Bruna Tiussu/Estadão
Bruna Tiussu/Estadão

Onde um gigante perdeu as botas. E a poltrona

Para desafiar o gigante Benandonner, temido no cenário mundial dos grandões milhões de anos atrás, o também gigante Finn MacCool resolveu ele próprio construir o passeio que ligaria sua Irlanda do Norte com a Escócia, terra do inimigo. Depois de empilhadas as colunas, o irlandês foi espiar e se assustou com o porte do rival. Sua sábia mulher propôs, então, que se disfarçasse de bebê e, quando o escocês lá chegou para a batalha, tremeu de medo só de pensar no tamanho do pai daquela criança e correu para casa. Para que MacColl não lhe perseguisse, tratou de destruir boa parte do novo caminho que ligava os dois povos, restando, hoje, apenas uma partezinha dele do lado irlandês.

BUSHMILLS, O Estado de S.Paulo

12 Fevereiro 2013 | 02h07

Você pode guardar a história na memória para relembrá-la (e ver como bem se encaixa) diante do seu fenômeno inspirador, o Giant's Causeway. Ou, se preferir, pode se apegar à explicação científica para aquilo que os olhos veem, mas não processam de imediato: 40 mil colunas de basalto entrelaçadas que se estendem para o mar formando uma espécie de tapete de hexágonos rochosos. Segundo os estudos, é uma rara formação originada após uma explosão vulcânica há mais de 30 milhões de anos.

Localizado a 100 quilômetros da capital Belfast, o Giant's Causeway é a atração aberta mais visitada da Irlanda do Norte. Tombada como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1986, ganhou no ano passado um moderníssimo centro de visitação, cujas atrações interativas funcionam como apoio ao que se vê ao ar livre.

Além de observar e ficar boquiaberto, pode-se brincar de gigante e caminhar (ou quase escalar) as rochas que formam a calçada. Como diz o monitor, "tudo aqui é tanto seu quanto meu. Todos são livres para explorar a área".

Uma trilha demarcada, a Runkerry Trail, é opção para admirar a formação por ângulos variados. O visitante segue contornando as falésias, encara subidas e passa por pontes. É bom ter um certo fôlego e tempo para desfrutar da paisagem - há áreas específicas para um caprichado piquenique.

Lembrar de Finn MacCool pelo caminho é inevitável. Distraído como ele só, como lembram os monitores, largou sua bota no meio do caminho. Sua poltrona está por lá também, em outro canto. Assim como o órgão que o grandão tão bem tocava. Com o passar do tempo, tudo petrificou.

Dizem por lá que o gigante não dá as caras durante as horas de visita. Mas seus "animais de estimação", sim. Com corpo branco e cauda cinzenta, o fulmar é uma das aves marítimas mais presentes na costa. Bem parecido com uma gaivota. Falcões e outros pássaros de porte maior também sobrevoam a região.

Uma curiosidade recente dali é obra dos orientais que visitam o Giant's Causeway. Nas junções de algumas colunas, deixaram moedas e pedidos, muitas delas já enferrujadas por ação do tempo. Pura superstição para que um dia voltem ao local mágico. Pelo jeito MacCool não se incomodou com o atrevimento.

O caminho. Há quem percorra os tais 100 quilômetros desde a capital de carro. Outros vão de moto. Mas muitos, muitos mesmo, optam pela bicicleta. A rota que leva até o Giant's Causeway segue o litoral da Irlanda do Norte e reúne paisagens dignas de cartão-postal. Melhor ainda se for feita sem pressa, com direito à paradas em cada canto que o turista desejar desbravar.

O vilarejo de Larne exibe um simpático porto - o primeiro de toda a Grã Bretanha -, com barquinhos coloridos e agradáveis cafés. O grande tesouro de Glenarm é seu castelo, com um enorme jardim aberto aos visitantes. E quase chegando em Bushmills está Ballintoy, mais uma vila pesqueira. Lá, o grande barato é atravessar a Carrick-a-Rede Rope Bridge (foto), ponte de corda que leva a ilha pequenininha. Tem 20 metros de comprimento e está a 30 metros de altura. A vista é espetacular.

Para que esta e as outras panorâmicas do passeio beirem a perfeição, só falta estar por lá em um lindo dia de sol. É bom torcer: segundo as estatísticas, a região tem cerca de 100 dias secos durante o ano. / B.T.

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