O TripAdvisor e suas listas

É impossível negar a importância do TripAdvisor.com. O site foi um dos pioneiros da internet colaborativa, que moldou esse ambiente de redes sociais superpostas que temos hoje. É uma das marcas mais importantes da internet, logo abaixo de Google, Facebook e YouTube.

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2014 | 02h06

Como maior depositário organizado de opiniões sobre viagem da internet, é lógico (e divertido) que o TripAdvisor produza listas, e é compreensível que anuncie essas listas como a expressão do "melhor" em qualquer categoria.

O que não dá para admitir é que toda a imprensa, dos cadernos de viagem aos de economia, passando pelos portais da internet e programas de variedade da TV, repita que se trata de uma lista de "melhores", e que tenham sido "escolhidos" pelo TripAdvisor.

Voltando à casa zero: nenhum ranking do TripAdvisor (nem mesmo aquele que classifica os hotéis, restaurantes ou atrações de um lugar) é sobre o melhor em termos absolutos. O que o TripAdvisor mede é o nível de satisfação do usuário - um conceito muito mais complexo e, quando bem entendido, muito mais útil.

O nível de satisfação medido pelo TripAdvisor não reflete a qualidade absoluta - mas a qualidade percebida, influenciada pela expectativa prévia e pelo preço pago. Um estabelecimento de menor qualidade absoluta que tenha surpreendido positivamente seus clientes acaba conseguindo um ranking melhor que outro, de maior qualidade absoluta, que não tenha conseguido entregar tudo o que os seus clientes imaginavam. Nada garante que os públicos que tenham julgado os dois concorrentes sejam parecidos, tenham o mesmo nível de exigência ou valorizem os mesmos itens. Um bom exemplo foi a recente lista dos 25 museus mais bem avaliados do mundo, no qual o Instituto Ricardo Brennand, do Recife, ficou na 17.ª posição, o Louvre de Paris - repleto de tesouros da Antiguidade - na 19.ª e o Instituto Inhotim (MG) na 23.ª.

As notas também podem ser influenciadas artificialmente - tanto de maneira legal, quando os estabelecimentos estimulam seus clientes a postarem resenhas (o que é bastante saudável), quanto de maneira suja, com resenhas de usuários falsos (uma prática que o TripAdvisor se empenha em coibir). Na vida real, como muitos que aproveitam o tesouro de informações do TripAdvisor para planejar suas viagens já sabem, não dá para se contentar com o ranking: é preciso ler e interpretar as resenhas.

Ou seja: pelo bem da informação, essas (ótimas e divertidas) listas tipo "os melhores segundo o TripAdvisor" deveriam ser noticiadas como "os mais bem avaliados pelos usuários do TripAdvisor". Combinados?

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.