afilhados ao redor do mundo. Foi assim que segui viajando.

2. A maior vergonha de minha vida foi perder o embarque na única viagem do Titanic. Eu havia sido convidado e, a bordo de meu Napier 6 cilindros, saí cedo em direção à Southampton, mas chovia muito e meu carro encalhou em uma charneca no Condado de Sussex. Quando cheguei, só vi o Titanic desaparecendo atrás da linha do horizonte. Shame on me. Eu preferiria ter naufragado a atrasar em um compromisso.

3. Durante a Segunda Guerra, servi como ajudante de ordens de Bernard Montgomery no deserto do Saara. Na segunda batalha de El Alamein, estava ao lado de Monty quando derrotamos os alemães e a guerra mudou. Fiquei tanto tempo no deserto que só recobrei minha cor branca da infância seis anos mais tarde.

4. Durante minha vida de viajante aprendi a falar, imperfeitamente, 28 línguas e 13 dialetos. O português foi uma delas. Ainda pretendo melhorá-lo.

5. A vida de um viajante é cheia de emoções. Conto-lhes, humildemente, que me apaixonei e fui correspondido por 12 estrelas de cinema, três das quais casadas e duas detentoras de Oscars de melhor atriz. Uma delas foi Marilyn Monroe, com quem tive apenas uma noite. Quando, no auge de nosso interlúdio corpóreo, ela me disse ‘Yes, Mr. president’, fiquei ofendido e a relação terminou.

6. Em minhas jornadas pelo mundo já comi 12 tipos de insetos e quatro batráquios para agradar a quem me convidava. Confesso que só não gostei muito de uma taturana de Papua-Nova Guiné.

7. Não tenho medo de nada; só de fotografias, em função de um episódio ocorrido no bairro da Albaicín, em Granada, quando quase fui morto por um fotógrafo que, na verdade, era um sniper. Até hoje me esquivo de fotografias.

8. A última vez que fui a um médico, atendendo à pressão insuportável de tia Megham, foi em 1968. Minha saúde é ótima, exceto pelas recidivas de malária e por uma dor antiga no joelho direito – que, however, não me impede de fazer longas caminhadas.

9. Fui eu que dei o primeiro welsh corgi para minha querida rainha Elizabeth II. Como se sabe, essa raça de cães tem sido uma grande alegria na vida da monarca.

10. Nunca usei celular nem qualquer tipo de aplicativo. Ainda gosto de conversar face-to-face, sem intermediários.

N.da.R: Podemos garantir que a mentira de nosso correspondente é a de número 4. Ele domina 42 idiomas – e não apenas 28. 

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 312 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS.

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