Palermo, onde moram os hotéis-butique

No fim da década de 1990, quando a Argentina estava cara demais para o nosso bico, o bairro portenho de Palermo Viejo tornou-se um polo de lojas descoladas, bares animados e restaurantes emergentes. Um lugar mais arejado e descontraído do que aquela Buenos Aires clássica que conhecíamos de outros feriadões.

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2010 | 03h48

A transformação de Palermo em lugar da moda começou ao norte dos trilhos de trem que cortam o bairro, numa região de galpões onde se instalaram estações de TV e estúdios de cinema - e que por isso acabou conhecida como "Palermo Hollywood". Quando o fenômeno se reproduziu ao sul dos trilhos, o centrinho de Palermo Viejo foi rebatizado de "Palermo Soho" (abreviatura de "South of Hollywood"). As duas blagues pegaram e hoje ninguém mais se dá conta do ridículo dos apelidos.

A cada crise na economia ou a cada ataque de enfado dos farejadores de tendências costuma-se decretar o fim de Palermo. Há quem insista que San Telmo agora é "o" lugar e quem acompanhe com entusiasmo o aparecimento do mínimo sinal "cool" em qualquer ponto da cidade. Mas o fato é que os Palermos continuam firmes e fortes. Palermo Soho, especificamente, está nos trinques, depois que todo o seu miolinho teve as calçadas refeitas. O perfil das lojas mudou (para melhor), apareceram muitos cafés e hoje o bairro deixou de ser algo do gênero Vila Madalena/Santa Teresa para se tornar uma versão portenha de Jardins/Leblon.

Palermo Hollywood ainda mantém o carão de lugar alternativo - desabitado de dia, pouco amigável para pedestres, mas com um elenco estelar de restaurantes abertos à noite.

A maior evidência da consolidação dos Palermos está no número de hotéis na região. Em 2003 só havia dois hoteizinhos na parte nobre do bairro: a Malabia House e o BoBo. O primeiro hotel-design só apareceu no fim de 2005: o Home, em Palermo Hollywood.

Nos últimos cinco anos, no entanto, o visitante ganhou nada menos do que 30 novos lugares para se hospedar nos dois lados do bairro (imagine se isso acontecesse no Brasil: 30 novos hotéis surgindo em cinco anos entre Ipanema e Leblon ou entre os Jardins e a Vila Madalena). Todos procuram fazer o gênero hotel-butique - com número limitado de apartamentos e decoração contemporânea.

O boom de novos hotéis (e a crise nos Estados Unidos e na Inglaterra, de onde vinha boa parte dos hóspedes) tem mantido os preços num patamar bastante abordável. Há dois anos a diária média da região ficava entre US$ 160 e US$ 200. Hoje, a grande maioria cobra entre US$ 100 e US$ 150. Os preços desta matéria se referem a diárias de casal, sem impostos, e foram apurados semana passada, em sites de reservas online e nos sites dos hotéis, para uma mesma data em maio. Repita a pesquisa quando você for viajar, porque os preços de hotelaria são bastante voláteis.

Em Palermo Soho. Para estar a dois passos das lojas, bares e restaurantes, procure seu hotel dentro do quadrilátero delimitado pelas calles Malabia ao sul, Uriarte ao norte, Gorriti a oeste e Nicaragua a leste. Neste miolinho está tudo o que interessa: o comércio da Honduras e da El Salvador, os restaurantes em torno da Plaza Armenia. O único lugar caído por ali é a Plazoleta Cortázar (Borges esquina Honduras), que foi onde a muvuca começou - hoje concentra os bares menos interessantes e a feirinha mais sem-graça.

Os hotéis mais elegantes do pedaço são o Nuss, que aproveitou - e tornou irreconhecíveis - as instalações de um convento (nussbuenosaires.com; US$ 250), e o Legado Mítico, com ares de pampa chique (legadomitico.com; US$ 240). Mas não há lugar mais vip que o Jardín Escondido, mansão que Francis Ford Coppola aluga inteira, com mordomo e tudo, por US$ 1.600 a diária (coppolajardinescondido.com).

Os dois pioneiros, instalados em casarões clássicos, continuam em ótima forma: o Malabia House (malabiahouse.com,ar; US$ 111) e o BoBo (bobohotel.com; US$ 150). Mas ganharam concorrência no seu gênero, como o Blue Soho, muito bem localizado na El Salavador (hotelbluesoho.com; US$ 93), o 5411 Soho, focado no público GLS (5411soho.com; US$ 115), e o Vain, onde o branco predomina em todos os ambientes (vainuniverse.com; US$ 117).

Quem faz questão de se hospedar num prédio construído para ser hotel já não pode se queixar de falta de opções deste lado do bairro. Os moderninhos brotam em todas as quadras. Na Honduras (a "Oscar Freire" do Soho) encontram-se o Soho All Suites (sonhoallsuites.com; US$ 126) e o minimalista Five Cool Rooms (fivebuenosaires.com; US$ 105). Na paralela de trás, a Gorriti, estão Mine (minehotel.com; US$ 120) e Ultra (hotelultra.com; US$ 90). Na Godoy Cruz, próximo à churrascaria La Cabrera, ficam os supernovinhos The Glu (thegluhotel.com) e Torrecillas (torrecillassoho.com.ar; US$ 108).

O mais alto dos hotéis ao sul dos trilhos é o Esplendor Palermo Soho, que tem apartamentos amplos com sacada (esplendorpalermosoho; US$ 130). A localização mais agradável, porém, é a do Craft, que fica em frente à Plaza Armenia (crafthotel.com; US$ 98). No quesito estilo, a novidade mais interessante é o Palermitano, instalado num predinho anos 40 (palermitano.biz; US$ 110).

Em Palermo Hollywood. Do outro lado dos trilhos, a modernidade impera. Os mais próximos da divisa são o Be Hollywood (behollywood.com; US$ 118) e o Hollywood Suites (hollywoodsuites.com.ar; US$ 153). Também são novinhos o ousado Vitrum (vitrumhotel.com; US$ 180), o discreto Own (ownhotels.com; US$ 105), o espaçoso Noa Noa Lofts + Art (noanoalofts.com.ar; US$ 118) e o bem posicionado Esplendor Palermo Hollywood (esplendorpalermohollywood.com; US$ 140).

A falta de vida diurna no bairro, porém, pede um ambiente gostoso, e nisso ninguém em Palermo Hollywood supera o decano Home (homebuenosaires.com; US$ 130).

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