O que fazer quando a bagagem pesa demais

Regras mudam de acordo com o país e podem causar muita dor de cabeça a quem não ficar atento

Camila Anauate, O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2008 | 03h12

O tortex é como uma sanduicheira, redondo, pesado e ótimo para fazer tortillas, especialidade gastronômica mexicana. Resumindo, um trambolho. Mas que não poderia faltar na mala de Rita Atrib, banqueteira do bufê Petit Comité. De tanto esmiuçar um mercado na Cidade do México, Rita descobriu o utensílio. Foi paixão à primeira vista. "É pesado demais para transportar na mala", ponderou. "Mas em que outro lugar vou encontrá-lo?" A decisão de levar o tortex para casa era irredutível, mesmo correndo o risco de pagar pelo excesso de bagagem. É claro que a mala estava acima do peso permitido e, no balcão do check-in, Rita teve de colocar o objeto na sacola de mão para se livrar da taxa. Ela só não sabia que acabara de criar outro problema: imagine o tortex passando pelo raio X do aeroporto de Miami - o vôo fez escala nos Estados Unidos. Rita perdeu o dia na salinha da imigração tentando se explicar. "Achavam que eu era terrorista com aquela máquina", brincou. E só quando um policial mexicano confirmou, enfim, a utilidade do tortex ela conseguiu ser liberada. Para quem, como Rita, não perde a chance de encher a mala durante as viagens, qualquer sacrifício vale a pena. "Adoro viajar e comprar coisas diferentes. A bagagem é sempre uma preocupação", comenta. "Fico planejando mil coisas para não pagar pelo excesso." Entupir a mala de mão é uma saída, mesmo que o andar fique desengonçado e as costas reclamem horas seguidas. Na semana passada, Rita carregou para dentro do avião quatro mochilas cheias de lembranças do Mercado Ver-o-Peso, de Belém (PA). "É sempre aquela tensão até o último minuto." A chef Morena Leite, do restaurante Capim Santo, também está acostumada a essa tensão. "Como faço muitos eventos no exterior, estou sempre cheia de malas, caixas e até contêineres", justifica. "Já paguei muito excesso de bagagem e perdi coisas que tive de deixar para trás no aeroporto." Morena lembra de quando foi a Lisboa para promover um jantar. Além de colheres de madeira, panelinhas de prata, potinhos e cuias, a chef carregava ingredientes como banana da terra, tapioca e raiz de Capim Santo. "A sorte é que estava sendo aguardada pelo governo português, que resolveu tudo." Para a comerciante Juliana Teixeira de González, de 30 anos, que mora no México e visita o Brasil duas vezes por ano com os dois filhos, a política deveria ser mais flexível. "Cada vez que viajo fico gelada", conta. "Vinte quilos para viajar durante um mês é muito pouco." Às vezes, ela conta com a boa vontade de alguns funcionários da companhia aérea, que fecham os olhos para a balança. NORMAS Nos vôos internacionais, o limite de bagagem determinado pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) varia de acordo com os países. Para os Estados Unidos, Canadá, Ásia e Europa, em geral, é de dois volumes de até 32 quilos cada. Mas, cuidado, porque a cota da volta nem sempre é a mesma. Air France e Air Canadá, por exemplo, permitem duas peças com até 23 quilos cada em vôos com destino ao Brasil. Dentro da América do Sul, o passageiro pode carregar apenas uma mala de até 20 quilos. A taxa de excesso é calculada considerando os parâmetros das bagagens (quantidade, dimensão e peso) e o destino. Para cada volume em excesso, o valor pode variar de US$ 15 (R$ 36) a US$ 204 (R$ 494). Para os vôos domésticos, o limite é de 23 quilos no total, como estipula a Anac na Portaria 676/GC-5. A taxa de excesso, por sua vez, não pode ser superior a 1% do valor da passagem por quilo. Como as companhias aéreas costumam estender a franquia para clientes dos programas de fidelidade e passageiros da primeira classe e da executiva, a dica é confirmar com a empresa antes de embarcar. Para evitar qualquer transtorno que estrague a viagem.

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