O lado boêmio e descolado de Bogotá

A capital colombiana apertou o cerco contra a violência, conseguiu mudar sua imagem e se transformou em uma cidade moderna e nada convencional

Anand Giridharadas - The New York Times,

29 Dezembro 2010 | 16h49

Ousadia. O BarDeLeo serve os coquetéis mais criativos - experimente o de carambola com aguardente de Martini. Foto: Robert Caplin/NYT

 

BOGOTÁ - Em poucos anos, Bogotá conseguiu passar de campo de batalha da guerra contra o tráfico de drogas a uma cidade boêmia e descolada. Apertou o cerco contra a violência, trabalhou para mudar sua imagem e emergiu como a capital da moda da Colômbia cool. Com trechos de floresta urbana, a cidade, é bem verdade, não tem uma beleza convencional e seus prazeres não são imediatamente claros. Mas ela recompensa viajantes intrépidos que exploram seu arquipélago de bairros para desenterrar joias artísticas e culturais.

 

Caia na Macarena. Não fique constrangido por esta Macarena. Afinal, é o nome de um bairro íngreme, repleto de prédios turquesa, rosa e laranja. O ar de obscuridade atrai uma multidão elegante e antenada. Os formadores de tendências podem se reunir na Valenzuela Klenner Galeria (http://www.vkgaleria.com/), galeria de arte contemporânea que costumava ser visitada por traficantes ricos que procuravam por pinturas de leões, mas se desapontavam com as ofertas vanguardistas. Próximo dali fica a oficina de couro artesanal Giraldo Taller Manual del Cuero (http://www.tallermanualdelcuero.blogspot.com/), que faz suntuosas bolsas, pastas, cintos e mochilas em todas as cores. Logo ao lado está a livraria Luvina (Carrera 5 No. 26A-06), onde escritores locais encontram seus admiradores.

 

Fusão pan-americana. A cozinha peruana vem colonizando as cidades sul-americanas. No Matiz (Calle 95 No. 11-17), o jovem chef peruano Diego Vega aplica métodos que aprendeu na Itália com ingredientes colombianos. As mesas são iluminadas por velas, e o jazz embala o lugar. Peça o menu degustação do dia. Recentemente, um deles incluiu um mil-folhas de fatias de maçã recheadas com carne de siri e peixe branco, bolos de mandioca com carne e rabo de lagosta grelhada sobre uma base de bananas verdes. Outra dica é o Andres Carne de Res (http://www.andrescarnederes.com/), uma mescla de churrascaria com discoteca.

 

Mais tarde, arrisque-se pela noite da cidade. Siga para o BarDeLeo (http://www.bardeleo.com/), onde o novo se mistura facilmente ao velho. No tempo do domínio do tráfico de drogas, o bar era famoso por servir Martinis "turbinados" com maconha. Hoje, o local se tornou menos controverso, mas não menos criativo, especialmente na arte de produzir coquetéis. As paredes são de um vermelho profundo, e pode haver música cubana tocada ao vivo. Experimente o coquetel feito de carambola e aguardente de Martini.

 

Cultura colombiana. Três das principais instituições culturais de Bogotá ficam no bairro da Candelaria. O Museu Botero (www.banrepcultural.org/museos-y-colecciones/museo-botero) abriga a coleção pessoal de arte de Fernando Botero, que inclui obras de Renoir, Monet e Picasso, além de trabalhos do próprio Botero.

 

Em uma cidade cuja influência colonial é aparente, a Biblioteca Luis Angel Arango (http://www.lablaa.org/), do outro lado da rua, procura lembrar os visitantes do passado pré-colonial por meio da coleção de instrumentos nativos. Próximo dali, o Museu do Ouro (www.banrep.gov.co/museo) traça a história do metal ao longo dos anos.

 

SAIBA MAIS:

Como chegar: o trecho aéreo de ida e volta entre São Paulo e Bogotá custa a partir de R$ 1.248 na TAM (www.tam.com.br), R$ 1.373 na Gol (www.voegol.com.br) e R$ 1.604 na Avianca (www.avianca.com) - tarifas para janeiro. Os voos são diretos.

Moeda: R$ 1 vale 1,12 pesos colombianos

Segurança: mesmo fora do aeroporto, é comum encontrar policiais pelas ruas com cães farejadores

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