Paisagens raras num tour aéreo pelo Alasca

Com poucas estradas disponíveis, voos panorâmicos são a melhor maneira de desbravar o Estado

Sarah Maslin Nir, O Estado de S.Paulo

02 Março 2010 | 02h28

VISTA PRIVILEGIADA - Só do alto pode-se observar a imponência dos cumes nevados e os lagos coloridos que surgem no horizonte

NEW YORK TIMES

HOMER

O vento espalhava pequenos flocos de neve na manhã fria de início de inverno enquanto eu observava a estrada desde um estreito pedaço de terra em Kachemak Bay, em Homer, no Alasca. O campo de gelo de Harding estava bem próximo, ao nordeste. A 16 quilômetros, na mesma direção, ursos praticamente posavam para as fotos durante sua pescaria de salmões em desova.

Tudo muito perto, mas, ao mesmo tempo, muito distante. Há poucas rodovias nos mais de 1 mil quilômetros quadrados de superfície do Alasca. Ou seja: pelos meios de transporte convencionais, um turista não chega muito longe. Bastou caminhar até o fim da Homer Spit para alcançar o fim da via. E com tempo para observar parte do pavimento cair no mar, bem na minha frente.

Felizmente, havia outra opção: pelo ar. O Alasca tem aproximadamente um piloto registrado para cada 58 moradores e 14 vezes mais aviões per capita que o resto dos Estados Unidos. Os voos panorâmicos costumam ser feitos em aeronaves pequenas, apertadas e capazes de pousar em qualquer terreno. Do ar, a rara visão do alto de um glaciar se torna democrática, sem ser exclusiva apenas a adeptos de esportes radicais. Uma vez no solo, animais reclusos se apresentam como figurinhas fáceis para as lentes das câmeras e riachos para pesca estão a poucos passos de distância.

Outra opção, os navios de cruzeiro, afirmam oferecer acesso único ao Alasca. Mas a vista do deque não revela muitos detalhes. Nas embarcações, apesar de poder chegar aos pés das montanhas, você fica impedido de ver as joias ocultas entre os penhascos: lagos coloridos, tingidos de um verde fosforescente graças aos minérios que se desprendem das rochas quando o gelo derrete.

Zack Tappan, piloto-chefe da Homer Air, voa sobre as nuvens de fumaça de quatro vulcões ativos para chegar a um campo repleto de ursos. Depois de aterrissar em uma praia do outro lado de Kachemak Bay, Tappan deixa os visitantes a apenas 100 metros de um destes animais. "Não digo que temos uma relação. Mas ele já nos viu o suficiente para nos entender", diz.

COMO IR

PASSAGEM AÉREA

O trecho São Paulo - Anchorage - São Paulo custa a partir de US$ 1.555 na Continental (11-2122-7500); US$ 1.668 na Delta (4003-2121), US$ 1.764 na TAM (4002-5700), US$ 1.958 na United (11-3145-4200) e US$ 2.021 na American Airlines (11-4502-4000). Voos com conexão.

Há uma série de pequenas empresas aéreas com programas para explorar o Alasca. Você pode optar por voos de um dia ou excursões que duram uma semana inteira. A

Alaska Air Carriers Association (alaskaaircarriers.org) é um bom lugar para começar a pesquisar para um voo panorâmico, mas há outras opções.

Homer Air (homerair.com): oferece um tour por 40 glaciares pela rota do campo de gelo. O preço varia entre US$ 166 e US$ 355 (de R$ 302 a R$ 645 por pessoa), dependendo da duração do passeio e do número de passageiros. Outra opção interessante é percorrer os vulcões e chegar perto dos ursos, a US$ 700 (R$ 1.273) por pessoa.

Lake Clark Air (lakeclarkair.com): a empresa familiar é especializada na área do Parque Nacional Lake Park, a cerca de uma hora de voo de Anchorage. O passeio, com almoço, custa US$ 400 (R$ 727) por pessoa.

Talkeetna Air (talkeetnaair.com): localizada a 160 quilômetros de Anchorage, tem permissão para aterrissar em um glaciar no Parque Nacional Denali. O tour

de duas horas custa US$ 280 (R$ 509) por pessoa; com a aterrissagem no glaciar, o preço aumenta para US$ 355 por pessoa (R$ 645).

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