Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

Paisagens enigmáticas de uma rodovia à beira-mar

Ela poderia servir de cenário para qualquer road movie. A fama da Great Ocean Road faz jus à sua beleza: uma profusão de paisagens que te convidam a parar para fotografar a cada 100 metros.

PORT CAMPBELL, O Estado de S.Paulo

05 Março 2013 | 02h34

São 400 quilômetros pelo litoral entre Geelong, a 66 quilômetros de Melbourne, e Portland. O ápice desse tour - para muitos, o final feliz da jornada - é a formação rochosa conhecida como Doze Apóstolos, em Port Campbell. Calma, já chegaremos lá.

O ideal é programar paradas estratégicas no caminho, curtindo com calma cada trecho. Torquay, por exemplo é ótima para compras, especialmente para quem curte surfwear - ali estão os outlets de marcas como Billabong e Quicksilver. As praias de Bells Beach e Winkipop, famosas por receber campeonatos de surfe, ficam bem pertinho.

Outra parada interessante é o Otway Fly, parque onde o canopy é a principal atração, próximo ao Parque Nacional Great Otway. Para encarar a tirolesa contínua em meio a eucaliptos gigantescos (chega-se a 30 metros de altura), é preciso reservar e não se amedrontar por passar 2h30 suspenso.

Se não for seu caso, não dispense uma caminhada pelas trilhas suspensas. Por meio de passarelas, é possível ver cada detalhe das árvores, chegando a uma altura de 600 metros. Belíssimo.

A pé. Não é só de carro que se pode explorar a Great Ocean Road. O Great Ocean Walk é um caminho costeiro de 104 quilômetros entre Apollo Bay e Port Campbell. Dá para encarar trechos curtos por conta própria (a trilha é bem marcada e, em alguns pontos, tem até estacionamento) ou contratar um guia e encarar o trajeto completo, de sete dias.

Trata-se de uma boa oportunidade para ver de perto a rica fauna local. Borboletas, pássaros, lagartos e serpentes - vimos uma tiger snake, cobra venenosa endêmica do país - vão surgir em vários pontos da trilha. Assim como os coalas, figurinhas fáceis por lá. Coloque um bom tênis, encha seu cantil com água (e a pele de repelente) e prepare a câmera fotográfica.

No ar. Depois de tantas paradas, finalmente chegamos ao ponto alto do roteiro, os Doze Apóstolos. Espere encontrar uma multidão no centro de visitantes - um estacionamento no estilo da Basílica de Aparecida reúne ônibus de excursão e carros.

Apesar disso, tudo é extremamente organizado. Há banheiros e bebedouros públicos e a passagem do estacionamento para a trilha à beira-mar é por baixo da rodovia. Há dois mirantes principais que ficam concorridíssimos, especialmente ao pôr do sol. Com tempo, vale descer os 86 degraus que levam à praia e apreciar as formações de um outro ângulo.

Ainda assim, um sobrevoo de helicóptero é indispensável e vale cada um dos 95 dólares australianos (R$ 192) pagos. Tudo muito profissional: você entra na fila para pagar, pega o voucher e entra na fila para voar. Quando aterrissam, os helicópteros não ficam mais de dois minutos em solo antes de levantar voo novamente.

O passeio dura apenas dez minutos, mas é de tirar o fôlego. Quando a aeronave se aproxima das formações rochosas, que começaram a aparecer com a erosão da água e do vento há 10 milhões de anos, é impossível não prender a respiração. A paisagem ganha recortes tão peculiares que o cérebro demora alguns momentos para digerir que tudo aquilo é, de fato, real.

No caminho, o piloto dá explicações técnicas sobre o cenário em ritmo de fast-food. Aponta com ar blasé para o que seria um a um dos tais Doze Apóstolos, apesar de eu mal conseguir contar dez montes sobre a água. Ele fala rápido, com sotaque, em meio ao barulho do helicóptero. E eu quero curtir aquele visual plenamente. Câmbio, desligo. /A.M.

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