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O lado moderno de Zurique

A região oeste da cidade tem uma atmosfera bem diferente do conhecido lado medieval. Veja nosso roteiro por lá

Natália Mazzoni, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2016 | 00h05

Afastado do centro antigo, com suas construções do século 13, e, bem, do jeito impecável de ser de toda a Suíça, o lado oeste de Zurique guarda a face mais descolada da cidade. Em Zurich West, uma antiga área industrial, as máquinas pararam de fazer barulho e a fuligem deu lugar a lojas, galerias de arte, baladas, restaurantes e mercados mais modernos da cidade. Sim, os hipsters estão por toda a parte.

A transformação do bairro no que ele é hoje começou em 1990, quando foram permitidas novas construções no lugar. Antes, com o fechamento das fábricas, a região ficou abandonada, com pontos de venda de drogas e moradores de rua. Hoje, o distrito tem personalidade própria e uma energia bastante diferente do resto da cidade.

Se a ideia é fazer compras, caminhe ao longo dos 500 metros de arcos ferroviários, erguidos no fim do século 19, que hoje acomodam estabelecimentos comerciais numerados em seus vãos. O projeto que revitalizou o Im Viadukt, como hoje é chamada a construção, foi feito em 2010 pelo escritório de arquitetura EM2N. O governo cobra preços acessíveis para alugar os espaços – em contrapartida, os donos têm de contribuir socialmente com a cidade, contratando pessoas sem nenhuma experiência profissional ou portadores de deficiência, por exemplo.

O Markthalle, mercado fechado com dezenas de produtores, é uma das principais paradas ao longo dos arcos. Além de encontrar produtos frescos, a maioria vinda direto do produtor, os preços são melhores dos que os praticados no resto de Zurique. Um combo com croissant, café e suco sai por 7,90 francos suíços (R$ 27) na simpática padaria St. Jakob Beck. Para se ter ideia, nos restaurantes do centro, uma garrafa de água chega a custar 6 francos (R$ 20). Saindo da Jakob, a vitrine da tradicional Tritt-Käse exibe fatias apetitosas de queijos orgânicos de produtores dos Alpes. Um pedaço de 100 gramas de queijo de cabra do Vale do Loire custa por volta de 4 francos (R$ 13) – na embalagem original, você pode até trazer para o Brasil. Em outra parada está a Shepherd’s Pie, recheada de tortas doces e salgadas. A mais famosa, de carne e cerveja escura, custa em média 8,50 francos suíços (R$ 29). Nas outras pequenas lojas, geleias, cervejas, embutidos, vinhos: um prato cheio para quem gosta de gastronomia.

Fora do mercado, lojas variadas se espalham pelos 36 arcos. Design, moda, arte, tudo tem uma pegada descolada. Entre uma galeria e outra, um pequeno estádio de badminton faz o lugar parecer ainda mais cool.

Menu memorável. Se a ideia é jantar por lá, uma boa opção é o restaurante Viadukt, no arco 8. O ambiente tem tudo a ver com o clima do bairro, e o serviço pode ser o mais despojado que você vai encontrar em sua passagem por Zurique. “Se a sobremesa é muito grande? Ah, você consegue chegar até o fim dessa fatia de bolo de chocolate enorme, principalmente se você levar o resto para casa e atacá-lo durante a madrugada”, avisa o garçom. A sobremesa em questão custa 12,50 francos suíços (R$ 42), e realmente: comê-la até o fim é um desafio, principalmente se antes disso você pedir o delicioso picadinho de vitela com cogumelos (36 francos suíços, R$ 122). 

Aqui vale fazer uma pausa para dar uma ideia saborosa aos apreciadores de carne: em sua viagem à Suíça, faça um concurso particular de melhor picadinho de vitela – chamado de zürcher geschnetzeltes no cardápio –, prato que leva champignons frescos, molho de creme de leite e batatas rosti. O preparo é sempre diferente, delicioso, e, no final, você terá se transformado em um juiz satisfeito – e, inevitavelmente, com alguns quilos a mais.

Caso sua ideia seja gastar menos, faça seu jantar em uma das mesas simples e acolhedoras do Frau Gerold, jardim rodeado de pequenos restaurantes de comidas típicas, servidas sem frescura. No terraço, cerveja com vista para os trilhos do trem. Aqui não tem garçom simpático: cada um busca sua comida. Caso ainda reste disposição, os locais indicam esticar a noite em uma das baladas eletrônicas mais agitadas do distrito, a Supermarkt.

A verdade é que em se tratando deste bairro, não há roteiro pronto. Separe um dia da viagem e se perca pelas ruas, lojas, cafés e galerias para conhecer essa outra versão da maior cidade da Suíça. O vai e vem de gente jovem, a conversa alta e os lambe-lambes das vitrines e muros mostram que Zurich West, definitivamente, respira outros ares.

CLÁSSICOS DE ZURIQUE

1 - Centro histórico  

Ruas apenas para pedestres, fontes de água potável por toda parte e belos prédios históricos. No verão, o Rio Limmat, que corta o centro, ganha piscinas públicas.

2- Sprüngli

Localizada no número 21 da Hauptbahnhofstrass, é a confeitaria mais tradicional (e cara) da cidade. Em funcionamento há mais de 170 anos, é um bom lugar para provar o famoso chocolate suíço. 

  

3- Bahnhofstrasse

A principal avenida para compras vai da estação central (Hauptbahnhof) até o Lago de Zurique. Perto da estação, há marcas de fast-fashion, como H&M, com preços acessíveis. Grifes internacionais, como Rolex, Prada e Chanel aparecem nas proximidades da água.

4- Fraumünster

A igreja funcionou como convento até o século 16 e tem em seu interior vitrais pintados por Marc Chagall. Grátis.  

  

5- Praça Lindenhof

Localizada no alto de uma colina, é um convite ao descanso, com direito a uma bela vista da cidade. 

 

6- Cabaret Voltaire 

Com 100 anos completados em fevereiro, o espaço cultural localizado no número 1 da rua Spiegelgasse é o berço do dadaísmo. Seu salão principal sofreu poucas modificações ao longo dos anos. Entrada gratuita.  

 

7- Delegacia de polícia de Zurique

Na década de 1920, o prédio medieval que já foi orfanato e depósito de armas na Segunda Guerra Mundial teve seu teto e paredes coloridos pela arte do pintor Augusto Giacometti. Bahnhofquai 3, 8.001; entrada gratuita. 

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