Viagem

O Nordeste e o zika: é preciso cancelar a viagem?

Muita gente me pergunta se deve cancelar viagens ao Nordeste por causa da chegada do zika vírus, o novo mal transmitido pelo nosso velho conhecido, o mosquito Aedes aegypti. “Você tem notícias da epidemia de zika nos resorts de Porto de Galinhas?”, já cheguei a ouvir. Calma no Brasil!

19/01/2016 | 02h59    

Ricardo Freire - O Estado de S.Paulo

Viajar sempre envolve riscos. A partir do momento em que pegamos a estrada ou subimos num avião, estamos sujeitos a toda sorte de contratempos e incidentes. Muitos desses riscos já estão completamente assimilados. Evitamos pegar estrada à noite, saímos à rua sem relógio, guardamos objetos de valor no cofre. Quando o risco é de saúde, no entanto, a reação natural é não deixar nenhuma brecha para o azar.

Não, não há epidemia de zika nos resorts

Não, não há epidemia de zika nos resorts Foto: Divulgação

No início de 2009, a gripe H1N1 esvaziou primeiramente o balneário mexicano de Cancún, e depois provocou cancelamentos em cascata das viagens de brasileiros a Bariloche e ao Chile. Não adiantou muito: a epidemia chegou ao Sul e ao Sudeste do Brasil antes mesmo do inverno acabar. Quem não viajou acabou precisando aprender a se defender do vírus em casa (viva o álcool gel!).

Em 2010, uma epidemia de cólera no Haiti causou pânico (e cancelamentos) em turistas com viagem marcada à vizinha República Dominicana. Apesar das manchetes alarmistas, o único caso confirmado em Punta Cana foi de um trabalhador haitiano que tinha ido passar a folga em casa. (Os mais antigos também deverão se lembrar da ameaça de epidemia de cólera de 1991, que acabou não se confirmando mas quase extinguiu os restaurantes japoneses em São Paulo.)

Não, não existe uma epidemia de zika vírus em resorts de nenhum destino turístico do Nordeste. Existe a constatação da chegada do zika vírus e de sua influência na má-formação de bebês. Turistas não estão caindo doentes. A propósito, em dezembro estive por cinco dias entre Pernambuco e Paraíba. Passei repelente no primeiro dia, nos outros acabei me esquecendo. Não fui picado sequer uma vez por mosquito nenhum.

Evidentemente, grávidas não devem viajar ao Nordeste. Tampouco o Nordeste é, hoje, um destino apropriado para casais que estejam querendo engravidar. Para todos os que não estamos grávidos, porém, vale saber que neste momento é mais difícil pegar zika no Nordeste, que ainda está na estação seca, do que pegar dengue no Sudeste, que vive sua estação chuvosa.

Da mesma maneira que aprendemos a usar álcool gel, vamos precisar incorporar repelente e mangas compridas ao nosso cotidiano. Ou você acha que o zika não chega rapidinho também por aqui?


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