O lugar mais bonito do mundo

Nosso incansável viajante informa que, por problemas de conexão, lamenta não ter tido a oportunidade de comparecer ao lançamento do livro Férias na Antártica, de Laura, Tamara e Nina Klink, filhas de seus bons amigos de "mar e copo" Amyr e Marina. Solicita-nos, entretanto, o favor de mandar um beijo público às pequenas aventureiras, cujo volume, em breve, ocupará local de destaque em sua biblioteca. A seguir, a pergunta da semana:

Mr. Miles, miles@estadao.com.br, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2010 | 03h22

Prezado mr. Miles: tenho uma curiosidade. Quais são as perguntas mais frequentes em sua caixa postal?

Jussara Müller, por e-mail

"Well, dear Jussara, this is an interesting question. Uma das indagações mais recorrentes é a que questiona minha existência. Sinto-me ultrajado quando, apesar das evidências que apresento a cada semana neste espaço, alguns leitores supõem que eu seja uma fantasia de alguém outro. Esse tipo de insinuação, I must say, já me provocou algumas crises de identidade. Cheguei mesmo a visitar o divã do dr. Tom Plensdale, em Londres, e ele me fez ver o ridículo de minha aflição ao sugerir que, para satisfazer leitores céticos, eu criasse de fato um personagem de mim mesmo.

Recebo, as well, muitas perguntas pontuais do tipo "o senhor poderia sugerir uma pousada charmosa em Porto de Galinhas (ou na Cornualha)?" Of course not. Conforme explico com assiduidade, sou amigo ou padrinho de um número extenso de anfitriões no mundo todo e jamais cometeria a descortesia de indicar um hotel ou uma pousada em detrimento de outras - o que, besides, colocaria minha credibilidade sob suspeição.

Mas, definitely, a questão mais usual entre as que recebo é contundente e objetiva como uma lâmina de sabre. Os leitores querem saber qual é, em minha opinião, o lugar mais belo do mundo. Well, darling: eu não diria que estou saindo pela tangente ao afirmar que o melhor lugar é aquele que você estiver desejando com avidez ao decidir visitá-lo. É como escolher um prato no cardápio. Há dias em que você está para um magret de canard e outros em que nada lhe apeteceria mais do que um filé à parmegiana.

As pessoas são diferentes entre si: há os que adoram belezas naturais, há os que preferem a reverência ante os vestígios da História, os que não trocam nada por vivências exóticas. Há os que se regozijam com grandes metrópoles e os que se saciam em uma ilha deserta. However, o melhor de tudo é que somos volúveis como o vento e o que ontem parecia fora de propósito, amanhã começa a contaminar nossos sonhos.

Entendo, of course, que os leitores queiram conhecer minhas preferências. Mas, ao mencionar algumas delas, como as Torres Del Paine, no Chile, o Templo de Karnak, no Egito, a Sainte-Chapelle, em Paris, o Delta do Okavango, em Botsuana, ou o Geirangerfjord, na Noruega, estarei sendo relapso, injusto e incompleto (vejam só: não mencionei uma ilha sequer!). Pior que isso: serei parcial e pessoal.

Meu velho e saudoso amigo, o poeta Khalil Gibran, disse-me, certa vez: "Miles: vivemos apenas para descobrir a beleza. Todo o resto é apenas uma maneira de esperar". A sabedoria de Gibran explica por que essa pergunta é a que mais recebo. Por isso, cismo em ser inespecífico ao respondê-la. Viajante que sou, descubro belezas em todas as partes do mundo. Isso não ocorre todos os dias e nem em todos os lugares. Mas sei que, entre uma e outra descoberta, todo o resto é uma maneira de esperar."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ESTEVE EM 132 PAÍSES E 7 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

 

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