O roteiro das cidades fantasmas

Em se tratando de um destino turístico, nada pode ser mais paradoxal do que uma cidade fantasma. A casa abandonada, a prefeitura que mal se sustenta, a igreja caindo aos pedaços. Pensar que a vida se foi tão rapidamente que tudo permaneceu parado no tempo, como um cadáver. Dá tristeza e uma estranha dose de morbidez. No entanto, a sensação de solidão e de ver a história suspensa no tempo também causa uma descarga de adrenalina.

EUREKA, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2012 | 02h41

Segundo Stephen Carr, autor de Historical Guide to Utah Ghost Towns, existem mais de 150 cidades fantasmas no Estado - desde lugares completamente abandonados e esquecidos a vilarejos onde ainda sobrevivem teimosamente algumas poucas famílias. As razões do abandono são os desastres ambientais ou a decadência econômica. No caso de Utah, a maioria foi vítima do breve ciclo minerador do início do século.

Eureka vivia da prata, chegou a ter 3,5 mil habitantes em 1920. Hoje, é um lugar sonolento com menos de 600 almas. A população de Ophir, 80 quilômetros ao norte, desapareceu junto com o ouro. O prédio da prefeitura está de pé, mas permanece fechado. Em uma tarde de céu aberto, nenhum dos 23 moradores deu sinal de vida.

Em Silver City e Gold Hill já não existe mais ninguém e é possível escutar o horripilante barulho dos pés pisando sobre os cascalhos. Um GPS ou um mapa atualizado transforma em diversão a tarefa de caçá-las no meio do nada - para conquistar algumas, é preciso enfrentar estradas de terra.

O fenômeno ocorre também no Brasil: Ararapira, no Paraná, Fordlândia, no Pará, e vários vilarejos mineiros que viraram distritos de outras cidades e desapareceram do mapa. No entanto, em Utah, o esquecimento é mais recente e há um forte clima do Velho Oeste americano.

A contradição é econômica, o que torna o ambiente delicado. O fluxo de turistas traz empregos, serviços, dinheiro que passa a correr novamente nas veias do lugar, trazendo tudo de volta à vida. Uma lanchonete discreta, que começa a vender cartões-postais e souvenirs. Gente disposta a faturar contando a história do vilarejo, que renasce e deixa de ter, muitas vezes, aquele aspecto degradante que o tornava tão atraente. / CRISTIANO DIAS

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