Passagem pela Índia

Passagem pela Índia

A preocupação com a segurança, após os atentados, enfeiaram este tão belo país

Mr. Miles, o homem mais viajado do mundo, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2009 | 02h39

O homem mais viajado do mundo anuncia que, em esforço inusitado, decidiu escrever estas linhas "em um desses minúsculos computadores que me convenceram ser especialmente adequados para utilizar em espaços exíguos, como, for instance, a mesinha de um avião. In fact, sobrevoo agora o Estreito de Ormuz tentando dedilhar a geringonça.

Jamais, however, consigo produzir os caracteres desejados. É preciso ter os dedos delicados de um gafanhoto para lidar com esse microteclado, dádiva que, unfortunately, não possuo. Thank God, não deixei de trazer o caderno pautado e o lápis, para poder lhes contar sobre a viagem que fiz.

Pois vejam só, my friends: estive em Delhi para testemunhar o casamento de meu bom amigo Zameer Khan com a linda Mumtaz.

Já fazia alguns anos que não visitava a capital da Índia que, I must say, continua tão caótica e fascinante quanto nos tempos da dinastia moghul. A cerimônia foi bela e - ao menos para os ocidentais convidados - ligeiramente spicy. Até os docinhos, my God, vinham carregados com coentro, cardamomo e as mais diversas pimentas que alegram a rotina gastronômica dos hindus.

Unfortunately, a Índia vive dias de paranoia extrema depois dos recentes atentados que sofreu. Todos os hotéis e atrações turísticas estão severamente vigiados. Apenas para exemplificar: meu inofensivo bowler hat foi submetido a tantas inspeções que, por pouco, não se esfacelou.

Enquanto isso, nas ruas, as multidões descontroladas seguem assediando indivíduos de aparência caucasiana no encalço de rupias para sua sobrevivência. Compreendo, indeed, a legítima preocupação das autoridades com a segurança, mas poucas coisas enfeiam tanto um país quanto a presença ostensiva de homens armados e ameaçadores. Don't you agree?

Com um pouco de nostalgia dos tempos em que vivi por aqui, trafegando entre a Índia e a Birmânia, ouvindo lindas histórias contadas por Rudyard (N. da R.: Rudyard Kipling, escritor inglês nascido em Bombaim), visitei os becos sempre cheios de novidade de Chandni Chowk, com sua unbelievable densidade de transeuntes, comerciantes, artesãos, sadhus e pickpockets. Yes, my friends: existe beleza no próprio caos, mas é preciso ter olhos para enxergá-la. Não é a beleza evidente do Taj Mahal, com sua linda história de amor e os detalhes de mármore trabalhados em pachikari - uma técnica ainda cultivada em Agra, que fica a parcos 200 quilômetros de Delhi.

Estive lá também, guiando meu Ambassador alugado - uma das vantagens da Índia é o fato de que ali se conduz na mão correta. E, what a shame: o inofensivo mausoléu que é o cartão-postal dessa nação tão populosa também está cercado de barricadas. Um exército para guardar o que restou de uma história de amor no Taj Mahal.

Unfortunately, outro evento me espera nos próximos dias em Londres. Volto ligeiramente incompleto pela brevidade desta passagem. Mas já tenho novos planos: assim que as monções passarem, por volta de outubro, retornarei a Delhi para rever my old friend Jiggs Kalra, um mago da gastronomia hindu. E prometo-lhes novas histórias. Is it all right for you?"

*Mr. Miles é o homem mais viajado do mundo. Ele já esteve em 132 países e 7 territórios ultramarinos

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