Viagem

O mundo em ebulição

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24/10/2017 | 03h00    

Adriana Moreira - O Estado de S. Paulo

Na viagem, alguns protestos podem ocorrer, como este na Espanha. Tente planejar a visita com espaço para imprevistos 

Na viagem, alguns protestos podem ocorrer, como este na Espanha. Tente planejar a visita com espaço para imprevistos  Foto: Samuel Aranda/The New York Times

Furacão no Caribe, incêndio na Califórnia, tiroteio em Las Vegas, protestos na Catalunha. Algumas vezes, planos de viagem são atropelados por eventos climáticos, fanáticos, políticos ou outros. E aí vem a pergunta: quando se deve cancelar a viagem? Cada caso é um caso, com infinitas variáveis que devem ser levadas em conta. Mas algumas vezes, em vez de cancelar, vale a pena readaptar a viagem. 

Califórnia. As vinícolas de Napa Valley e Sonoma foram bastante afetadas pelo enorme incêndio que atingiu o Estado norte-americano. Muitas ainda estão fechadas, mas algumas já reabriram, e aproveitam a oportunidade para pedir ajuda a quem está contando o prejuízo na região. Ou seja: talvez não dê para ir naquela vinícola específica que estava em seus planos, mas há outras opções. O jornal SF Chronicle tem um mapa interativo ( bit.ly/mapawinecounty) mostrando as áreas atingidas e vem atualizando a situação do fogo no Estado. Prefere não arriscar? A situação está normal ao sul de San Francisco – Santa Barbara, por exemplo, está incólume, e pode receber turistas tranquilamente.

Caribe. A situação no Caribe é ainda mais complicada – algumas ilhas foram simplesmente devastadas. Ilhas Virgens Britânicas e St. Maarten estão entre as mais atingidas, razão pela qual empresas de cruzeiros como Royal Caribbean e MSC mudaram as rotas de seus navios e substituíram os portos por outros menos atingidos. Ou seja, se você programou uma viagem de navio, o melhor é se informar diretamente com a companhia. As ilhas agora correm para se recuperar dos estragos o mais rápido possível (já que o turismo é uma indústria importante na região). Para ter uma ideia de como está a situação no momento, o site caribbeantravelupdate.com informa as ilhas que não sofreram danos (Aruba, Curaçau, Barbados, entre outras), as que já recebem visitantes (Antigua sim, mas sua vizinha Barbuda ainda está em recuperação) e como está o processo de reconstrução – com datas previstas de reabertura de hotéis e restaurantes em lugares como St. Barts, Anguilla e Dominica.

Catalunha. Os protestos separatistas em Barcelona no começo do mês chamaram atenção pela violência policial, especialmente durante o plebiscito de 1.º de outubro. A situação ainda está longe de chegar a uma solução, mas, apesar disso, não há motivos fortes para cancelar a viagem à cidade. É preciso ficar atento ao noticiário local para o caso de protestos serem convocados – o que pode atrapalhar o trânsito ou até fechar alguma atração turística. Na semana passada, por exemplo, houve novas manifestações com a prisão dos líderes separatistas Jordi Sánchez e Jordi Cuixart. Por causa da instabilidade, eu não programaria uma viagem com horários muito apertados para dar espaço aos imprevistos. E, caso eles não ocorram, você terá mais tempo para curtir as belezas da cidade (que não são poucas) ou fazer bate-voltas, como a Montserrat, Tarragona ou até mesmo ao principado de Andorra. 

Atentados. Falando só de cidades turísticas, este ano tivemos episódios de violência extremista em Londres, Paris, Barcelona (o atropelamento nas Ramblas, a princípio, nada tem a ver com os protestos separatistas) e, mais recentemente, o tiroteio em Las Vegas. Embora as notícias assustem, os números mostram que não é racional deixar de viajar a qualquer desses lugares por conta de episódios esporádicos. Estatisticamente, o risco é bem maior no dia a dia brasileiro. Segundo o Atlas da Violência 2017, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FPSP), o Brasil registrou quase 60 mil homicídios em 2015. Já de acordo com as estatísticas do Consórcio para o Estudo do Terrorismo da Universidade de Maryland e do Departamento de Estado dos Estados Unidos, no mesmo ano foram quase 30 mil mortos no mundo inteiro em razão do terrorismo (incluindo os deflagrados em cidades não-turísticas).