Viagem

Paraty

Com beleza colonial e atrações culturais e naturais, cidade histórica no litoral do Rio de Janeiro é pedida certeira

13/06/2017 | 04h00    

Felipe Mortara, especial para o Estado - O Estado de S.Paulo

Em julho. Paraty combina história, em suas ruas e no casario, e cultura, com a Flip

Em julho. Paraty combina história, em suas ruas e no casario, e cultura, com a Flip Foto: Felipe Mortara/Estadão

O tempo estável do mês de julho é mais do que um convite para aproveitar ao ar livre uma das cidades coloniais mais bem preservadas do Brasil. Espremida entre o Oceano Atlântico e as montanhas verdes do Parque Nacional da Serra da Bocaina, Paraty conjuga passado e natureza como poucos destinos do País. Cercada por praias deslumbrantes e ilhas próximas, a cidade fluminense cadencia ritmo próprio, ao sabor das marés que invadem e recuam sobre o calçamento de pedras multicentenárias.

A 267 quilômetros de São Paulo, o icônico casario histórico parece contemplar os visitantes que chegam em massa para o evento mais querido da cidade. Entre 26 e 30 de julho, a Festa Literária Internacional de Paraty, a famosa Flip, chega à sua 15ª edição e retorna à Praça da Matriz, desta vez homenageando o escritor Lima Barreto (1881-1922). Mesas de discussão sobre literatura, artes e contemporaneidade dão o tom à cidade, que se enche de shows, performances e eventos paralelos, como a Flipinha e as casas culturais. Os ingressos custam R$ 55, e a previsão é que comecem a ser vendidos hoje no site flip.org.br, que já publicou a programação das mesas para este ano. Além da Flip, Paraty sedia um punhado de outros eventos e festas religiosas (veja lista aqui). 

A região guarda também dezenas de praias excelentes, com areias clarinhas e cercadas por Mata Atlântica. O mar pode estar frio, mas ainda assim pronto para os corajosos que terão bastante sol para se esquentar, e as belezas naturais compensam. Na vila de Trindade, tradicional refúgio a 30 quilômetros do centro velho, a Praia do Meio dá as boas-vindas com sua península cênica e a Praia do Cachadaço brinda os visitantes com sua piscina natural. Amantes do surfe encontram na Praia do Cepilho as mais poderosas ondas da região. Há ônibus de hora em hora na rodoviária de Paraty para Trindade ou, de carro, siga as placas por 25 minutos rumo ao sul. 

Na mesma região, o inigualável Saco do Mamanguá é um fiorde, braço de mar envolvido por montanhas como o Pico do Pão de Açúcar. Com 575 metros de altitude, chega-se ao topo após uma caminhada intensa de cerca de uma hora desde a Praia do Cruzeiro. Para o bem e para o mal, não se chega de carro. Pegue a Rio-Santos por dez quilômetros no sentido São Paulo até o km 593 e siga por mais oito quilômetros por uma estrada de terra até a vila de Paraty Mirim. Ali, contrate com um pescador um transporte de barco até o Mamanguá (40 minutos de navegação; cerca de R$ 150 ida e volta por grupo) e agende um horário para o retorno.

Pedida mais clássica é o tradicional passeio de escuna pelas 65 ilhas da Baía de Paraty. No cais há embarcações que fazem roteiros de cinco a seis horas de duração (na faixa de R$ 40 por pessoa) pelas ilhas dos Cocos e dos Mantimentos, com paradas para mergulho em um ponto conhecido como Lagoa Azul. A Estrela da Manhã e a Banzay são algumas das escunas que operam o serviço. Também dá para combinar passeios para ilhas menos badalas, como a do Cedro e a da Lajinha, espetacular na maré baixa.

Muito embora a sensação de caminhar por outros tempos seja natural em Paraty, para compreender mais a fundo a história, vale a pena um city tour com um guia credenciado pela Embratur. Agências como a Paraty Tours ou profissionais como Sibele Wizentier (24-99907-7454) e Renan Pinto (24-99915-9119) cobram a partir de R$ 25 por pessoa por duas horas e revelam mistérios que permeiam as quatro igrejas do centro histórico, o ponto final da Estrada Real e o porto de onde partiam para Portugal as riquezas nacionais durante o Ciclo do Ouro, nos séculos 17 e 18. Seja em termos de passado ou de natureza, nunca faltarão motivos para descobrir Paraty. Pela primeira ou enésima vez.