Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters

Para entender o metrô de Nova York

Você não pode entrar logo na primeira estação: é preciso ter o itinerário definido na superfície

Ricardo Freire - turista.profissional@grupoestado.com.br,

04 Maio 2011 | 06h00

Dos metrôs que eu já usei - da Cidade do México a Tóquio, passando pelas principais capitais europeias - o de Nova York me parece o mais complicado. Moradores e habitués, contudo, discordam de mim. De fato, a cada ida minha à cidade usar o metrô se torna menos difícil. Mas insisto: não dá para se dar bem no Subway nova-iorquino apenas com o que você aprendeu no Métro de Paris ou no Tube londrino. Ainda assim, vale a pena não desistir ante as primeiras dificuldades. Dominar o metrô de Nova York é requisito fundamental para aproveitar melhor a cidade. Vamos às pegadinhas, pois.

 

Funciona como trem. A principal diferença entre o metrô de Nova York e todos os outros que eu já usei está no fato de aqui a rede não apresentar o formato de "teia" que caracteriza os metrôs de maior capilaridade. Em lugar disso, o metrô nova-iorquino funciona como uma coleção de linhas de trem mais ou menos independentes, que eventualmente se conectam. Tanto é assim que "trem" e "metrô" são praticamente sinônimos no dialeto local.

 

Qual é a vantagem desse sistema? Os nova-iorquinos não têm a mesma facilidade dos parisienses, londrinos, madrilenhos ou até dos toquiotas para entrar no metrô onde bem entenderem e saírem exatamente onde precisam - mas em compensação podem usar linhas mais retas e diretas, que não dão voltas nem fazem firulas, e por isso acabam poupando tempo. Normalmente, o metrô é o meio de transporte mais rápido da cidade. A exceção está, estranhamente, nos deslocamentos curtos, porque há poucas linhas que cruzam a ilha no eixo leste-oeste (nessas horas, o ônibus funciona melhor).

 

Estude antes de usar. Em Paris ou Londres você pode se enfiar no primeiro buraco que aparecer na calçada e ter a certeza de que vai emergir na estação desejada. Uma vez lá embaixo, é só dar uma estudada no mapa das linhas e, em no máximo duas ou três baldeações, você chega pertíssimo do seu destino.

 

Em Nova York você não pode se jogar na primeira estação que aparecer. É preciso ter o itinerário definido ainda na superfície. Por exemplo: se você está nos arredores da Rua 23, no lado oeste, vai ter que ver qual estação é mais interessante - se a da Rua 23 esquina com 8.ª Avenida, se a da Rua 23 esquina com 7.ª. Avenida, ou se a da Rua 23 esquina com a 6ª. Avenida. Apesar de se localizarem em três quarteirões contíguos, essas estações não são interconectadas. Na Europa haveria uma cidade subterrânea e esteiras interligando as três linhas; em Nova York, uma vaciladinha pode significar uma voltona.

 

Outra coisa importantíssima é certificar-se de que você está usando a entrada certa. Muitas estações têm entradas diferentes para cada sentido - Uptown (norte da ilha, Queens e Bronx) e Downtown (sul da ilha e Brooklyn). O sentido é anunciado tanto no buraco da estação quanto na porta da catraca. Se você passar a catraca no sentido errado e os dois lados da plataforma não tiverem nenhuma comunicação, ou você vai precisar pegar o trem na direção contrária até uma estação onde haja baldeações (e que por isso deve permitir que você circule e alcance o lado certo da plataforma), ou vai ter que sair e pagar outra passagem para entrar de novo pelo lado certo.

 

Qual vai pra onde? O básico, que você vai ler em todos os manuais, é o seguinte: as linhas designadas por números têm traçados retos e se atêm a um dos lados da ilha (1, 2 e 3 no lado oeste; 4, 5 e 6 no lado leste).

 

Melhor do que o mapa oficial do metrô é o mapinha do New York City Travel Advisory Bureau, que você consegue na recepção do seu hotel. Nele todas as estações aparecem com os números e letras das linhas que efetivamente param nelas. Uma boa estratégia é planejar seu itinerário do dia aproveitando o traçado das linhas.

 

Sopa de letronas. Enquanto na Europa a programação visual procura se comunicar com seus usuários com economia de letras e elegância de sinalização, o metrô de Nova York está o tempo todo gritando instruções em cartazes de todos os tipos e tamanhos postados no seu caminho. De modo geral, as informações localizadas ao longo das plataformas se referem às linhas que passam por ali. As tabuletas postadas de maneira perpendicular aos trilhos se referem a outras plataformas.

 

Não há hierarquia de informações. Todas são gritadas da maneira mais explícita possível, New York style. Além das tabuletonas, não deixe de ler os cartazinhos que aparecem na entrada de quase todas as estações - e que informam os horários em que haverá interrupção de serviço devido a obras. (Normalmente vêm junto as instruções de como proceder durante a interrupção de serviço.)

 

Como comprar. Esta é a parte fácil. As maquininhas de venda de bilhetes são a antítese do metrô de Nova York: simples, modernas e intuitivas. Tudo é touch-screen. Pressione "start", escolha inglês ou espanhol e, em seguida, um MetroCard, que é um cartão magnético gratuito. Você pode escolher entre "pay-per-ride" e "unlimited rides".

 

Na alternativa "pay-per-ride" você carrega um valor entre US$ 4 e US$ 80; a cada viagem seu cartão magnético vai ser debitado em US$ 2,50. Se seu crédito esgotar, basta passar numa maquininha e carregar com mais dólares (mas o buraquinho do cartão só abre depois que você aperta "start" na tela). A alternativa "unlimited rides" é boa para quem vai ficar uma semana na cidade ou vai andar MUITO de metrô. Custa US$ 29 e possibilita viagens ilimitadas por sete dias corridos. Em ambos os casos, dá para pagar com dinheiro (troco máximo fornecido pela máquina: US$ 6) ou com cartão de crédito. Pegadinha para quem usar cartão: lá pelas tantas a máquina vai pedir o seu zip-code (o CEP americano). Ponha qualquer número de cinco dígitos; a informação só é checada em cartões emitidos nos Estados Unidos.

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